Final..

Questiono-me porque até hoje insisto em queimar o que escrevo. Não consigo imaginar todas as folhas... quantificar as palavras que soltei do meu ser na ponta de uma caneta ao sabor dos sentimentos é impossível. Não faço diários... escrevo no momento que sinto que o tenho de fazer, detesto mesmo a ideia da obrigação de escrever. Algo em mim obriga-me, no bom sentido do termo, a fazê-lo. Uma vontade superior a todas as demais que vão preenchendo de forma mais ou menos errática o meu dia compele o meu ser a tentar (d)escrever tudo o que se passa, muitas vezes no próprio momento. Mas questiono-me... Porquê? Sustento a minha pirómana vontade na catarse que julgo o fogo conseguir fazer ao queimar as minhas humanas fraquezas. Como se na incandescência da chama encontrasse a energia purificadora que procuro para o meu ser. A força libertado do jugo do desencontro que a mim se fixou tão sólidamente. Mas todas as vezes que o faço... nada muda... tudo em mim persiste na insistência de permanecer rigorosamente indiferente à mudança do meu estado de espírito. O fogo não queima as emoções transcritas... Não as destrói... Pois se fisicamente tudo possa arder as emoções que nele se encontram são intemporalmente imortais. Pode eventualmente lançar a sua essência ao mundo.... Caos da Vida é o reflexo do caos da minha vida, do meu desencontro com a felicidade, com o sentir e comigo. Que farei? Procuro destruir o que fui ou senti, pelo fogo... Não! Não o pretendo fazer. Não fujo de mim nem do vendaval de emoções que constatemente agitam tudo em mim. Se o fizer... Se o fizer na quebra com o passado não me estarei a destruir um pouco a mim? Não estarei a tentar negar que sinto? Quem sou? Penso que o Caos da Vida sobrevirerá à fatalidade da chama...


2 Comments:
Sem dúvida, sobrevirá.. =)
Penso que este sobreviverá... pelo menos por agora...
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