quinta-feira, 27 de maio de 2010
A exaustão deixa um travo amargo a raiva na minha consciência. Queimo o dia em números vagos na busca de soluções para a cegueira de um cálculo que assenta em erro próprio. Odeio falhar. Desprezo o erro. Qualquer centelha que ilumine tal hipótese assusta-me. Repreendo-me. Questiono qual a génese do erro. Excesso de confiança talvez... Fico sentado a luz da do pior sentimento... Resignação. Derrotismo ufano que me deixa torpe. Rememorizo... Cada dia... Cada mudança e alteração. Cada correcção. Cada ponto. Tudo. Tudo me serve de culpa pois não quero a desculpa. Ódio. Sinto a aspereza de alma voltar-se contra mim!
terça-feira, 25 de maio de 2010
Destino(s)
As melhores viagens são as que não têm destino
Penso na importância de tudo ter de fazer sentido. Qual o sentido de algo ter sentido? Porque definimos algo. Objectivos? Criamos objectivos de vida... Metas... Obrigamo-nos a cumprir o que desejamos nos próprios. A tudo impomos ter um fim pela obrigação fim em si. Desiludidos ficamos por não chegarmos a essa linha imaginaria de vitoria, numa queda livre de desespero. Quantificamos a satisfação. A paixão. O amor... O desejo... A alegria... Tudo... Tudo medimos. Tudo queremos... Necessitamos do querer... Temos em nossas veias a dependência dessa toxina. Iluminados pelo receio do desconhecido caminhamos quais espectros sem alma... Não fujo à humana condição.. Também busco algo... Mas... Não desprezo a espera entre destinos. Sinto-me suspenso mas consciente. Como se vivesse uma hibernação contemplativa. Uma vegetação imposta pela deslocação do tempo onde tudo me interessa. Onde tudo e único, mesmo a repetição de uma mesma paisagem ou viagem torna-se uma novidade plena de mistério... Ideias... Estímulos... A realidade e que quantas vezes criamos metas mas esquecemos que a vida e o caminho entre o inicio e o destino da viagem. Esquecemos-nos de viver... Que o sentido de ser de cada vivência e na chegada ao destino lembrar o que passou. Guarda-lo... Tatuar todas as palavras contidas na pele do nosso ser... Gravar cada fotograma na eternidade da memoria. Chegar ao fim e poder dizer... "eu vivi tudo em mim"
Penso na importância de tudo ter de fazer sentido. Qual o sentido de algo ter sentido? Porque definimos algo. Objectivos? Criamos objectivos de vida... Metas... Obrigamo-nos a cumprir o que desejamos nos próprios. A tudo impomos ter um fim pela obrigação fim em si. Desiludidos ficamos por não chegarmos a essa linha imaginaria de vitoria, numa queda livre de desespero. Quantificamos a satisfação. A paixão. O amor... O desejo... A alegria... Tudo... Tudo medimos. Tudo queremos... Necessitamos do querer... Temos em nossas veias a dependência dessa toxina. Iluminados pelo receio do desconhecido caminhamos quais espectros sem alma... Não fujo à humana condição.. Também busco algo... Mas... Não desprezo a espera entre destinos. Sinto-me suspenso mas consciente. Como se vivesse uma hibernação contemplativa. Uma vegetação imposta pela deslocação do tempo onde tudo me interessa. Onde tudo e único, mesmo a repetição de uma mesma paisagem ou viagem torna-se uma novidade plena de mistério... Ideias... Estímulos... A realidade e que quantas vezes criamos metas mas esquecemos que a vida e o caminho entre o inicio e o destino da viagem. Esquecemos-nos de viver... Que o sentido de ser de cada vivência e na chegada ao destino lembrar o que passou. Guarda-lo... Tatuar todas as palavras contidas na pele do nosso ser... Gravar cada fotograma na eternidade da memoria. Chegar ao fim e poder dizer... "eu vivi tudo em mim"
sábado, 22 de maio de 2010
Sem (Realidade?)
Vejo a noite pontualmente beijada pela difusa luz amarela de uma iluminação fraca. Remeto o pensamento ao nada. Tento devorar cada imagem que diante dos meus olhos se apresenta. Não penso. Ilumino-me bafejado pela capacidade de ver o irreal. Nada é como se apresenta. A verdade da realidade paralela sorri em meu ser... Adoro esta maldição que vive em mim!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Azul
Paro... Refracta-se o pensamento no silêncio que não escuto. O ruído das conversas paralelas de sorrisos de circunstância apodera-se do tempo e do espaço... Cercado, fecho os olhos. O Tento não ouvir. Mas cada fracção do todo se mistura numa amalgama distorcida... Humana... Mecânica... A origem natural é obliterada no vazio da indiferença. Deparo-me com a indigna dignidade de resumir num saco azul tudo o que resta de alguém a quem vida se evaporou. Ao alcatrão, junto ao lancil de um passeio, se condena a humanidade perdida de um ser em cujo sorriso já existiu vida...
