domingo, 19 de julho de 2009

Fractal



Procuro nas palavras do Mestre o alento para a razão que de mim se evapora. Devoro cada sentimento escrito com uma fome insaciável. Leio... releio.. Sinto. Tantos génios num só. Questiono-me se não terei Eu Mesmo de arranjar um heterónimo ou mais para poder experiênciar verdadeiramente tudo o que vou sentindo, não sinto ou não quero sentir. Tento condensar as ideias as frases e as palavras, dando-lhes estrutura, organizando-as. Caio no dilema da compartimentação estanque. Deverei fazê-lo? No caos não há ordem? Na ordem não há caos? Se ambos os opostos conceitos não fossem métricamente dispares seriam idênticos pela depêndencia paradoxal que têm um em relação ao outro. Penso nas infinitas possibilidades da matemática fractal, uma vez que esta é a única possibilidade de fuga à ordem da geometria clássica. Vejo à luz dos fractais a ordem do caos... penso... penso como o meu pensamento que ao abandono se dilui em tudo... em tudo pensa mesmo na presença confortável do nada em que penso. Todos os meus pensamentos estão interligados. Um depende dos outros como todos os restantes de um único sobrevivem. Chego a uma ideia porque parti de outra. Cada conclusão que já cheguei é um ser mutável, uma entidade viva que aguarda impaciente pelo amadurecimento da mudança motivada pela presença de outras... Diluem-se todas neste ser que sou com a ideia do caos ordenado do ser quem sou num fractal que desconheço a existência.