sexta-feira, 31 de julho de 2009

Infinite in mystery is the gift of the goddess
We seek it thus, and take to the sky.
Ripples form on the water’s surface
The wandering soul knows no rest.


Retirado de: Loveless

I Ching



O meu livro das mutações acometido está de uma estagnação redundantemente estática. Parado no algures num imperfeito e virtual conceito de espaço-tempo. Invejo a quem a vida muda. Pergunto o porquê da minha vida ser permanentemente preenchida de uma mutação imutável. Não obtenho respostas apenas o silêncio que sempre ouvi. Talvez seja essa minha realidade. A insustentável imutabilidade do meu ser. Preso. preso a um nada que nada quero ou pretendo. A um sorriso pontual. A uma felicidade imaginária... à minha imaginação fico retido pois apenas essa me acompanha . Preso aos sonhos que me tornam em quem pretendo não ser. Contrario em vida o poema de Sebastião da Gama. Talvez seja essa a sentença a que me condenaram à nascença, no fatal momento em que tudo se decide o meu I Ching foi escrito... As camadas que o compoem ao mesmo se resumem... repetem-se ciclicamente, aglutinadas pelo desencontro. Não acreditava no destino... Agora... Desacredito minhas crenças... Desacredito meu sentir. Desacredito-me. Desacredito tudo em que acredito. Renego meus valores. Renego quem sou. Renego-me. Enjeito-me. Procuro pensativamente uma porta que conduza a um caminho que leve a um fuga de mim. Farto... Saturado... de ser quem sou, resta-me ser quem não quero ser. Resta-me remover o que escondo por trás da mascara. Largar-me... Deixar-me partir para onde nunca mais regressarei. Esquecer-me de ser quem sou. Serei o meu outro eu. O Eu Mesmo que nada aqui escreveu... que me pediu para nada escrever pois esse não necessita de cartase. Esse tudo domina. Esse meu eu, não sendo eu, é feliz. Feliz serei assim escrevendo um novo IChing inconciente de mim.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nada..

Escuto no mar a salvação para as ideias perdidas que ardem apagadas em meu pensamento.
Rasurado se torna o seu encanto no passar de um carro perturbador. Tento arrastar meus pensamentos para lá ruído que começa a impregnar o ar com os sabores dos pedidos de descanso que busco. Penso não pensando em tudo o que penso. contradigo-me. Afasto-me no vento, que suave, transporta as minhas ideias para onde não sei se alguma vez estarei. Rasgo os horizontes do infinito. Atinjo o que procuro e o que não quero encontrar. A praia começa a encher-se e tudo o que quero e que se esvazie. Egoísta. quero a paz reinante na praia apenas para mim neste instante. Só minha. Longe de todas estas palavras vagas e insapientes, típicas de quem não ambiciona realmente ser. Risos insípidos. Sem o vital tempero da emoção, assim os escuto ecoando, recortando como a mais afiada das armas o som do meu amigo. A proximidade sinistramente intima obriga-me a escutar as conversas de circunstância que o passar na sua normal desconversação tornam obrigatórias. Pergunto-me em que pensarão a sós consigo só... em nada. Sou tomado por uma inveja pontual. Se em nada pensasse feliz estava. Mas... Com o ser que em mim habita de certeza que o meu nada por muito preenchido estaria. Em nada posso pensar porquem em mim o nada tudo é.

domingo, 26 de julho de 2009

Serei?


Pergunto ao mar como serei daqui a dez anos... Quem serei... Que serei... Serei?... Olho agora para quem sou. Uma contradição de força e fraqueza de certeza e receio... Mais não sou que uma árvore de folha perene numa floresta repleta de árvores despidas de sentimentos no inverno da vida. Ou serei eu o oposto... Não serei eu despido de tudo por me desencontrar da felicidade? A contradição o reina como imperadora absoluta no universo de mim. Já há muito aceito esse facto. Muito sinto... Sou felizmente triste. Tenho a força de todo o universo concentrada em mim. Tenho toda a fraqueza da insignificante folha que sentimos estalar a mínima pressão o que sobre ela exercemos. Sinto... Sinto em mim a força para arrasar uma montanha com o meu pensamento e refazê-la. Consigo rescrever a história... Refazer o universo. Consigo ser um buraco negro que toda a centelha felicidade devora com avidez pecadora... Consigo nada fazer. Nesta contradição tento encontrar o meio termo... Tento. Não consigo. Em mim os pensamentos avançam e evoluem num paralelismo sobreposto. Muitos são mas apenas um na verdade é. Tento ver como serei. Sinto uma vontade irreal em ver para lá do tempo futuro. Em saber. Corroí-me o espírito de ansiedade em descobrir se serei feliz... se realizarei o meu sonho. O pensamento foge-me... Divaga para o receio. O medo que me castra a vontade... O receio de me ver dentro de dos dez anos no mesmo ponto em que estou. Ou pior. Temo ver quem não conheço. Não me reconhecer. Estranhar meu próprio eu no espelho do meu ser... Tornar-me quem não sou querendo ser quem sou. Mas... Em mim sinto uma crescente dúvida vida. Quem serei? Continuarei a escrever? Encontrarei o equilíbrio no caos da contradição que me assiste? Tento escutar no mar uma resposta para as minhas questões. Não consigo... Seu chamamento diluído esta na no caos sonoro que me rodeia. Assim mais não me resta que pensar que mais não serei que uma nova contradição. Felizmente infeliz por não sentir quem sou.

sábado, 25 de julho de 2009

Visão

Tento olhar pela lente do meu ser para quem fui... para que tenho sido. Vejo cada fotografia de cada momento passado com uma nitidez presente. Sinto a resolução de cada instante em cada pixel que na minha memória existe. Estas são as piores imagens... As piores sensações que podemos sentir porque em mim as imagens ganham forma hexadimensional... não ocupam apenas as três dimensões do espaço mas preenchidas são por sons.. sabores... cheiros.... tato que formam uma imagem atroz de tudo o que já vivi. Preferia que apenas fossem imagens descoloradas pelo tempo... esbatidas pelo passar das sensações... esquecidas... olvidadas... apagadas. Largar todos os meus fantasmas. Mas todo o passado em mim é presente. Esse é o presente de mim... memórias. Quero mudar. Quero deixar de pensar. Deixar de escrever. Deixar de ser quem sou. Reescrever-me... renascer. Reiniciar. Deixar de ver quem fui. passar a ver quer quero ser. Cansado estou de sentir em mim quem sou

Sentir

Pergunto ao vento que a intimidade de todos conhece o que será verdadeiramente sentir. A razão fria na nortada quente que se faz sentir leva-me a uma conclusão insípida. Uma mera resposta fisiológica a um determinado comando neurológico. Substancias químicas que libertamos no nosso sangue quando os nosso neurónios são estimulados por algo... Rejeito. Rejeito a pagã conclusão ,e me é dita. Heresia sinistra e imperdoável! Infernal... Mas... Um cunho de verdade existe na triste observação. Nada mais somos que um aglutinado de átomos e moléculas unidas quimicamente em ligações mais ou menos fortes... Continuo a rejeitar... Nego! Renego a verdade! Rasgo a realidade que meus olhos registam a cada milionésimo de segundo... Que é sentir? Será amar... Será sofrer... Recear... Não temer... Questiono... Indago meu ser para onde vão as memorias e as sensações. Perder-se-ão? Desaparecerão comigo na ultima exalação do fim da minha terrena matéria? Ambiciono o impossível... Suspiro para que se tornem uma memória universal omnisciente... Única... de todos os que se encontrem emersos na cegueira da razão! Mas quem sou eu? Que sou eu? terei eu o direito de pedir o inalcansável? Resignado, perpetua insatisfação sinto por não querer nunca sempre me perder por quem sinto.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Cinzento