Facilitismo
Não temo a fraqueza das palavras com que escrevo... Ou tão pouco a ligeireza das frases que as compõem... Mas receio a falta de robustez das ideias que lhes assistem. A tentação do caminho mais fácil... O facilitismo herege... Absorvo... Absorvo tudo o que penso... Mesmo tudo o que esqueço ou vou esquecendo permanece em mim. Adormecido mas vivo. Nada morre. Vão e vêm as ideias como as ondas de um mar bravio. Incontrolável... Sem ordem. Onde o refluxo da rebentação subsequente tudo arrasta para o seu interior de pois do espraiar já tudo ter arrasado. Onde a rebentação exige-se ouvir... Onde cada grão de mim, numa unicidade solitária, escuta cada ensinamento como se um todo fosse aglutinado pelo cimento do sentir. Inquieta meu espírito o deixar de ambicionar... Minha ambição primaria foge ao conceito empregue... Ambiciono ser quem sou... Sentir... Eu ambiciono os meus sonhos. Esses fragmentos do meu puzzle que insistem em não se deixar encontrar nesta caixa que e o mundo. A representação iconográfica do meu ser surge inacabada qual tela que somente algumas pinceladas sobre ela foram dadas com desdém... Procuro completar-me... A minha eternidade o meu nano-segundo... O instante em que os sonhos se realizem em mim.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
How Fragile We Are
A noite conjurou mil rezas profanas contra meu ser... Como de uma maldição milenar se trata-se vi-as condensadas num pesadelo vivido em modo continuo. Excessivo... Sinistro... Vi-me atravessar alas de uma espécie de sanatório onde só existiam crianças... Apenas crianças... Em cada uma das salas vi os males que sofriam... Fome... sede... dor... abuso... guerra... morte... Sem nada poder fazer... Não me conseguia afastar da linha que me estava destinada... Não encontrei mais ninguém... Apenas eu e aquelas centenas de crianças que se amontoavam em cada sala... A musica era a mesma... Continuamente... A mesma.... Sempre... Sem alterar o volume ou qualquer outra manipulação sonora... On and on the rain will say how fragile we are how fragile we are martelava os meus sentidos... Ouvia em fundo choros... Murmúrios... Uns num tom mais alto outros mais baixo... Mas sempre presentes... Sempre invocando a magoa de cada uma mas que no ressoar se aglutinavam individuais na dor colectiva... Cores... Todas as cores presentes davam a cada sala uma nitidez arrasadora... Inenarrável... Que unidas às formas conferiam a tudo uma morbidez agoniante... Gráfica... Mortal... Cada golfada de ar que inalava vinha impregnada de um cheiro estranho... Como se uma mistura de suor... Morte... Desinfectante ... Não consigo descrever... Era algo... Como se a porta de um possível inferno tivesse ficado entre aberta e mostrados as piores imagens que podem ocorrer na nossa dita Humanidade. Em cada sala acordava.... Ao adormecer voltava... Regressava novamente... aquela casa... Mas de frente a uma porta que sempre igual não exibia qualquer indicação... Não vi letras... Ou frases... Nada... Como se tudo o que vi resultasse do esquecimento... Os sussurros que escutei não tinham uma língua definida... Como se falassem em uníssono uma linguagem universal que isenta esta de palavras ou estrutura... Tudo se perfilou como real diante de mim. No meu ateísmo convicto quis ser Deus... Curá-las... Dar-lhes vida... Aliviar o sofrimento de cada uma que sentia invadir meu espírito. Fazer das suas mazelas as minhas... Colérico senti uma raiva inaudita... Quis fulminar tudo e todos os que de alguma interferiram na felicidade de cada uma delas... Tudo e todos que aquelas crianças roubou o Ser Criança... Qualquer coisa... Algo... Acordei... Definitivamente... Sem ar... Sem força... Sentia-me dormente mas a arder... Vomitei... Fiquei quieto... Pensei no quão insignificante sou... Senti rancor... Raiva... Por tudo o que vi... Pela injustiça... Pelo sofrimento... Apercebi-me... A culpa e minha também... Nas lágrimas que vi, consigo ler a minha passividade... O meu esquecimento... Minha mediocridade. sei que foi apenas um sonho... Mas as imagens... As faces... As lágrimas... Os gestos de cada criança ficarão para sempre tatuados em mim...
terça-feira, 18 de maio de 2010
Brinde
Amanhece na minha noite. O sol grita sua liberdade exibindo-se com fulgor ostentativo. Fecho varias vezes os olhos, dirigindo a minha visão para algo menos intenso. Vislumbro a folha escrita que ainda jaz sobre a mesa, cansada da entrega intima que comigo manteve por aqueles breves instantes de incontida ilusão. Irradio cansaço... Os olhos pesam-me, pedem-me reclusão esgrimindo a sua estenuação na irritação que os cobre de um tracejar aparentemente irado. Inspiro o ar da manhã em busca de uma qualquer forma de redenção. Exalo, pesaroso, mil considerações incoerentes, num bafo quente desprovido de vontade. Hoje não consigo ouvir os cânticos matinais com que todos os dias sou brindado pelos pássaros nos seus Hinos de Alegria. Transito somente em meu corpo, como se desprovido de essência, entre passadas sucessivas a uma cadência indefinida mas que sinto apressada. Caustico... Calcinado... Perdido.
