Desnorte
In o Caos da Vida 12-11-2006
Ouço o troar distante da tempestade quebrando a paz da noite. Elevo a sua sonoridade a espectros sonoros de fantasmas perdidos num caminho imaginário sem Norte. Não tenho sono. Revolta-me esta melancólica insónia que teima em fazer arrastar vagarosamente o pulsar do coração de Chronos para lá do sustentável. Tento cansar o meu pensamento com palavras dispersas, soltas nesta folha, sem destino aparente. O presente desnorte pelo que me oriento vive na sabedoria de vivências passadas... ideias largadas algures no esquecimento que na noite voltam para fazerem sentir a sua presença. São estas as estrelas guia que fazem escorrer furiosamente a insípida tinta do meu ser exausto. Tento ocupar o pensamento. Imprimo um ritmo alucinante às ideias que me assolam. Vejo-as definhar na ponta da caneta que insiste em tudo escrever sem nada dizer. Impressionante é a caótica sonoridade que eu, qual escriba, desenvolto procurando avidamente um sentido, um rumo para este desnorte. A barbitúrica inspiração que tomei na esperança de domar o meu pensamento toma contornos de um sinistro e contrário efeito. Macabro. Sinto-me muito mais vigil que o normal sentindo uma dormência progressiva nos meus membros. Sinto-me inebriado. Milhares de milhões de ideias em simultâneo passam diante de mim demasiado rápido para que as possa anotar ou reter. Insisto para que Morfeu não demore a apagar a vela da minha lucidez, enviando-me novamente de regresso ao mundo onde o irreal é palpável, onde as cores os sons e os sabores tomam uma beleza dantesca, fundindo-se num objecto único, onde a verdade por trás desta real irrealidade mostra a sua face.


6 Comments:
bonito*
obrigado... por todas as suas palavras sábias e inspiradoras, por todo o seu sentir, por todo o seu "eu" que expõe e oculta.
Tentarei colocar as palavras passadas que tenho presentes. Infelizmente o tempo que disponho nem sempre o permite. Gostava ter tempo... ter mais tempo para pensar e escrever... Mas... Chronos não para a sua marcha por minguém.
Quem dera que Chronos parasse quando assim o desejassemos...o tempo é limitado e gastamos grande parte dele numa rotina que muitas vezes não nos realiza,tempo que poderia ser útil com algo que nos completasse mais... como pensar e escrever.
Obrigado.
Sem dúvida. eu tento aproveitar o tempo. Escrevo no autocarro... A caminho do trabalho... A caminho de casa... na praia... no café. sempre sinto algo... por vezes até no trabalho. Escrevo e envio para o meu email pessoal.
tenho que aprender a gerir melhor o meu tempo também.
o miguel é um priviligiado, foi premiado com essa bela capacidade de sentir: rara, única... exclusiva sua.
Obrigado pelos seus gentis comentários, pelo seu incentivo em fazer-me escrever...
Obrigado*
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