Trabalho
Dou comigo a meditar nos pensamentos que terei perdido anestesiado no stress que me e imposto pelo trabalho. Medito em todas as palavras que apesar de tudo vagamente vaguearam pelo meu pensamento marcando a sua presença como que me alertando para a necessidade de pensar para alem de tudo que faço. Penso também nos inúmeros emails e nos milhares de palavras neles inscritos que fora enviados graças a uma @. Tento quantificar. Encontrar uma possível analogia entre o que produzo profissionalmente e o que escrevo ao sabor das ideias sem um destino definido. Analiso racionalmente o contraditório da fria objectividade laboral vs o calor do devaneio do espírito em torno do meu sentir. Penso em todas as palavras debitada em duas reuniões. Em como monopolizei assertivamente os diálogos fazendo prevalecer as minhas ideias a custa apenas das palavras. Penso no paradoxo de ser um geólogo no reino das tecnologias da informação suavemente temperado com uma dose de filosofia e de racional loucura. Estranho a polivalência de tudo o que já fiz. Relembro o que gostava de ter feito. Constato como tenho tanto que ainda ambiciono fazer. Medito nas poucas horas que tenho disponíveis para pensar e aprender com um sentimento deprimente por sentir que me perco numa realidade fria de lógica racional quando tenho vontade de escrever apenas tudo e nada que pelo meu sentir passam ao longo das horas perdidas na floresta da profana realidade do trabalho.


15 Comments:
Talvez a sua vida profissional o faça sentir-se realizado e, talvez, por isso, na maioria do tempo não questiona se aproveita a vida da melhor forma "desperdiçando-a" com o seu trabalho.
Não sei se gosta do que faz, não sei se sonhou com o que faz, não sei se é admirado, respeitado por isso, suponho que sim, e qualquer pessoa gosta de se sentir boa e os bons resultados estimulam a trabalhar mais nisso, naquilo a que somos denominados de "bons", e com o tempo o trabalhando vai ocupando um lugar (quase) prioriátrio na vida, mesmo sem se aperceber, até um dia nos questionarmos se aquilo é suficiente, se basta, se nos completa e realiza.
Penso muitas vezes nisso, na quantidade de tempo que perco com a rotina do dia a dia, com uma rotina que não me realiza, que nunca idealizei e que não me permite sentir a vida em toda a sua magnitude.
O Miguel tem uma excelente dose de filosofia e uma admirável racional loucura, que considero marcantes características suas, belas, e que deveriam continuar cada vez mais a ser exploradas.
Sou um Geólogo no reino da TI... algo diferente... já dei aulas... já dei formação... já trabalhei num bar.. Já fiz tanto... e sinto que ainda tanto tenho para fazer.
E muito mais sentir e escrever... mas sinto falta da falta que o tempo me faz...
Mesmo em férias ou nos fins de semana o meu telemóvel toca... Gosto de trabalhar e dos desafios que me propõem. devo confessar que coloco a mesma dose de emoção na forma que tenho de trabalhar como faço no sentir e no pensar. Entrego-me totalmente. Mas... O meu pensamento e o meu sentir estão sempre presentes...
entrega-se totalmente ao trabalho e isso é bom.
o Miguel entrega-se totalmente em tudo aquilo que faz, é o que me parece... e também me parece uma pessoa perfeccionista e idealista.
Essa sensação de que ainda tem muito para fazer vai sempre existir, quando concretizamos alguns projectos ambicionamos outros, é inato ao homem, desejar sempre algo e achar que ainda temos muito mais a fazer.
Sente falta da falta que o tempo lhe faz, como compreendo isso...
Demasiado idealista. Infelizmente já fui mais. já acreditei mais nas pessoas. já acreditei... Tenho saudades dos tempos em que dizer "palavra de honra" era lei. bastavam estas três palavras numa frase para que tudo o que tivesse sido dito ser Verdade. Desprezo a mentira... Odeio o engano de uma forma (perdoe-me a expressão)visceral!
eu tento arranjar tempo... por vexes onde não há... tenho enviado alguns dos meus post's directamente do meu PDA... Com uma consequência triste... o verdadeiro Caos da Vida aguarda as palavras que lhe foram negadas...
A sinceridade, lealdade, fidelidade são das características que mais prezo, até porque inseparáveis delas estão o respeito e a dignidade.
Mentir é enganar, iludir... é desumano, é um acto demasiado cruel, a mentira fere e deixa cicatriz.
"A sinceridade, lealdade, fidelidade são das características que mais prezo, até porque inseparáveis delas estão o respeito e a dignidade.
Mentir é enganar, iludir... é desumano, é um acto demasiado cruel, a mentira fere e deixa cicatriz."
Subscrevo cada uma das suas palavras.
Por tanto me mentirem uso a mascara de quem não sou.
Quanto a tirar a mascara aguardo pelo dia que o possa fazer. Guardo os momentos do meu verdadeiro eu aqui. Publicamente anónimo... Desejo desesperado que não tarde... Mas temo que nunca chegue.
tem noção de há quanto tempo usa a máscara de quem não é?
deseja e teme tirá-la ao mesmo tempo... teme ser novamente enganado?
Não pode usar uma máscara pelos erros dos outros, não tem de se ocultar por ter sido enganado, por ter sido magoado, entendo que isso seja a forma que encontrou para se proteger. mas tem que voltar a expor-se tal como é,mostrando toda a sua fragilidade, medos e sensibilidade.
já pensou nas pessoas que também pensam como o Miguel e usam uma máscara... e esperam que provem que merecem para ser retirada...?já pensou que poderão ser boas pessoas e que o Miguel não dá a oportunidade de o conhecerem por usarem também elas uma máscara? elas ganhariam muito em conhece-lo, o Miguel tem a dose racional de loucura que muits admiram, e o seu terno sentir...
há muitos anos... Talvez 15.. larguei-a quando conheci a minha ex-mulher... voltei a usa-la quando dela me separei. Assim continuo. Mostrei ser quem sou apenas a mais uma pessoa além de si...
e por favor não agradeça.
sinto-me lisonjeada agora.
"Deixa-me dizer-lhe esse obrigada que tanta falta me faz" (Inês Pedrosa)
eu preciso de agradecer-lhe ... por isso não me peça para não o fazer.
compreendo perfeitamente.
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