terça-feira, 14 de julho de 2009

Limiar

Deparo-me com a mais temida fronteira que posso conhecer. O limiar ténue fortemente marcado entre os sonhos e os pesadelos. Tento visualizar com a curiosidade ávida de descoberta de criança tudo o que contém. Perda de tempo. Esse campo de sonhos contrários ao meu querer envoltos estão pela opacidade estanque dos meus maiores receios. Mas apesar da impossível sensorial capacidade onde esbarro sinto-os. Sinto-os... Com todos os outros sentidos mesmo sem cruzar a linha do descontentamento sinto a sua presença. Toco-os... Acompanho as suas grotescas formas com a ponta dos dedos da minha alma. Tento reconhece-los quais amigos de longa data que envelheceram separados mas sempre presentes na vida um do outro. Na superfície da sua material inexistência verifico como o tempo não os mudou. Permanecem eternamente imutáveis na forma e conteúdo... Em tudo. Ouço seu constante chamamento. Seu apelo pela aceitação que eternamente renego com veemência redobrada dia após dia. Como tento ensurdecer gritando o oposto de tudo o que me murmuram em seu gritante silêncio. Como se meus verdadeiros companheiros de vida fossem. Percepciono as fragrâncias que deles é exalada contidas nos dias passados com o sorriso triste de quem se esqueceu de como sorrir. Nego a verdade que me escondem exibindo-a por trás da minha cegueira. Enjeito a fatalidade. A fatalidade que me encontrarei junto deles pois todos por muito tenebrosos que sejam são também parte de mim.

1 Comments:

Blogger Maria, Às vezes! said...

Inspirador*

10:25 a.m.  

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