domingo, 12 de julho de 2009

Felicidade...





Fumo mais um cigarro que se funde no horizonde longínquo onde gostava de estar, fugindo de mim. Contemplo na cicatriz da serra um reflexo da minha, qual espelho que insiste em revelar a realidade que tento não ver. Impotente me sinto por não conseguir encontrar a felicidade em coisas tão simples como o cantar de um pássaro ocasional. Relembro tempos idos em que sentado num pátio observava feliz andorinhas a esvoaçar baixo no voo alegremente errático de quem algo procura, no privilégio de ter um céu infinito de emoções para explorar. Vejo... Dou comigo a invejar beijos não sentidos trocados ao sabor de promessas vãs e dissimuladas. Pelo menos alguém que ama tem algo que por muito falso que seja é palpável... real... Não um sonho. Não. Não posso invejar o que não quero. Não consigo prometer o que não sinto ou dar o que não posso. Procuro dentro de mim as razões que me fogem. Polarizado fui com o mesmo magnetismo da felicidade. Sempre que dela me aproximo afasta-se. Repelida por meu marcado destino a que continuamente tento quebrar a ligação. Reconhece meu sentir. Não se esconde. Mostra-se sempre demasiado perto, ao alcance da minha mão mas constantemente distante o suficiente para nunca a alcançar, obrigando-me a perpetuamente segui-la. Pensei já em ficar quieto. Não pensar... Não sentir... Tentar nem que por uma vez que seja que a felicidade a mim venha ter. Mas... como odeio a omnipresença do mas... O dialogo que mantenho com o meu sentir obriga-me a levantar e continuar... Até onde? Até ao fim de quem sou.

4 Comments:

Blogger Maria, Às vezes! said...

Incrivelmente emocionante... tal como disse de Fernando Pessoa,o Miguel não escreve, sente. E expõe os seus sentimentos com tanta veracidade que os leitores terminam cada texto seu com a frequência cardíaca aumentada... tudo é tão real, tão sentido nas suas palavras.

1:29 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

Gisela devia fazer o mesmo. Escrever por escrever. Com desprendimento e despreocupação. De si para si. Sem qualquer forma de travão e despida de tudo o que possa impedir de largar o que sente. Na nudez do nosso ser conseguimos encontrar, nem que por um breve instante que seja a paz interior que ambicionamos. Publicar? Se está bem escrito? Se é bom ou mau? Que importa? O Mestre escreveu um dia "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"!

1:41 p.m.  
Blogger Maria, Às vezes! said...

Talvez a minha alma seja bem pequena...

2:14 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

Pequena... Grande... A dimensão mais não é que uma quantificação matemática de algo... O sentir não pode nem deve ser quantificado. No sentir sincero reside a verdadeira grandeza. Dentro de cada um de nós existe um mundo!

2:20 p.m.  

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