sábado, 11 de julho de 2009

In Luna Veritas




Perdido está o brilho da lua cheia no seu constante e imutável caminho. Sua misericordiosa face surge plena de forca pujante como que alimentada pelos sonhos de todos os que ousam sentir acima do pensar. Breve momento de iluminado existir. Volátil estado. Desvanece-se do céu de negro luto carregado lentamente em sintonia harmoniosa com os sonhos que se evaporaram ao sabor sol da vida, qual ser vivente sentisse o pesar da melancolia que habita na arena da humana vivência. Vergonha sente por não lhe ter sido honrado o sentido de ser do brilho que nos ilumina. Apaga-se. Sangra a sua luz em lágrimas demasiado puras para serem vistas pelos olhos turvos de quem persiste numa errática existência de sonhos isenta. Esvaída esconde-se aguardando que os guardadores da maior sacralidade que vida pode sentir voltem a poder sonhar com os sentimentos perdidos, exibindo novamente seu sorriso pleno de esperança sabendo, que tragicamente será novamente obliterada pelo desencontro que impotente em acção embala no firme e etéreo desejo que o sonho triunfe sobre a desilusão.

Nasce o dia. A lua guardadora de tantas verdades desaparece do céu que de luto passa ao dissimulado azul vida. Permanece invisível tentando em vão esforço mostrar sua aura pois consciente vive que na sua ausência mil sentimentos tombaram nas lágrimas secas de alguém que perdeu seu encantamento. Aguarda impaciente o regresso da penumbra para poder abraçar todos que prostrados se mantêm exaustos de tanto sentir.

Peço. Suplico como tantas outras noites sem conta não dormidas, em que afastado da sonolenta fuga ao mundo que me persegue, colando a mim o infortúnio, que a minha lua se torne tua confidente também, que vele por ti guardando teus sonhos nos meus. Que o seu brilho te ilumine quando o sol, astro rei insensível surja no horizonte da vida insistindo em queimar o nosso ser com as duvidas de uma luz plebeia repleta de desilusões e verdades incongruente.