Pela primeira vez em muito tempo não encontro ideias para escrever. Sinto que perdi as palavras e as frases, a métrica e a rima. A vontade e a inspiração volatilizaram-se... Sinto-me da côr do céu... Cinzento... Como ambiciono a gradação cinzento chuva atingir... Bom seria. Bom seria que a chuva de minhas lágrimas retidas sobre mim caísse... Apagaria certamente todo o fogo que meu ser consome... Mas... Mas o meu cinzento vive na cor que não existe... Inatingível... Inacreditável... Indescritível... Inenarrável. Apenas uma floresta seca sou que condenada esta a arder eternamente enquanto o sopro da vida que persisto em manter se fizer sentir em cada um dos seus ramos. Ardor sinto pelo que não consigo escrever... Faltam-me as palavras... Falta-me o sorriso... Falta-me a tinta com que pinto meus sentimentos. Inconcluído projecto de grosseiras linhas por mim mal traçadas sou, onde tudo me falta para sentir ser quem sou.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Cais..

Estou rasgado pela indiferença. Estropiado pelo silêncio. Transparente. Apenas isso. Sou transparente nem a felicidade de parecer apenas translúcido e susceptível de realização. Irritado... Irado pela minha incipiente condição. Deveria eu ser indiferente ter a capacidade de ostentar o sorriso fácil da despreocupação em meu ser. Nada me atingir. Ridículo sou. Contemplo assim quem sou. Sem minimizar ou recorrer a um vulgar eufemismo. Persisto nos erros passados de achar que existe mais alguém como eu. Isolado. Único. Distante. Proscrito de uma cruel e egocêntrica existência em que a sociedade q me rodeia insiste em viver. Tenho de encontrar forcas em mim para ser indiferente ao que sinto. Soltar amarras do cais de mim próprio e aventurar-me no interminável oceano de não sentir. Talvez assim encontre a paz de espírito que ambiciono. A calma que de mim insiste em fugir. Mas ao cais de mim me encontro preso pela mais forte das correntes... A corrente do sentir que existe em mim.

Folhas

Gostava que os meus sentimentos fossem as folhas outonais... Amarelecidas pelo frio das desilusões sazonais que se repetem com o passar dos tempos pelas estações do meu ser. Frágeis... Quebradiças... Inertes de pensamento. Bom seria... Apenas teria que aguardar que o vento do desencontro sobre elas soprasse sua presença para que, dos ramos de mim se soltassem sem dor ou dramas... Sem arrancarem tudo de mim... Apenas me limitaria a vê-las cair, afastando-se rumo ao chão acolhedor. Poderia também se me apetecesse olhá-las assim tombadas ao fundo de mim... Observar como se dissipavam diante de meus olhos... Se diluiam no esquecimento isoladas no meio de todas as outras memórias passadas. Deixar de as ver... Esquece-las. Bom seria... Bom seria ter somente de aguardar por uma nova primavera na indiferença de tudo o que para trás ficou... Não sentir que nada em mim sobrou...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Luna



Faz hoje quarenta anos que sobre ti desceram. Tu que sobreviveste intocável em virginal segredo só ao alcance de quem sonhava viste-te espoliada de teu segredo pela ambição desmedida do homem querer ir mais alem dos sonhos. Tantas aventuras e tormentos testemunhaste... Tu companheira fiel das minhas emocionadas ausências de sono em que trocamos tantos olhares... Tu confidente de tantas lágrimas que larguei que com teu sopro secar tentas-te... Tu que ouviste todos os meus lamentos de cada desencontro a que fatalmente me vejo condenado. Sinto tua dor... Tua vergonha... Tua tristeza... De como o homem apenas te pretendeu conhecer para uma noite de satisfação de seus terrenos prazeres, deixando para a eternidade da sua memoria em ti marcada uma pegada como símbolo da sua futil posse. Tu que sofres como eu sofro... Que sentes como eu sinto. Em ti vejo os meus sonhos perdidos... Em ti guardo meus dilemas... Testemunhas mais um desencontro com a candura de teu olhar conselheiro... Mesmo sofrendo dás de ti todo o carinho que preciso... Mesmo sofrendo dás o amor que sinto perdido. Felizes estamos condenados a nos encontrarmos-nos em nosso sofrimento cobertos pelo negro manto do nosso sonho.

Chuva




Vejo na purificadora chuva passageira as lágrimas que gostava conseguir soltar. Libertar de meu peito cada mágoa imposta pela indiferença... Cada grito envolto no silêncio... Cada fechar de olhos de distância percorrido. Quero condensar... Condensar em cada uma das minhas lágrimas o tormento de desilusão feito que vai enchendo o meu ser com um mar que não pretendo manter em mim. Afogando-me lentamente no gotejar das lágrimas d’alma em cada pensamento que por única e focalizada ambição apenas busca a paz nos braços da felicidade. Irreal busca faço. Insisto em ter o que n posso, por apartado de mim foi o caminho que ao meu sonho conduz. Não posso ser feliz. Meu pensamento marcado foi. Tatuagem indelével foi gravada em mim ao nascer da consciência que sinto do meu sentir. Marcado pelo ferro incandescente do que não quero fui por um motivo que conheço desconhecer. Sobreviver tento a escarificação q me foi rogada para que fique na eternidade da existência finito consciente de quem me sinto. Chaga ternamente aberta de onde nada sai. Não sai a melancolia ou o desgosto nem uma fraca de infelicidade... Apenas entra... Entra suavemente um sonho que toma conta de mim dando-me as asas que anteriormente perdi. Clamo por justiça a quem houve meu silencioso sentimento. Sem resposta. Assim mais uma vez caio. Desencontro mais uma vez sinto.

domingo, 19 de julho de 2009

Palavras Perdidas



Procuro saber onde se escondem as palavras quando nelas não penso. Para onde vão? Que lhes acontece? Perder-se-ão no firmamento onde o meu ser acaba? Ou encontrar-se-ão no inicio virginal do meu ser mais recôndito que já esqueci? Desconheço que destino tomam ou se alguma vez as encontrarei, tão pouco sei se pretendo encontrar ou para a eternidade olvidar sequer sua existência, qual negação de algo que querendo não quero. Não sei. Mas sei que sinto que me faltam as palavras. Cantam os sentidos tal facto. Tudo me dizem e nada escondem, sem rodeios mostram o que me falta não são as palavras mas o génio de escrever. Sinto, mas impossibilitado estou de o fazer por ambicionar entrar no panteão divino do sentir transcrevendo. As emoções não se descrevem... não se dissecam na lógica fria das palavras que apesar de sentidas, pagãs são em dimensão. Penso no tom acusatório com que as minhas emoções vagueiam por mim... Sabem que ao serem sentidas acabaram fluidas materializadas em tinta numa folha de papel do Caos da Vida. Merecerão tal sorte? Tal destino? Acabarem sós envoltas numa frase em que tudo tento mostrar de mim, mas que mesmo muito sentindo cada uma delas, acabarei eventualmente por nunca mais pensar nelas. Não sei quais são as palavras, mas de regresso a mim gostava que orientassem seu caminho.

Final..



