Negro Sangue

Inalo o cheiro a mar que ainda subsiste nos meus dedos. Observo o reflexo da minha face no ecrã, solto em pensamentos melancólicos. Sinto-me serpentear entre sonhos e promessas. Tento fugir em vão à tua presença distante. Pergunto-me... O ques será sentir? Ser? Amar? Dizer livremente o que sinto? Estarei errado? Penso nos milhares de palavras com que salpiquei incontáveis folhas de papel com o que por ti sinto. Quantas mais rasgadas acabaram como se tentasse apartar de mim este sentimento a uma desilusão que espero não condenado. Tentei em vão remover cirurgicamante com a ponta do aparo da minha caneta de forma desprendida mas com total entrega nas imagináveis linhas da prosa do meu pensamento. Apenas sangrei de negro tingido. Por muitos rios de negro sangue que lançasse não consegui esvair de mim o sentimento. Lágrimas desenhadas a que chamamos escrita desprendidas foram a pensar em cada momento que à distancia te contemplava, à distancia cativo de um amor por ti sinto e vivo. Tento pintar o vento com as cores do meu sentir na vã esperança que sintas o seu aroma a aconchegar-te . Agora não sei. Que ei-de fazer? Uma ponta do véu do meu ser que se esconde mostrei. Admirada ficas-te. Surpreendida... Mas... Pergunto-me numa afirmativa incerteza. Como te sentes ao saber o segredo que a anos escondo por trás de um ar que aparenta a rudeza e frieza. Posso dizer que mais surpreendido fico ao ter aberto o flanco da minha couraça. Como? Como é possível... Após um vendaval de mentiras e omissões, sinta a confiança em alguém para mostrar o que mais furiosamente deixo guardado pelas sete chaves de quem não sou. Deves ser... Não! És muito especial. Única. Eu? Eu vou vivendo neste meu (nosso?) sonho tingido de negro sentido numa folha de papel que alva desejo que amareleça em tuas mãos.


1 Comments:
"Como é possível... Após um vendaval de mentiras e omissões, sinta a confiança em alguém para mostrar o que mais furiosamente deixo guardado pelas sete chaves de quem não sou."
os seus textos comovem-me, e ao escrever isto, faço-o com lágrimas a percorrerem-me o rosto, e voltarei com a certeza que irei ler mais um belo e terno texto seu...
Parabéns pelos textos que escreve, e pela pessoa que demonstra ser.
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