quinta-feira, 16 de julho de 2009

Dúvida...

Pergunto ao silêncio reinante do ruído da multidão que me rodeia que caminho estou a seguir. Como aqui cheguei saltando de desencontro em desencontro na vã esperança de a mim proprio me encontrar. Não obtenho respostas, o silêncio cala sua voz fazendo-se ouvir todas as conversas banais do início de um novo dia. Insisto. Clamo pela orientação da sua companhia. Nada. Apenas ruído. Ruído de fundo de susurros conspiradores de quem nada tem para dizer ou sentir. Tento encontrar em mim as respostas que o meu companheiro de longa data cala na sapiência de que tudo já ouviu nos sentimentos a ele confessados. Vasculho nas memórias de criança... Relembro situações. Como quando tecia as inocentes mentiras de menino os meus meus pais me diziam que estava a mentir e que isso se encontrava escrito na minha testa. Vejo como na minha credulidade nisso acreditava. De imediato esfregava a testa como que a limpar algo que marcadamente me incomodava. Nunca tive jeito para mentir creio... Sempre fui demasiado simples na minha maneira de pensar para o fazer. No entanto agora mostro ser quem não sou. Ao fazê-lo não estarei a mentir? Não estarei por trás da máscara a tomar como minha uma verdade que não me pertence? Minto. Na máscara mostro parte de mim. Tudo o que não gosto de ver. Sem qualquer dúvida penso não mercer fazer o que faço. Ergo o estandarte de ser fíel a mim próprio qual último paladino da verdade suprema quando na realidade estou a exibir a mais sinistra das mentiras, o meu eu que não sendo também sou. Exibo parte de mim na montra da vida. Desculpo-me com todas as histórias de uma vida de desilusões decorrida. Desculpas... Tantas... Tudo o que me aconteceu como desculpa serve para o meu descontentamento. Manipulo-me a mim próprio. Evito-me, engano-me, minto-me. Na verdade penso que o maior desencontro não foram os outros que em mim induziram... Fui eu que me desencontrei de mim.

15 Comments:

Blogger Maria, Às vezes! said...

Os seus textos são desconcertantes. Todos eles exprimem emoções fortes e verdadeiras. Compreendo o seu pensamento.
Acredito que o Miguel vai conseguir retirar a máscara em breve e definitivamente.

8:56 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

Duvidas tenho... se tirar a máscara ou tirar o que por trás da máscara se esconde...

9:03 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

hoje sinto-me cansado de sentir...

9:07 p.m.  
Blogger Maria, Às vezes! said...

"Duvidas tenho... se tirar a máscara ou tirar o que por trás da máscara se esconde..."

Não pode tirar o que por detrás da máscara se esconde, o que esconde é admirável. O Miguel é sensível, genial, racionalmente louco, é especial.

9:38 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

dúvidas... acordei com todas as dúvidas que a dúvida per si pode conter. questionei-me durante todo o dia... Porquê? Para quê? Perdia fé...

9:44 p.m.  
Blogger Maria, Às vezes! said...

Principalmente para ser fiel consigo próprio, o Miguel está a tentar enganar-se, a fugir ao que é, uma fuga impossível. E eu pergunto-lhe:Porque não?

9:48 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

A surdos... Falo uma língua de que ninguém quer escutar... Como se tivesse sido esquecida algures no tempo por desnecessária ou incomoda ser. Calo-me gritando a agonia de quem quer não mais acreditar... matar os sonhos que tenho antes que acabem nos pesadelos que vislumbro distantes.

9:53 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

Não sei se o que digo o sinto verdadeiramente ... mas talvez seja o reflexo de uma semana muito má em termos de trabalho... muito trabalho... muito stress, muitas responsabilidades, muitas mais dores de cabeça... tenho saudades dos campos acobreados com as folhas do outono... ouvir o estalar das folhas secas quando as piso. ver como o vento que se torna frio as levanta... as ergue... invejo-as!

9:59 p.m.  
Blogger Maria, Às vezes! said...

Há quem queira escutar, há.
É verdade que a maioria das pessoas são superficiais e desinteressantes, mas o Miguel não tem que calar os seus pensamentos e o seu sentir por isso. Haverá sempre quem o queira escutar, quem fale a mesma língua e que o admire por ser exactamente diferente da maioria das pessoas, desprovidas do sentir verdadeiro.

10:00 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

mas... a certeza tenho que a nuvem passageira que por mim passa... irá desanuviar. voltarei a sorrir e a acreditar.

10:08 p.m.  
Blogger Maria, Às vezes! said...

O Miguel lembra-me Fernando Pessoa, fragmentado, contraditório, genial, racionalmente louco e com uma capacidade infinita de sentir tudo de todas as maneiras... incrível.

10:09 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

Gisela... todos nós somos contraditórios. tudo e nada sentimos. tudo e nada somos. apenas os cobardes ousam não pensar na contradição que são. Por esse mesmo motivo uso a tal "máscara"... nem todos têm a verdadeira visão de si. Para muitos (quase todos) o pensamento é uma forma de se mutilarem... de sofrerem... porque se vêm como não querem ser vistos. O medo de nós é o nosso maior receio.

PS: Também tenho algum gosto por psicologia... tive uma companheira que era psicóloga e o mais estranho é que era eu que lhe dava conselhos.

10:17 p.m.  
Blogger Eu Mesmo said...

Quanto ao Mestre... bem... Pessoa tinha em si mil mundos cada um diferente dos outros. Ele reconhecia essa diferença... compartimentava-os para simultaneamente os envolver num único. O Mestre era não era genial... não há palavras para o descrever... chamar-lhe genial e pecar por defeito. Ele é um universo interminável de sentir e ser!

10:22 p.m.  
Blogger Maria, Às vezes! said...

Já tinha percebido que também tinha gosto por psicologia, não sabia é que tinha noção disso, o Miguel sempre dá conselhos...

Não me surpreende que o Miguel lhe desse conselhos, as vezes penso que muitas das pessoas que desejam ajudar os outros psicologicamente, escolheram esse caminho porque elas próprias precisam de conselhos, de orientação.

10:26 p.m.  
Blogger Maria, Às vezes! said...

Tem razão, sem dúvida, é pecar por defeito.

10:28 p.m.  

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