Questiono-me porque até hoje insisto em queimar o que escrevo. Não consigo imaginar todas as folhas... quantificar as palavras que soltei do meu ser na ponta de uma caneta ao sabor dos sentimentos é impossível. Não faço diários... escrevo no momento que sinto que o tenho de fazer, detesto mesmo a ideia da obrigação de escrever. Algo em mim obriga-me, no bom sentido do termo, a fazê-lo. Uma vontade superior a todas as demais que vão preenchendo de forma mais ou menos errática o meu dia compele o meu ser a tentar (d)escrever tudo o que se passa, muitas vezes no próprio momento. Mas questiono-me... Porquê? Sustento a minha pirómana vontade na catarse que julgo o fogo conseguir fazer ao queimar as minhas humanas fraquezas. Como se na incandescência da chama encontrasse a energia purificadora que procuro para o meu ser. A força libertado do jugo do desencontro que a mim se fixou tão sólidamente. Mas todas as vezes que o faço... nada muda... tudo em mim persiste na insistência de permanecer rigorosamente indiferente à mudança do meu estado de espírito. O fogo não queima as emoções transcritas... Não as destrói... Pois se fisicamente tudo possa arder as emoções que nele se encontram são intemporalmente imortais. Pode eventualmente lançar a sua essência ao mundo.... Caos da Vida é o reflexo do caos da minha vida, do meu desencontro com a felicidade, com o sentir e comigo. Que farei? Procuro destruir o que fui ou senti, pelo fogo... Não! Não o pretendo fazer. Não fujo de mim nem do vendaval de emoções que constatemente agitam tudo em mim. Se o fizer... Se o fizer na quebra com o passado não me estarei a destruir um pouco a mim? Não estarei a tentar negar que sinto? Quem sou? Penso que o Caos da Vida sobrevirerá à fatalidade da chama...

Fractal



Procuro nas palavras do Mestre o alento para a razão que de mim se evapora. Devoro cada sentimento escrito com uma fome insaciável. Leio... releio.. Sinto. Tantos génios num só. Questiono-me se não terei Eu Mesmo de arranjar um heterónimo ou mais para poder experiênciar verdadeiramente tudo o que vou sentindo, não sinto ou não quero sentir. Tento condensar as ideias as frases e as palavras, dando-lhes estrutura, organizando-as. Caio no dilema da compartimentação estanque. Deverei fazê-lo? No caos não há ordem? Na ordem não há caos? Se ambos os opostos conceitos não fossem métricamente dispares seriam idênticos pela depêndencia paradoxal que têm um em relação ao outro. Penso nas infinitas possibilidades da matemática fractal, uma vez que esta é a única possibilidade de fuga à ordem da geometria clássica. Vejo à luz dos fractais a ordem do caos... penso... penso como o meu pensamento que ao abandono se dilui em tudo... em tudo pensa mesmo na presença confortável do nada em que penso. Todos os meus pensamentos estão interligados. Um depende dos outros como todos os restantes de um único sobrevivem. Chego a uma ideia porque parti de outra. Cada conclusão que já cheguei é um ser mutável, uma entidade viva que aguarda impaciente pelo amadurecimento da mudança motivada pela presença de outras... Diluem-se todas neste ser que sou com a ideia do caos ordenado do ser quem sou num fractal que desconheço a existência.

sábado, 18 de julho de 2009

Vento




Peço ao vento
onde lancei as palavras
que temia
se as devolver
ao meu ser pode.
tento com ele troca-las
pelas folhas outonais
da esperança que da árvore
do meu pensamento caiem.
Inflexível é a sua posição.
Tomou como suas
as minhas palavras.
No seu egoísmo mantém
o que lhe peço
guardado apenas para si.
Mas iniste em arrancar
todas as folhas que restam
(em mim)

Esquecido


Refugiu-me do sol das palavras caminhando na sombra de mim. Transparente a toda a luz de vida portadora insisto em seguir algo desconhecendo o destino. Abandonado à brisa passageira da sorte perdida de tempos passados que procuro não esquecer. Peço à tristeza que ao invés de sobre mim pairar, se entranhe e preencha meu espírito, para que na intimidade de meu ser minha companheira se torne também. Desejo que me conheça o palpitar da emoção. A visão que tenho de quem é. Não a renego. Não a odeio. Faz parte de quem eu sou... acompanhou meu crescer de desilusão em desilusão, mas sempre a distância. Talvez por vergonha sentir da sua acção sobre meu pensamento e meu agir. Não a esquço... Nem a quero esquecer.... No entanto esquecido estou do que não esqueci. Até quando? Não procuro os motivos que não faltam, mas retenho um que me assiste. Por pouco destro de mãos ser, vicariante sentido passou para as palavras onde (sobre)vivo. Mas agora , esquecido de quem sou, sinto falta das palavras que me faltam por não existirem em mim.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Lição

Continuo sem aprender a liçãoo da vida. A felicidade não se procura. A felicidade encontranos. Continuo a vasculhar os confins da minha existência em busca da alegria da felicidade. Troquei o conforto pela tempestade das emoções, preferi arrastar-me para o tornado da insegurança em busca de um sorriso em busca de alegria. Brinquei. Eolios não. Eolios na sua sede de vingançaa todos arrasa. Não admite que alguém abra as asas na sua mais perfeita brisa. Ternamente envolve as pessoas... Numa falsa segurança divina... Embaladas na harmonia da esperança na forma de um sorriso... Encaminha-as para a sua vingança. E com rancor acumolado descarrega toda a sua raiva devastadora. Eu? Eu já parti demasiadas vezes as asas. Ja não voo. Agora resta-me aguardar que este prepetúo movimento que comanda a minha vida termine o seu bater.

Quero

Sinto-me preenchido pelo silêncio que te torna constantemente presente. Não dizes nada. Teu sepulcral silêncio assusta-me. Pergunto-me. Estarás bem? Saudades apenas penso. Saudades e preocupação. Sinto-me derreter num vórtice incontrolável de emoções. Que se passa? Porque me ei-de preocupar tanto? Devia eu fazê-lo? Se ao mundo posso exibir uma máscara de controlo não a consigo exibir frente ao espelho de mim próprio. Sinto-me exasperar. De forma incontrolávelmente controlada vou contando os minutos, na tentativa que a sua passagem pelo ponteiro da vida mais célere seja. Não consigo. Vejo o tempo estagnado como se a simples passagem de um segundo para o seguinte, ao invez do tabelado tempo oficialmente registado e certificado, tomasse de súbito a dimensão de uma breve eternidade. Contradição pensas no teu ausente silêncio. É breve porque cada segundo que passa a noção que em mim persiste e que demora progressivamente mais a passar como se de súbito fosse elevado a uma escala exponencial. Arrasta-se. Demora-se. Atrasa-se. Como se cada síncrono movimento me tragasse aos poucos o meu espírito. Vingança cruel de chronos penso. Merecido? Talvez... Não te quero stressar ou pressionar o que quer que seja. Sabes o que quero? Quero sentir a tristeza no teu sorriso... A alegria condensada a cada lágrima que largues. Abraçar a tua dor tomá-la como minha. Fazer-te ver o mar com os olhos de criança que perdemos na aventura de crescer. Ouvir todas as tuas mágoas para poder limpar teu ser de todas as dúvidas que dúvida encerra. Escutar os todas as coisas más que te fizeram esconder. Sinto que te proteges. Alguém te desiludiu para lá; do imaginável, sujando teu sentir com a mancha da desconfiança. Proteges-te. Criaste o teu mundo onde encontras-te o equilíbrio no silêncio, evitando sequer ousar pensar em sentir por triste que em ti deve ser a memória do sofrimento. Como quero... Como quero levar-te a sentires o Sol do sentir limpo de sofrimento. Quero apenas fazer minha a tua felicidade. Quero fazer-te sonhar todos os sonhos que não ousas pensar em sonhar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Dúvida...

