sexta-feira, 31 de julho de 2009

I Ching



O meu livro das mutações acometido está de uma estagnação redundantemente estática. Parado no algures num imperfeito e virtual conceito de espaço-tempo. Invejo a quem a vida muda. Pergunto o porquê da minha vida ser permanentemente preenchida de uma mutação imutável. Não obtenho respostas apenas o silêncio que sempre ouvi. Talvez seja essa minha realidade. A insustentável imutabilidade do meu ser. Preso. preso a um nada que nada quero ou pretendo. A um sorriso pontual. A uma felicidade imaginária... à minha imaginação fico retido pois apenas essa me acompanha . Preso aos sonhos que me tornam em quem pretendo não ser. Contrario em vida o poema de Sebastião da Gama. Talvez seja essa a sentença a que me condenaram à nascença, no fatal momento em que tudo se decide o meu I Ching foi escrito... As camadas que o compoem ao mesmo se resumem... repetem-se ciclicamente, aglutinadas pelo desencontro. Não acreditava no destino... Agora... Desacredito minhas crenças... Desacredito meu sentir. Desacredito-me. Desacredito tudo em que acredito. Renego meus valores. Renego quem sou. Renego-me. Enjeito-me. Procuro pensativamente uma porta que conduza a um caminho que leve a um fuga de mim. Farto... Saturado... de ser quem sou, resta-me ser quem não quero ser. Resta-me remover o que escondo por trás da mascara. Largar-me... Deixar-me partir para onde nunca mais regressarei. Esquecer-me de ser quem sou. Serei o meu outro eu. O Eu Mesmo que nada aqui escreveu... que me pediu para nada escrever pois esse não necessita de cartase. Esse tudo domina. Esse meu eu, não sendo eu, é feliz. Feliz serei assim escrevendo um novo IChing inconciente de mim.