domingo, 3 de maio de 2009

Magna est Veritas!



Vivo com uma máscara. Escondo-me por traz de um sorriso de uma insegura segurança. Confio desconfiado nas pessoas e nas verbalizações que as suas bocas emitem. Verdade ou Mentira? Sinto-me um detector de mentiras que, em permanente alerta analisa palavra a palavra as frases, sentido o pulsar da mentira. Dou corda. Faço de conta acreditar. O olhar sincero com que são ditos os pensamentos e ideias revolta-me… Fascina-me… Fascina-me até que ponto estão as pessoas dispostas a ira para mostrar a sua falsa sinceridade. Enoja-me… Encanta-me… Encanta-me ver o carácter mesquinho das pessoas a vir à tona do oceano da sua mediocridade colectiva, pensando que estão a mostrar o seu lado mais puro e sincero. Mordo em silêncio o meu riso. Ahhh… Se ao menos soubessem como é transparente a mentira.

Talvez seja mea culpa. Sem duvida. As pessoas não têm culpa que eu tenha uma memória fotográfica. Consiga lembrar-me de pormenores mais insignificantes e irrelevantes que, aparentemente, para o comum dos impuri são esquecidos. Mas… esquecidos estão os inomináveis que são os pormenores que os traem… Que são esses pequenos nadas que fazem incidir a luz expondo o seu ser.

As pessoas não têm culpa... Todos nascemos puros e verdadeiros. Aprendemos a mentir na infância. Aquelas pequenas e inocentes mentiras que escapam dos nossos lábios. Que nos salvam. A sociedade e os nossos pares fazem o resto corrompem invadem barbaramente o nosso ser manchando-o com a indelével marca da falsidade. Esquecidas estão as pessoas que ao mentirem não mentem aos outros “apenas”. Mentem a si próprias.

Decidi. Pensei. Interiorizei a minha vida em breves horas de frenético pensamento. Vou reescrever-me. Vou encontrar um equilíbrio entre eu mesmo e a minha mascara. Se um já não sou, o outro também não. A minha instabilidade daí advém. O não me identificar comigo mesmo. Este equilíbrio por ténue que seja tem de triunfar. Sairei das trevas da inexistência mais forte e decido que a mascara que uso mas com um coração que me permitirá confiar novamente nas palavras das pessoas quando são sentidas.