Pergunto ao silêncio reinante do ruído da multidão que me rodeia que caminho estou a seguir. Como aqui cheguei saltando de desencontro em desencontro na vã esperança de a mim proprio me encontrar. Não obtenho respostas, o silêncio cala sua voz fazendo-se ouvir todas as conversas banais do início de um novo dia. Insisto. Clamo pela orientação da sua companhia. Nada. Apenas ruído. Ruído de fundo de susurros conspiradores de quem nada tem para dizer ou sentir. Tento encontrar em mim as respostas que o meu companheiro de longa data cala na sapiência de que tudo já ouviu nos sentimentos a ele confessados. Vasculho nas memórias de criança... Relembro situações. Como quando tecia as inocentes mentiras de menino os meus meus pais me diziam que estava a mentir e que isso se encontrava escrito na minha testa. Vejo como na minha credulidade nisso acreditava. De imediato esfregava a testa como que a limpar algo que marcadamente me incomodava. Nunca tive jeito para mentir creio... Sempre fui demasiado simples na minha maneira de pensar para o fazer. No entanto agora mostro ser quem não sou. Ao fazê-lo não estarei a mentir? Não estarei por trás da máscara a tomar como minha uma verdade que não me pertence? Minto. Na máscara mostro parte de mim. Tudo o que não gosto de ver. Sem qualquer dúvida penso não mercer fazer o que faço. Ergo o estandarte de ser fíel a mim próprio qual último paladino da verdade suprema quando na realidade estou a exibir a mais sinistra das mentiras, o meu eu que não sendo também sou. Exibo parte de mim na montra da vida. Desculpo-me com todas as histórias de uma vida de desilusões decorrida. Desculpas... Tantas... Tudo o que me aconteceu como desculpa serve para o meu descontentamento. Manipulo-me a mim próprio. Evito-me, engano-me, minto-me. Na verdade penso que o maior desencontro não foram os outros que em mim induziram... Fui eu que me desencontrei de mim.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

(Des)Inspiração

Continuo sem inspiração. As palavras surgem escritas ao sabor da aragem fria da fuga ardente de um estado de exaustão. Relembro o inverno. Como odeio o inverno e o frio que o identifica. No entanto hoje por uma razão que desconheço apraz-me a ideia do frio invadir o espaço físico por mim ocupado. O letargico cantar de uma lareira ao sabor de um vendaval exterior. Estou pensativo sem pensar. Contradigo-me constantemente. As horas arrastam-se para lá do imaginário. Ocupo o meu tempo com mil e uma coisas pendentes que não quero fazer e não tenho responsabilidade sobre elas. Procuro encontrar ocupação. Algo que me estimule a medíocre inexistência em que existo. Tudo... Nada... Algo... O Sol... O Pôr do sol... O anoitecer... A Lua... Uma imagem... Uma aragem... Estou num deserto sem o fio da vida aquosa que me prende a algo que não sei o que é nem consigo encontrar. Não sei para onde fui... desconheço para onde vou! Mas sinto uma necessidade urgente de partir. Norte, Sul ou Este... Qualquer lugar me serve desde que algo encontre que me reencontre, me faca sentir que regressei a mim.

Trabalho

Dou comigo a meditar nos pensamentos que terei perdido anestesiado no stress que me e imposto pelo trabalho. Medito em todas as palavras que apesar de tudo vagamente vaguearam pelo meu pensamento marcando a sua presença como que me alertando para a necessidade de pensar para alem de tudo que faço. Penso também nos inúmeros emails e nos milhares de palavras neles inscritos que fora enviados graças a uma @. Tento quantificar. Encontrar uma possível analogia entre o que produzo profissionalmente e o que escrevo ao sabor das ideias sem um destino definido. Analiso racionalmente o contraditório da fria objectividade laboral vs o calor do devaneio do espírito em torno do meu sentir. Penso em todas as palavras debitada em duas reuniões. Em como monopolizei assertivamente os diálogos fazendo prevalecer as minhas ideias a custa apenas das palavras. Penso no paradoxo de ser um geólogo no reino das tecnologias da informação suavemente temperado com uma dose de filosofia e de racional loucura. Estranho a polivalência de tudo o que já fiz. Relembro o que gostava de ter feito. Constato como tenho tanto que ainda ambiciono fazer. Medito nas poucas horas que tenho disponíveis para pensar e aprender com um sentimento deprimente por sentir que me perco numa realidade fria de lógica racional quando tenho vontade de escrever apenas tudo e nada que pelo meu sentir passam ao longo das horas perdidas na floresta da profana realidade do trabalho.

Perdido

Acordei a estranhar quem sou. Questiono-me com surpresa inquisitiva que terá acontecido. Sinto vontade de escrever mas totalmente vazio de conteúdo qual mina exaurida que, após tudo lher ter sido tirado pela ganância humana, é abadonada ao destino inconsequente de não ter valor. Que terá acontecido? Culpo Morfeu pela cruel decisão. A coberto da dormência da minha alma cobardemente assassinou quem sou. Em meu sono tudo removeu de mim. Estou vazio. Tudo em mim se evaporou. Abandonado de ideias. Apenas a sensação de nada ter. Surge-me uma dúvida que me arrasa e pára todos os meus sentidos. Perdi-me. Perdi-me no interior de mim próprio. Vagueio pelo meu ser. Apenas observo paredes cruas, despidas de cor, sons e pensamentos. Ouço o eco distante dos meus passos no fundo de mi. Tremo com o receio de nada encontrar. Nada vejo. Caminho. Siguo em frente. Tento encontrar no minimo migalhas de tudo o que vivi e pensei durantes estes anos vividos. Imaculado está. Sem vestigios ou indicios de quem fui, sou ou serei. Nada. Sinto o peso da escuridão qual viagem através de um buraco negro onde a grvidade não permite sequer a saída da luz salvadora. Apenas tenho a companhia do nada que nada sou. Sinto o medo que mais me receava e constantemente esquecia. O medo de me perder de mim.

terça-feira, 14 de julho de 2009

(Re)Leio

Releio algumas das frases escritas quando senti que tinha de o fazer. Sinto-as presentes. Sinto-as como seres vivos palpáveis... Reais. Pejados de significam mas também meros espelhos do meu ser mais ou menos difusos à medida que vou escrevendo. Relembro tantas vezes esse espelho vi partir pela ponta dura do aparo da minha alma como se a consciência que de mim tenho fosse ofendida pela banalidade das palavras. Insisto em polvilhar tudo com a verdade que em mim habita. Cada pequena mancha de cor em forma letra que escrita ficou na eternidade finita deste blog ou do Caos da Vida mais não é que o prolongamento do meu sentir, uma testemunha material de um sentimento que salpicou a minha consciência com a marca de si própria na sua permanente e fugaz passagem. Um grito de liberdade que mudo apenas se faz sentir a sua força e sonoridade viva na tinta perdida. Releio. Sinto. Sinto como reescrevia um frase, não mudava uma virgúla uma palavra ou corrigia um erro pois ao fazê-lo estaria a negar o meu sentimento.

