segunda-feira, 20 de julho de 2009

Luna



Faz hoje quarenta anos que sobre ti desceram. Tu que sobreviveste intocável em virginal segredo só ao alcance de quem sonhava viste-te espoliada de teu segredo pela ambição desmedida do homem querer ir mais alem dos sonhos. Tantas aventuras e tormentos testemunhaste... Tu companheira fiel das minhas emocionadas ausências de sono em que trocamos tantos olhares... Tu confidente de tantas lágrimas que larguei que com teu sopro secar tentas-te... Tu que ouviste todos os meus lamentos de cada desencontro a que fatalmente me vejo condenado. Sinto tua dor... Tua vergonha... Tua tristeza... De como o homem apenas te pretendeu conhecer para uma noite de satisfação de seus terrenos prazeres, deixando para a eternidade da sua memoria em ti marcada uma pegada como símbolo da sua futil posse. Tu que sofres como eu sofro... Que sentes como eu sinto. Em ti vejo os meus sonhos perdidos... Em ti guardo meus dilemas... Testemunhas mais um desencontro com a candura de teu olhar conselheiro... Mesmo sofrendo dás de ti todo o carinho que preciso... Mesmo sofrendo dás o amor que sinto perdido. Felizes estamos condenados a nos encontrarmos-nos em nosso sofrimento cobertos pelo negro manto do nosso sonho.