quinta-feira, 9 de julho de 2009

Yanus


Questiono-me. Questiono a minha honestidade. Como posso usar de uma critica corrosiva para com quem chamo de Impuri pelo mero lema da falsidade que elevam a verdade nas suas vidas? Não serei eu um Impuri também?

Afirmo as minhas qualidades descrevendo cada sensação que vou sentindo ou cada ideia ou pensamento que atravessa o meu espírito. Serei assim tão honesto? Quando afirmo publicamente que faço uso de uma mascara perante todos os que me rodeiam. Publicamente? Publicamente no cobarde anonimato de um universo virtual e paralelo. Como? Como posso conviver com tal paradoxo?

Inalo o fumo sapiente de mais um cigarro. Vejo como o fumo que exala liberta ideias e/ou considerações mais ou menos ilógicas. O racional e incandescente morrão tenta reflectir tecendo todas as combinações possíveis para o dilema que me ocorre. Vejo as dificuldades com que se depara por tantas hipóteses possíveis algumas plausíveis outras tantas imagináveis que roçando o limiar do irreal colidem.


Deverei retirar a mascara expondo meu ser? Será correcto? Merecerá a pena? E depois? Que fazer? Quem ser? Se quem escondo sou eu e quem mostro em parte também? As duas fracções de mim próprio. Complementam-se. Quem o merece tem o melhor de mim. Quem o merece tem o pior. Sou Yanus! O deus das duas faces. Exibo a que se adqua a ocasião. Questiono-me se largar uma a outra face também não partira? Qual o resultado? Quem serei? Continuarei a sentir como sinto. Perder-me-ei num novo labirinto de palavras?


Como gostava que Descartes não estivesse errado. Cogitum ergo sum! Assim deveria ser eu. Ser racional cujo pensamento se centralizasse todas suas questões em binário facilitismo. Sim ou Não! Verdadeiro ou Falso! Sem que a coexistência de ambas no indefinido e hipotético talvez. Apenas e só linguagem binária simples. Sem qualquer forma de perturbação do ecrã azul do sentir. Sinto-me em ecrã azul. Em que corre constantemente um diskchek a fazer analise de erros o falhas de sistema. Parece que cada ficheiro .sys apresenta-se corrompido ou está ausente. Ilógico.


Na minha busca por uma correspondente calma unívoca tudo se me apresenta como um talvez, que se reparte numa nova multiplicidade desconcertante a cada escolha que se multiplica assim ate ao indefinido. Mas a culpa e minha. Apenas minha. Há 12 anos atrás dei-me a escolher entre viver num mundo só meu sem sentir. Larguei o equilíbrio pacifico de um espaço em que dominava a lógica fria de zero graus kelvin. O volume ocupado por algo que fugisse a isso era 0. Mas prescindi do equilibrio em favor do turbilhão do sentir. Arrisquei. Perdi. Sofri .Na vida tudo devemos tentar para conseguir a felicidade. Devemos. Temos! Temos a obrigação para com nós próprios de sentir nem que seja uma alegria por um instante que dure um infinitésimo de segundo ou uma tristeza depressiva arrasadora que se arraste por milénios intermináveis de tudo o que nos rodeia pois apenas no sentir podemos dizer que estamos vivos.

2 Comments:

Blogger Maria, Às vezes! said...

"Deverei retirar a mascara expondo meu ser? Será correcto? Merecerá a pena? E depois? Que fazer? Quem ser?

Na vida tudo devemos tentar para conseguir a felicidade. Devemos. Temos!"
Tal como o Miguel disse “O Mestre escreveu um dia "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"!”

*fiz este comentário erraticamente em outro texto, é a "yanus" que pertence.

11:28 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

Tudo vale a pena se a alma não é pequena... Tudo vale... raramente tiro a máscara... Aqui publicamente o faço...

1:10 a.m.  

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