Limiar

Deparo-me com a mais temida fronteira que posso conhecer. O limiar ténue fortemente marcado entre os sonhos e os pesadelos. Tento visualizar com a curiosidade ávida de descoberta de criança tudo o que contém. Perda de tempo. Esse campo de sonhos contrários ao meu querer envoltos estão pela opacidade estanque dos meus maiores receios. Mas apesar da impossível sensorial capacidade onde esbarro sinto-os. Sinto-os... Com todos os outros sentidos mesmo sem cruzar a linha do descontentamento sinto a sua presença. Toco-os... Acompanho as suas grotescas formas com a ponta dos dedos da minha alma. Tento reconhece-los quais amigos de longa data que envelheceram separados mas sempre presentes na vida um do outro. Na superfície da sua material inexistência verifico como o tempo não os mudou. Permanecem eternamente imutáveis na forma e conteúdo... Em tudo. Ouço seu constante chamamento. Seu apelo pela aceitação que eternamente renego com veemência redobrada dia após dia. Como tento ensurdecer gritando o oposto de tudo o que me murmuram em seu gritante silêncio. Como se meus verdadeiros companheiros de vida fossem. Percepciono as fragrâncias que deles é exalada contidas nos dias passados com o sorriso triste de quem se esqueceu de como sorrir. Nego a verdade que me escondem exibindo-a por trás da minha cegueira. Enjeito a fatalidade. A fatalidade que me encontrarei junto deles pois todos por muito tenebrosos que sejam são também parte de mim.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cresci...

Gostava que o meu ser tivesse os alicerces acentes na genealidade. Conseguir observar o mundo como ele realmente é muito para lá da realidade a que somos programados devido ás barreiras do pensamento que nos são impostas. Desenhar o mundo com as minhas formas e pintá-lo com as minhas cores na tela da vida que nos escapa na eterna fluidez do quinto elemento o tempo. Mas enquanto pagão resignado apenas posso comtemplar a visão dos outros. Admiro Dali. A visão surrealista que conseguia imprimir a tudo o que pintava coloca-o acima do comum dos mortais. Foi o único a conseguir captar a fluidez do tempo... Dar um cunho de real a algo que nos oprime e cerca. Mas fez mais... Muito mais. Todas as imagens iconográficas do tempo mais ou menos brutais pecam por uma simelaridade desinspirada. A fuga a todos os conceitos possíveis e imaginários de quem vê com os olhos do sentimento. A mim resta-me pensar que quando era criança tinha na minha imaginação uma companheira que me ajudava a criar o que sentia que não existia. Desenhava. Perdi essa capacidade. Deixei de pintar ou decorar salas de aula com anjos negros de papel de feltro. Cresci. Resta-me tentar pintar com palavras o esquecimento de tudo o que tenho presente em mim.

Fragmentos

Caminho vagarosamente sentindo a solidão na calçada do pensamento. Emociono-me pelas portas com que me deparo onde por trás destas jazem os féretros de quem já fui. De tudo o que de mim fez quem sou ordenado esta numa perfeita desorganização. Apenas alguns pontuais momentos de mim escapam ao caos da vida das memórias. Preenchem cada segundo que conto no meu ser segundo a minha própria escala temporal como se da minha própria e única retina se tratassem. Estes mantenho em meu ser com uma organização que atinge o limiar do comportamento obsessivo. Fico perante eles complído a manter a forma com estão estruturados. Todos os demais ensacados estão. Mais ou menos importantes sem olhar a uma data ou a sua significância. Revejo como errado estou ao fazê-lo. Todos independentemente de risos, choros, alegrias, tristezas, lições quedas feridas todos importantes são. Todos mais que os viver eu os senti. Cada um deles carrega em si cada fragmento de mim.

Bipolar


Procuro fugir de encontro às palavras esquecidas que perfiladas na minha mente procuro não esquecer. Sinto-me sem ideias. Desprovido estou de contexto. Talvez a etílica sonolência que inadvertidamente imprimi no meu ser tenha afogado, na sua pagã capacidade terapêutica, a inspiração. Sinto-me deambular no caminho entre o divino e o profano pisando ambos os lados da barricada sem querer tomar o partido de qualquer uma das partes. Vejo como consigo coexistir nas contradições que se me deparam. Serei eu uma? Que serei eu?... Serei eu próprio e em simultâneo uma negação de mim? Tudo e nada na união do pensamento. Se por um lado a realidade afigura-se demasiado fria e atroz para que a deseje dou comigo a vive-la intensamente, a experienciá-la pois é no real que encontro o fio de prumo para todos os sonhos que em mim voam livremente, ao sabor do vento do sentido pensamento. Reconstruo a realidade que se mostra diante dos meus olhos. Reformulo-a. Aceito-a e renego-a compulsivamente. Positivo e negativo. O sim e o não... Tenho em mim a atracão pelos opostos. Busco a felicidade na tristeza. O riso no choro. Uma mentira verdadeira ou uma falsa verdade que coabitam o dia a dia. Vivo na realidade existo no sonho.

domingo, 12 de julho de 2009

Desnorte

In o Caos da Vida 12-11-2006

Ouço o troar distante da tempestade quebrando a paz da noite. Elevo a sua sonoridade a espectros sonoros de fantasmas perdidos num caminho imaginário sem Norte. Não tenho sono. Revolta-me esta melancólica insónia que teima em fazer arrastar vagarosamente o pulsar do coração de Chronos para lá do sustentável. Tento cansar o meu pensamento com palavras dispersas, soltas nesta folha, sem destino aparente. O presente desnorte pelo que me oriento vive na sabedoria de vivências passadas... ideias largadas algures no esquecimento que na noite voltam para fazerem sentir a sua presença. São estas as estrelas guia que fazem escorrer furiosamente a insípida tinta do meu ser exausto. Tento ocupar o pensamento. Imprimo um ritmo alucinante às ideias que me assolam. Vejo-as definhar na ponta da caneta que insiste em tudo escrever sem nada dizer. Impressionante é a caótica sonoridade que eu, qual escriba, desenvolto procurando avidamente um sentido, um rumo para este desnorte. A barbitúrica inspiração que tomei na esperança de domar o meu pensamento toma contornos de um sinistro e contrário efeito. Macabro. Sinto-me muito mais vigil que o normal sentindo uma dormência progressiva nos meus membros. Sinto-me inebriado. Milhares de milhões de ideias em simultâneo passam diante de mim demasiado rápido para que as possa anotar ou reter. Insisto para que Morfeu não demore a apagar a vela da minha lucidez, enviando-me novamente de regresso ao mundo onde o irreal é palpável, onde as cores os sons e os sabores tomam uma beleza dantesca, fundindo-se num objecto único, onde a verdade por trás desta real irrealidade mostra a sua face.

O Caos da Vida




O verdadeiro Caos da Vida não é um blog. São páginas vivas de emoções condensadas onde tenho presente uma imagem iconográfica de mim. Os dois mundos em que vivo alternados que colidem abruptamente no espaço físico que ocupo. Sonhos e a realidade fundem-se no negro da tinta que criando a Verdade.

O Oásis...


Não consigo deixar de observar os casais, que na sua indiferença mutua respeitam a paz negociada que mutuamente auto proclamaram. Vivem isolados cada um em equilíbrio no oásis que construíram para si sem nunca se aventurarem no deserto do sentir que os rodeia. Por medo penso. O silêncio do deserto do nosso ser, quando evitamos sentir por receio da desilusão que nos possa ser infligida, é terrificamente ensurdecedor. Todos os nossos gritos de revolta das mágoas desilusões ou erros cometidos nesse silêncio ecoam mais fortes que qualquer outro som que alguma vez possa ser escutado. O receio castrante do que possamos sentir leva-nos a quase tudo. Tentamos fugir de nós. Calamos o pensamento por sabermos antecipadamente que tudo o que mais tememos a mais pura das formas de sofrer virá a tona do nosso ser. Riem assim as pessoas no seu mundo de lógica sintética e racionalmente edificado, imune ao sentir, inertes vidas quotidianas preprogramadas em que cada decisão tomada esta com a devida antecedência imune a emoção. Até quando? Até quando podem essas pessoas aguentar o conforto da sua mentira? Até ao dia em que olham para trás e vêem que mais que perderem uma vida perderam-se a si próprias por fugirem de seu sentir do seu ser constatando que terminaram invariavelmente numa fuga para uma solidão de equilíbrio inóspito, felizes esquecidos que eram infelizes.

