quarta-feira, 8 de julho de 2009

Labirinto




Vagueio no labirinto das frases que deixei perdidas no meu ser. Não procuro a saída. Envolvo-me. Tento perder-me com vontade redobrada em cada sensação (d)escrita. Contemplo cada palavra cada letra. Isolo-as. Uno-as. Tento analisar com emotiva racionalidade a sua razão de ser. Cada traço de dor desenhado, cada forma, cada erro, cada acento cada risco cada... Cada emoção assim destilada. Sinto o seu sabor amargo invadir-me. O seu odor etereo a inebriar-me . Deleito-me demoradamente na sua simples complexiade tentado captar cada uma das ínfimas e elementares particulas do sentir que cada uma contém escondida e muda na sombra de quem sou. Sem pensar o que significam... Busco... Busco apenas... A vontade renovada de sonhar em ambicionar o impossível. Revejo-me. Percorro-me. Destruo-me para me reconstruir. Refaço-me. Nada mudando em mim. Sem nunca as rescrever ou as emendar. Estão vivas... São vida. Escuto pontualmente numa ou noutra o murmúrio do mar que me acalma o espírito. O frio do vento de inverno. O cheiro da terra seca após uma chuva de verão. Um riso de criança que esquecido parou no tempo. As cores de Outono. O eco de um trovão distante. O silêncio do deserto. O sabor dos teus lábios. Persisto em sonhar... Insisto em sentir. Vejo a transparente dor do meu ser na forma como cada letra que escrevo nas entrelinhas imaginárias queima o papel onde imutávelmente me confesso. Não apago sua chama. Atiço o seu calor com a intensidade do fogo que habita ardente em meu peito. Marcada fica assim para sempre a minha alma pela indelével incandescência que cada uma emana. A sua magia liberta-se ininterruptamente numa felicidade agonizante. Iluminam-me... Apagam-me... Matam-me ... Fazem-me renascer... Reviver... Resentir-me... Esconder-me. Escondo. Escondo com uma gargalhada inútil não sentida meu sentir. Ou com o meu já afamado exigente e constante mau génio e completa frieza. Todos me julgam indiferente e insensível. Domino em publico todas as minhas emoções. Não por vergonha ou receio mas por achar que os impuri não são dignos de as verem. Heresia é partilhar algo puro com aqueles que vivem no seu medíocre egocentrismo. Perdidos numa dimensão paralela preenchido pela medida espaço-temporal da inexistente inexistência. Abraçados a uma dissimulada sombra de si felizes esquecidos de si próprios. Sorrio. Somente consigo sorrir ao mundo com um sorriso que não é meu. Um sorriso que vive numa mascara onde por trás desta apenas eu consigo ver o que vive dentro de mim. Apenas eu me sinto. Apenas eu vivo no meu labirinto.

2 Comments:

Blogger Maria, Às vezes! said...

"Todos me julgam indiferente e insensível. Domino em publico todas as minhas emoções. Não por vergonha ou receio mas por achar que os impuri não são dignos de as verem."
Já pensou quantos impuri (aos seus olhos) dominam as emoções em público ...?

11:14 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

nem todas as pessoas são impuri... apenas aqueles que não honram o seu sentir. Que falseiam os sonhos dos outros... os que manipulam e mentem... esses... todos esses são impuri.

1:08 a.m.  

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