Serei?

Pergunto ao mar como serei daqui a dez anos... Quem serei... Que serei... Serei?... Olho agora para quem sou. Uma contradição de força e fraqueza de certeza e receio... Mais não sou que uma árvore de folha perene numa floresta repleta de árvores despidas de sentimentos no inverno da vida. Ou serei eu o oposto... Não serei eu despido de tudo por me desencontrar da felicidade? A contradição o reina como imperadora absoluta no universo de mim. Já há muito aceito esse facto. Muito sinto... Sou felizmente triste. Tenho a força de todo o universo concentrada em mim. Tenho toda a fraqueza da insignificante folha que sentimos estalar a mínima pressão o que sobre ela exercemos. Sinto... Sinto em mim a força para arrasar uma montanha com o meu pensamento e refazê-la. Consigo rescrever a história... Refazer o universo. Consigo ser um buraco negro que toda a centelha felicidade devora com avidez pecadora... Consigo nada fazer. Nesta contradição tento encontrar o meio termo... Tento. Não consigo. Em mim os pensamentos avançam e evoluem num paralelismo sobreposto. Muitos são mas apenas um na verdade é. Tento ver como serei. Sinto uma vontade irreal em ver para lá do tempo futuro. Em saber. Corroí-me o espírito de ansiedade em descobrir se serei feliz... se realizarei o meu sonho. O pensamento foge-me... Divaga para o receio. O medo que me castra a vontade... O receio de me ver dentro de dos dez anos no mesmo ponto em que estou. Ou pior. Temo ver quem não conheço. Não me reconhecer. Estranhar meu próprio eu no espelho do meu ser... Tornar-me quem não sou querendo ser quem sou. Mas... Em mim sinto uma crescente dúvida vida. Quem serei? Continuarei a escrever? Encontrarei o equilíbrio no caos da contradição que me assiste? Tento escutar no mar uma resposta para as minhas questões. Não consigo... Seu chamamento diluído esta na no caos sonoro que me rodeia. Assim mais não me resta que pensar que mais não serei que uma nova contradição. Felizmente infeliz por não sentir quem sou.


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home