Felicidade...





Fumo mais um cigarro que se funde no horizonde longínquo onde gostava de estar, fugindo de mim. Contemplo na cicatriz da serra um reflexo da minha, qual espelho que insiste em revelar a realidade que tento não ver. Impotente me sinto por não conseguir encontrar a felicidade em coisas tão simples como o cantar de um pássaro ocasional. Relembro tempos idos em que sentado num pátio observava feliz andorinhas a esvoaçar baixo no voo alegremente errático de quem algo procura, no privilégio de ter um céu infinito de emoções para explorar. Vejo... Dou comigo a invejar beijos não sentidos trocados ao sabor de promessas vãs e dissimuladas. Pelo menos alguém que ama tem algo que por muito falso que seja é palpável... real... Não um sonho. Não. Não posso invejar o que não quero. Não consigo prometer o que não sinto ou dar o que não posso. Procuro dentro de mim as razões que me fogem. Polarizado fui com o mesmo magnetismo da felicidade. Sempre que dela me aproximo afasta-se. Repelida por meu marcado destino a que continuamente tento quebrar a ligação. Reconhece meu sentir. Não se esconde. Mostra-se sempre demasiado perto, ao alcance da minha mão mas constantemente distante o suficiente para nunca a alcançar, obrigando-me a perpetuamente segui-la. Pensei já em ficar quieto. Não pensar... Não sentir... Tentar nem que por uma vez que seja que a felicidade a mim venha ter. Mas... como odeio a omnipresença do mas... O dialogo que mantenho com o meu sentir obriga-me a levantar e continuar... Até onde? Até ao fim de quem sou.

sábado, 11 de julho de 2009

Aqui..

Apenas aqui a teu lado sinto alguma calma no conturbado espírito que faz de mim quem sou. Sinto na tua materna sabedoria que me dizes para ter calma. Pedes-me para sorrir no sussurro do vento que por mim passa despreocupado. Consigo... Consigo aqui seguir teus conselhos sem oposição. Como continuas a conseguir parar a ansiedade que pula descontrolada nas minhas veias. Estranho como antes desprezava este lugar pelo que te fizeram. Agora dou por mim a sentir-me em casa no meio da solidão do último descanso de tantas vidas perdidas. Penso... Penso nas quantas lágrimas que teriam sido vertidas. Quantos sorrisos quantos risos ecoaram em todos os que aqui estão. Pergunto-te que será de mim. Continuo a confessar todos os meus receios. Voltas a murmurar a calma que sempre me deste. Sinto que o vento agora me toma em seus braços. Embalas-me como o fazias quando me doía algo ou chorava porque na minha infantil inconsciência do que era realmente a vida, ficava triste porque assim tinha de ser. dou por mim a sentir saudades do tempo de criança em que a lágrima fácil perante o que não gostava me acalmava. Cresci. Continuo a pensar no conforto do teu colo que me davas sem pedir. Como lias nos meus olhos todas as verdades. Como mudei tanto e a teu lado, no silêncio cúmplice de quem me conhece verdadeiramente continuo igual ao que era quando pequeno corria para teus braços.

Mar



Vim à praia. Escuto saudoso no murmúrio do mar todas as tuas palavras que perdidas em teu mudo peito gostava que fossem minhas. Obrigado sou a partilha-lo com todos os que me rodeiam, que em seus risos inconscientes e dissimulados, surdos são à pureza do seu canto. Penso nostálgico no inverno onde podia ter só para mim seu encanto sem ver como é desprovido de seu sentir e desonrada toda a sua graça.
Questiono meu egoísmo. Mas no invernoso frio, pontilhado por chuva purificante, na solidão da nossa partilha ouvi todas as suas sabias palavras. Ouvi-te. Ouvi tudo que de ti sonhava ouvir.

voo



Sinto-me como um pássaro a quem foram cortadas as penas guia. Impedido fico assim de abri-las no céu dos sonhos que me preenchem a cada passo não dado a cada instante que sinto inacabado. Quebrada a possibilidade de voar onde o ser ganha sua verdadeira dimensão arrasto-me num chão duro por mim demasiadas vezes pisado. Revejo. Rememoriso. Revivo todos os desencontros de tempos idos como uma cicatriz que escondida, permanece visível no fundo do meu espírito, pulsando com intensidade renovada. Tento em vão pular para alcançar a sustentação necessária a manter-me acima da realidade insípida que piso. Tombo. Despenho-me numa queda incontrolável rumo ao chão da vida. Ergo-me. Ergo os olhos para onde outrora existi com a saudade sequiosa em ver o teu carro parado onde sempre o deixavas ou como olho fixamente para a porta de onde tantas vezes te vi sair apenas para dar um suspiro resignado na minha consciente inconsciência como quem erráticamente procura uma chave que em tempos teve ao alcance da mão. Suspirar a saudade me sobeja onde todo resto que agora eclipsado pernanece presente e vivo em mim.
Cerro os olhos pesados de mais um dia cuja luz tantos lhe gabam não mostrou. Escuridão ensolarada penso para ponta dos meus dedos. Diem perdidi sinto. Mais um dia que passo absorto no trabalho. Menos mal ao ver que assim passa mais rapidamente. Tento evitar adormecer. Oiço a orquestra das minhas emoções a tocar algo numa tentativa de colmatar tua ausência. Sinfonia aberrante onde cada instrumento que me compõe insiste em tocar por si isolados dos restantes. Sinto o caos em cada nota que ressoa nas paredes da minha alma . Fraco maestro penso.
Assim fico quieto e mudo ouvindo a musica de quem sou. Perdido. Rendido a uma evidencia atroz. Que por vezes apenas consigo sonhar em ambicionar sonhar.

In Luna Veritas




Perdido está o brilho da lua cheia no seu constante e imutável caminho. Sua misericordiosa face surge plena de forca pujante como que alimentada pelos sonhos de todos os que ousam sentir acima do pensar. Breve momento de iluminado existir. Volátil estado. Desvanece-se do céu de negro luto carregado lentamente em sintonia harmoniosa com os sonhos que se evaporaram ao sabor sol da vida, qual ser vivente sentisse o pesar da melancolia que habita na arena da humana vivência. Vergonha sente por não lhe ter sido honrado o sentido de ser do brilho que nos ilumina. Apaga-se. Sangra a sua luz em lágrimas demasiado puras para serem vistas pelos olhos turvos de quem persiste numa errática existência de sonhos isenta. Esvaída esconde-se aguardando que os guardadores da maior sacralidade que vida pode sentir voltem a poder sonhar com os sentimentos perdidos, exibindo novamente seu sorriso pleno de esperança sabendo, que tragicamente será novamente obliterada pelo desencontro que impotente em acção embala no firme e etéreo desejo que o sonho triunfe sobre a desilusão.

Nasce o dia. A lua guardadora de tantas verdades desaparece do céu que de luto passa ao dissimulado azul vida. Permanece invisível tentando em vão esforço mostrar sua aura pois consciente vive que na sua ausência mil sentimentos tombaram nas lágrimas secas de alguém que perdeu seu encantamento. Aguarda impaciente o regresso da penumbra para poder abraçar todos que prostrados se mantêm exaustos de tanto sentir.

