(Des)Inspiração
Continuo sem inspiração. As palavras surgem escritas ao sabor da aragem fria da fuga ardente de um estado de exaustão. Relembro o inverno. Como odeio o inverno e o frio que o identifica. No entanto hoje por uma razão que desconheço apraz-me a ideia do frio invadir o espaço físico por mim ocupado. O letargico cantar de uma lareira ao sabor de um vendaval exterior. Estou pensativo sem pensar. Contradigo-me constantemente. As horas arrastam-se para lá do imaginário. Ocupo o meu tempo com mil e uma coisas pendentes que não quero fazer e não tenho responsabilidade sobre elas. Procuro encontrar ocupação. Algo que me estimule a medíocre inexistência em que existo. Tudo... Nada... Algo... O Sol... O Pôr do sol... O anoitecer... A Lua... Uma imagem... Uma aragem... Estou num deserto sem o fio da vida aquosa que me prende a algo que não sei o que é nem consigo encontrar. Não sei para onde fui... desconheço para onde vou! Mas sinto uma necessidade urgente de partir. Norte, Sul ou Este... Qualquer lugar me serve desde que algo encontre que me reencontre, me faca sentir que regressei a mim.


2 Comments:
Não me parece nada desinspirado...
é admiravel a forma como consegue transpor para palavras os seus sentimentos (ou a sua ausência).. e os torna tão reais, tão vivos.. tocáveis!
sinto que falta um fio condutor... desde hoje de manhã que apenas consigo pensar na falta de pensamento. Contraditório pensamento bem sei.
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