O Oásis...

Não consigo deixar de observar os casais, que na sua indiferença mutua respeitam a paz negociada que mutuamente auto proclamaram. Vivem isolados cada um em equilíbrio no oásis que construíram para si sem nunca se aventurarem no deserto do sentir que os rodeia. Por medo penso. O silêncio do deserto do nosso ser, quando evitamos sentir por receio da desilusão que nos possa ser infligida, é terrificamente ensurdecedor. Todos os nossos gritos de revolta das mágoas desilusões ou erros cometidos nesse silêncio ecoam mais fortes que qualquer outro som que alguma vez possa ser escutado. O receio castrante do que possamos sentir leva-nos a quase tudo. Tentamos fugir de nós. Calamos o pensamento por sabermos antecipadamente que tudo o que mais tememos a mais pura das formas de sofrer virá a tona do nosso ser. Riem assim as pessoas no seu mundo de lógica sintética e racionalmente edificado, imune ao sentir, inertes vidas quotidianas preprogramadas em que cada decisão tomada esta com a devida antecedência imune a emoção. Até quando? Até quando podem essas pessoas aguentar o conforto da sua mentira? Até ao dia em que olham para trás e vêem que mais que perderem uma vida perderam-se a si próprias por fugirem de seu sentir do seu ser constatando que terminaram invariavelmente numa fuga para uma solidão de equilíbrio inóspito, felizes esquecidos que eram infelizes.


4 Comments:
"Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!" Florbela Espanca
Não acho que seja o mais certo, mas compreendo quem foge à verdade...no entanto, quem não a quer conhecer já a conhece e não conseguirá alcançar a plena felicidade, apenas a simula.
Penso que a felicidade é incompatível com o conhecimento da realidade. Talvez esta seja a causa de algumas pessoas se sentirem irremediavelmente infelizes.
A Gisela tem mesmo de escrever. Colocar no papel tudo o que sente e vive. Porque escrever não é uma questão de arte é uma questão de sentimento. Quando escrevemos o que sentimos, conseguimos ver o nosso reflexo nessas palavras. Conseguimos ver com os Impuri cegos andam no seu viver. Gisela não tenha medo. Por vezes podemos rir nas palavras... Outras desenhamos o que mais tememos... Mas acima de tudo libertamos o que sentimos. Voamos acima de uma verdade imposta.
sei que é verdade, as vezes sinto necessidade de pôr os pensamentos em palavras para os entender...
é imperdoável a pequena frequência com que o faço, o que vou procurando desculpar com a falta de tempo, que não é de todo uma desculpa aceitável (perco imenso tempo da minha exitência com coisas meramente inutéis).
Tive uma fase que passava horas a tentar escrever e dava por mim a rasgar cada pedaço de papel, por sentir que não conseguia transmitir fielmente os meus sentimentos... não conseguia concluir nenhum pensamento, nenhuma ideia... e aos poucos foi deixando para trás esse hábito... que tentei retornar este ano pela necessidade que senti em me encontrar, em me conhecer.
Posso dizer que muitas folhas ainda rasgo hoje em dia e quantas outras linhas risco. Por vezes não consigo escrever... outras não escrevo o que quero... por vezes ainda foge-me o sentir por caminhos nem eu sei quais são. Mas é algo... não se preocupe.... escreva... rasgue o papel.. reescreva!
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