Peço. Suplico como tantas outras noites sem conta não dormidas, em que afastado da sonolenta fuga ao mundo que me persegue, colando a mim o infortúnio, que a minha lua se torne tua confidente também, que vele por ti guardando teus sonhos nos meus. Que o seu brilho te ilumine quando o sol, astro rei insensível surja no horizonte da vida insistindo em queimar o nosso ser com as duvidas de uma luz plebeia repleta de desilusões e verdades incongruente.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Minha Lua




Atravesso a ponte contemplando com saudades a distante lua, companheira de tantas noites perdidas na consciência dormente de tudo o que não pretendo esquecer. Iluminado o rio com seu reflexo revela a calma pagã de todos os sonhos acordados nas palavras que apenas escrevemos sem nunca conseguirmos ouvir. Envolve-me em seu regaço. Acaricia-me a fronte cansada de mais um dia perdido no ritmo frenético de quem não pretende esquecer as emoções que neste mundo invisível tornam-se profanas. Sinto a frescura da brisa que na ternura da sua passagem alivia-me o martelar constante da caótica cacofonia que detestavelmente sou obrigado a vivenciar preso nas quatro paredes de um open space partilhado por centenas de rostos sem identidade. Embala-me a noite elevando meu pensamento ao voo mágico do desfilar de ideias. Revejo. Revejo-te. Revejo-nos. Naquele fim de noite abraçados. Distantes do mundo que insiste em não parar o seu movimento perpetuo mas que, no nosso abraço, imóvel ficou enternecido pela sinceridade que julgava perdida e erradicada do humano sentir iluminados pela lua que fazia sentir a sua presença em cada silêncio trocado. Assim ficámos. Minutos que pareceram anos. Demasiado rápido. Tremendamente curto para quem sente que viveu uma eternidade na vergonha de não poder dizer todas as pequenas palavras que tudo são. Quem apenas na companhia do seu sentir confessava no espelho branco do papel manchado pela tinta das emoções tudo o que calava sentindo. Com o olhar de quem vê um sonho distante chegar absorver o reflexo das palavras que em surdina tantas vezes te disse dentro de mim. Sorrio. Sorrio ao pensar no teu olhar de quem tinha encontrado a ponta a meada da vida que a tanto tempo insistia ora em esconder-se ora fugir, serpenteando entre as desilusões que o nossos sonhos destroem. Apartámo-nos. Sem antes me dizeres se queria ir a outro lado. Se queria? Meu deus como queria. Como queria precorrer o mundo através do olhar do teu ser. Mas ao ver o teu olhar já cansado de um dia que tarde se fazia apenas pude me derreter emocionado e dizer no meu egoísmo abnegado para irmos para casa. Como? Como pude? Tive a hipótese de te ter em meus braços mais tempo, prepetuando a eternidade, nem que por mais um inquantificavel instante, tudo o que me escapou durante anos escorregando no universo das minhas cobardes decisões. Mas no instante do julgamento em ti pensei. Não apenas por que te amar mas porque o amar só faz sentido quando vivemos como um rio que transporta omnisciente na sua vontade o bem do outro. Poderemos não ter uma vida mas aqueles minutos serão para sempre nossos refletidos no brilho eterno da lua.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Yanus


Questiono-me. Questiono a minha honestidade. Como posso usar de uma critica corrosiva para com quem chamo de Impuri pelo mero lema da falsidade que elevam a verdade nas suas vidas? Não serei eu um Impuri também?

Afirmo as minhas qualidades descrevendo cada sensação que vou sentindo ou cada ideia ou pensamento que atravessa o meu espírito. Serei assim tão honesto? Quando afirmo publicamente que faço uso de uma mascara perante todos os que me rodeiam. Publicamente? Publicamente no cobarde anonimato de um universo virtual e paralelo. Como? Como posso conviver com tal paradoxo?

Inalo o fumo sapiente de mais um cigarro. Vejo como o fumo que exala liberta ideias e/ou considerações mais ou menos ilógicas. O racional e incandescente morrão tenta reflectir tecendo todas as combinações possíveis para o dilema que me ocorre. Vejo as dificuldades com que se depara por tantas hipóteses possíveis algumas plausíveis outras tantas imagináveis que roçando o limiar do irreal colidem.


Deverei retirar a mascara expondo meu ser? Será correcto? Merecerá a pena? E depois? Que fazer? Quem ser? Se quem escondo sou eu e quem mostro em parte também? As duas fracções de mim próprio. Complementam-se. Quem o merece tem o melhor de mim. Quem o merece tem o pior. Sou Yanus! O deus das duas faces. Exibo a que se adqua a ocasião. Questiono-me se largar uma a outra face também não partira? Qual o resultado? Quem serei? Continuarei a sentir como sinto. Perder-me-ei num novo labirinto de palavras?


Como gostava que Descartes não estivesse errado. Cogitum ergo sum! Assim deveria ser eu. Ser racional cujo pensamento se centralizasse todas suas questões em binário facilitismo. Sim ou Não! Verdadeiro ou Falso! Sem que a coexistência de ambas no indefinido e hipotético talvez. Apenas e só linguagem binária simples. Sem qualquer forma de perturbação do ecrã azul do sentir. Sinto-me em ecrã azul. Em que corre constantemente um diskchek a fazer analise de erros o falhas de sistema. Parece que cada ficheiro .sys apresenta-se corrompido ou está ausente. Ilógico.


Na minha busca por uma correspondente calma unívoca tudo se me apresenta como um talvez, que se reparte numa nova multiplicidade desconcertante a cada escolha que se multiplica assim ate ao indefinido. Mas a culpa e minha. Apenas minha. Há 12 anos atrás dei-me a escolher entre viver num mundo só meu sem sentir. Larguei o equilíbrio pacifico de um espaço em que dominava a lógica fria de zero graus kelvin. O volume ocupado por algo que fugisse a isso era 0. Mas prescindi do equilibrio em favor do turbilhão do sentir. Arrisquei. Perdi. Sofri .Na vida tudo devemos tentar para conseguir a felicidade. Devemos. Temos! Temos a obrigação para com nós próprios de sentir nem que seja uma alegria por um instante que dure um infinitésimo de segundo ou uma tristeza depressiva arrasadora que se arraste por milénios intermináveis de tudo o que nos rodeia pois apenas no sentir podemos dizer que estamos vivos.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tanto...




Pergunto-me porque escrevo. Será apenas pelo teu silêncio que me preenche e agora compreendo? Não. Acalmo o frenesim das emoções que transbordam todo o meu ser. Descarrego em tinta tudo que me passa na alma sem receio que me interpretes mal. Ou stresses por pensares que estou a pressionar. Confio. Confio-te meu ser nu desprovido da armadura que o oprime. Essa é a maior prova de confiança que te posso dar. Nada é mais sincero que o mostra-mos nós próprios assim sós e desprovidos de orgulho ou castrados pelo travão da racional razão. Todas aquelas pequenas e mais simples coisas que tudo são e muitas vezes nada aparentam ser. Descarrego na fluidez caótica da tinta, num furacão de classe dez pois as cinco existentes pouco medem milhões de ideias soltas. Descarrego não raiva. Somente emoções. Debito palavras a um ritmo incapaz de acompanhar tudo que me preenche, num fluxo incontrolável de emoções marcadas por mais de três anos de contenção vergonhosamente sofrida. A minha ansiedade em estar contigo é empolada por sentir que tanto tenho para te dizer. tantas histórias tantos momentos tanto... Tanto que me parece quase nada, pois no nada também tudo se diz e se sente quando somos verdadeiramente livres de o fazer. Toco cada uma das palavras que sentidas ganham novo sentido e renovada emotividade no papel do verdadeiro caos da vida.
Consigo encontrar pontualmente alguma paz interior. Falho. Novo surto de ideias invade-me com uma doçura bárbara. Continuo a escrever. Tento estruturar as minhas emoções... Que te contar... As minhas travessuras de criança... Ou como odiava tirar fotografias... Ou quando fiz sete ou oito anos ao sair da escola vi ao longe a minha mãe e corri para ela. Corri como se todos os males do mundo me perseguissem. Como se todas as verdades da vida estivessem ao meu alcance. De como na minha inocente ignorância de criança me senti mais rápido que o vento. Consegui. Consegui chegar ao pé dela antes do meio dia e meia do dia 21 de Março. Ou Como desejo acordar para te ver a dormir. Ou trocar o primeiro beijo ainda meio desperto entre a realidade e o sonho. Abraçar-te. Partilhar contigo o silêncio ruidoso de uma noite de tempestade na escuridão do nosso ser. Sentir o universo em uníssono em cada batida do teu coração. Como estes nadas mexem comigo. Como cada um deles deixou e deixa a sua marca indelével no ser que sou e perpetuar-se-ão enquanto o quimismo das minhas conexões neuronais insistir em funcionar para ter a sagrada Honra de contemplar o teu sorriso no meu. Posso não saber nada com certeza absoluta mas tu fazes-me sonhar.

Humanismo...

Somos nós humanos? Seremos? Alguma vez fomos? Que se passa com a nossa sociedade? Quando olhamos para as pessoas no seu dia a dia que podemos observar. Cegos na sua sofrível e insípida forma de sentir a verdadeira razão do viver. Mudos no conforto da sua realidade esterilizada do sincero sentir. Surdos numa mentira auto imposta e castrante nas quatro paredes do mundo irreal que construíram esquecidos da emoção.

O vídeo é triste e forte e paradoxalmente tão marcante e lindo preenchido por uma mensagem tão fortemente humana que é superior a tudo o que já presenciei na minha vida. Posso apenas dizer se os animais são seres irracionais que seremos nós?

http://www.youtube.com/watch?v=DgjyhKN_35g


PS: Normalmente falo de mim ou do que sinto e penso. Este pequeno filme apenas vem dar razão ao meu descontentamento. Não sou um extremista ambiental. Não penso ser plausível a espécie (in)humana parar a sua caminhada. Mas enquanto ser consciente posso perguntar, nem que seja a mim próprio, para onde iremos . Cada um de nós faz parte de um todo. Não acredito na imortalidade da alma nem na reencarnação. A imortalidade, a vida eterna é atingida pela lembrança que perdura de quem nós fomos em quem nos é querido. A reencarnação pode ser atingida se com fria racionalidade elevarmos o conceito ao extremo que todos somos quimicamente imortais. Cada um dos átomos e moléculas que nos constituem poderá ser reincorporado em algo... uma pedra, uma árvore, um cão... Uma outra pessoa. A verdadeira condição humana não vem descrita em livros. Não pode ser autopsiada. Tão pouco química e matematicamente quantificada. Somos apenas e tão só animais que um dia ousaram pensar e sentir.

Na mais pura e simples verdade quanto mais nos afastamos e esquecemos da animal existência que nos compõe, rodeia e abraça com o desprendimento cego de quem se julga superior mais nos afastamos da nossa humanidade.

Labirinto




Vagueio no labirinto das frases que deixei perdidas no meu ser. Não procuro a saída. Envolvo-me. Tento perder-me com vontade redobrada em cada sensação (d)escrita. Contemplo cada palavra cada letra. Isolo-as. Uno-as. Tento analisar com emotiva racionalidade a sua razão de ser. Cada traço de dor desenhado, cada forma, cada erro, cada acento cada risco cada... Cada emoção assim destilada. Sinto o seu sabor amargo invadir-me. O seu odor etereo a inebriar-me . Deleito-me demoradamente na sua simples complexiade tentado captar cada uma das ínfimas e elementares particulas do sentir que cada uma contém escondida e muda na sombra de quem sou. Sem pensar o que significam... Busco... Busco apenas... A vontade renovada de sonhar em ambicionar o impossível. Revejo-me. Percorro-me. Destruo-me para me reconstruir. Refaço-me. Nada mudando em mim. Sem nunca as rescrever ou as emendar. Estão vivas... São vida. Escuto pontualmente numa ou noutra o murmúrio do mar que me acalma o espírito. O frio do vento de inverno. O cheiro da terra seca após uma chuva de verão. Um riso de criança que esquecido parou no tempo. As cores de Outono. O eco de um trovão distante. O silêncio do deserto. O sabor dos teus lábios. Persisto em sonhar... Insisto em sentir. Vejo a transparente dor do meu ser na forma como cada letra que escrevo nas entrelinhas imaginárias queima o papel onde imutávelmente me confesso. Não apago sua chama. Atiço o seu calor com a intensidade do fogo que habita ardente em meu peito. Marcada fica assim para sempre a minha alma pela indelével incandescência que cada uma emana. A sua magia liberta-se ininterruptamente numa felicidade agonizante. Iluminam-me... Apagam-me... Matam-me ... Fazem-me renascer... Reviver... Resentir-me... Esconder-me. Escondo. Escondo com uma gargalhada inútil não sentida meu sentir. Ou com o meu já afamado exigente e constante mau génio e completa frieza. Todos me julgam indiferente e insensível. Domino em publico todas as minhas emoções. Não por vergonha ou receio mas por achar que os impuri não são dignos de as verem. Heresia é partilhar algo puro com aqueles que vivem no seu medíocre egocentrismo. Perdidos numa dimensão paralela preenchido pela medida espaço-temporal da inexistente inexistência. Abraçados a uma dissimulada sombra de si felizes esquecidos de si próprios. Sorrio. Somente consigo sorrir ao mundo com um sorriso que não é meu. Um sorriso que vive numa mascara onde por trás desta apenas eu consigo ver o que vive dentro de mim. Apenas eu me sinto. Apenas eu vivo no meu labirinto.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Negro Sangue




Inalo o cheiro a mar que ainda subsiste nos meus dedos. Observo o reflexo da minha face no ecrã, solto em pensamentos melancólicos. Sinto-me serpentear entre sonhos e promessas. Tento fugir em vão à tua presença distante. Pergunto-me... O ques será sentir? Ser? Amar? Dizer livremente o que sinto? Estarei errado? Penso nos milhares de palavras com que salpiquei incontáveis folhas de papel com o que por ti sinto. Quantas mais rasgadas acabaram como se tentasse apartar de mim este sentimento a uma desilusão que espero não condenado. Tentei em vão remover cirurgicamante com a ponta do aparo da minha caneta de forma desprendida mas com total entrega nas imagináveis linhas da prosa do meu pensamento. Apenas sangrei de negro tingido. Por muitos rios de negro sangue que lançasse não consegui esvair de mim o sentimento. Lágrimas desenhadas a que chamamos escrita desprendidas foram a pensar em cada momento que à distancia te contemplava, à distancia cativo de um amor por ti sinto e vivo. Tento pintar o vento com as cores do meu sentir na vã esperança que sintas o seu aroma a aconchegar-te . Agora não sei. Que ei-de fazer? Uma ponta do véu do meu ser que se esconde mostrei. Admirada ficas-te. Surpreendida... Mas... Pergunto-me numa afirmativa incerteza. Como te sentes ao saber o segredo que a anos escondo por trás de um ar que aparenta a rudeza e frieza. Posso dizer que mais surpreendido fico ao ter aberto o flanco da minha couraça. Como? Como é possível... Após um vendaval de mentiras e omissões, sinta a confiança em alguém para mostrar o que mais furiosamente deixo guardado pelas sete chaves de quem não sou. Deves ser... Não! És muito especial. Única. Eu? Eu vou vivendo neste meu (nosso?) sonho tingido de negro sentido numa folha de papel que alva desejo que amareleça em tuas mãos.