Eléctrico
Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos ou sejamos luz, sempre a mesma noite"
Sombra sejamos ou sejamos luz, sempre a mesma noite"
Acordo nesta madrugada de silencio encapotada sem sono. Desperto... Intenso... Eléctrico... Aproximo-me de uma janela que fechada grita pela sua liberdade guardada. Acedo... Olho a paz da cidade dormente na sua inconsciência, consciente que metros acima da rua ferve meu sangue no lume infernal da ansiedade. Beijo a brisa leve que me cumprimenta a face lavada da insónia. Cedo, cedo à dança macabra que já por mim aguardava impaciente no seu egoísmo torpe. Solto os demónios em mim contidos... Escuto as suas passadas no palco de mim... Entrego-me...Mero fantoche sou dos desígnios da super-nova que em mim habita. Os demónios puxam por mim... Chamam meu ser a sua presença. Seguram minha mão e dirigem-na, sem oposição, para o instrumento de escrita que repousa tranquilo sobre uma folha de papel ainda virgem de sentimentos. O estilete de tinta cortante ergue-se do seu descanso. Raspa com suave rudeza, por anos de sentires descritos, a superfície irregular. Escuto em cada palavra a tua voz... O teu riso... Olho-te nos olhos... E digo és a luz na sombra do sorriso em mim.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Ardor
A noite perde-se no faiscar verde do semáforo que distante parece abrir o caminho a mais um dia. Ilumina-se a noite não se fazendo dia... questionando que linguagem é esta em mim que desconheço o vocabulário. Que gritos escuto nos sussurros que exalados são do meu esprito... Mera calçada em que as pedras mais não são que um exercito de blocos de letras esculpidas sem arte numa demagogia infinita. Martelar, cinzelar com qualquer aparo, para criar uma superfície irregular de pensamentos e emoções sobre o manto branco humedecido por um querer maior que eu que tudo contem. Não me contenho. Tento reter o que não vejo. Ler de olhos fechados meus pensamentos... Aventuro-me pelos sentidos no silêncio da noite tocando minhas emoções... Escrevo... Mesmo não querendo escrever faco-o. Eu sou um mero joguete do meu Eu. Obdeco-lhe. Mais forte que eu insiste fazer valer constante egoismo da sua vontade. Quero descanso... Quero parar... Nao consigo. Tento esquecer meu próprio eu largando-o algures no tempo... Revejo sonhos antigos. Tormento... Tortura... Este inferno só meu que à minha pele se cola qual lacre derretido... Selado em mim consome a minha sanidade... Sinto o ardor das suas queimaduras sob a minha pele... Hermeticamente fechado em mim... Sem panaceia para esta dor resta-me a conviver contrariado... Nem sempre e assim penso... Talvez... Nos dias em que a máscara e eu estamos em sintonia tudo faz sentido em mim.
domingo, 16 de maio de 2010
Luto
Inevitável... Impensável... Perdi um mês de palavras... De emoções... Ideias... Sensações... Perdi um mês de mim.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Acarinho
Para que fantasiar se os meus castelos de palavras feitas são... Para que construí-los se na aragem do pensamento são arrasados? Hercúlea tarefa que me afoga nos agoiros da impossibilidade de atingir o éden que vislumbro sempre demasiado longe. Não me apetece escrever mas vou escrevendo. Não me apetece pensar mas vou pensando. Não me apetece sentir mas vou sentindo. Não me apetece ser mas vou sendo... Vou?... Irei? Para onde? Para onde me eleva o voo que em minhas asas liberto ao sabor de um vendaval só meu?... As faces lividas de vida das pessoas que me circundam assustam-me... Temo ficar igual... Perder a visão... A magia... Deixar esta maldição que acarinho por vezes com desprezo e tornar-me um vulgar mortal... Receio a insignificância da consciência tomar conta de mim.
Convicto
Caminho entre o chilrear animado de alguns pássaros que matinais quebram a melancolia ruidosa do alcatrão invasor. O grasnar passageiro de um corvo eleva a consciência em mim do nada presente. No frio a coluna etérea, que na vaporosa transparência de uma existência só minha une o céu e o inferno que habitam meu ser numa mistura heterogênea, toma finalmente forma. Convicto, avanço rumo a mais um dia ameaçado por um sol chuvoso. Sinto no ar mil pensamentos densos. Tensos pela derrota exigem as palavras que rarefeitas me inibem a respiração... Sufocado pela dispersão do cromatismo binário corto o umbilical fio que me liga a ilusão... Consciencializo a necessidade da razão sórdida que tanto desprezo.... Caminho entre o verdadeiro e falso num talvez díspar da minha razão. Consumo meu espirito no fogo de mil correntes que me prendem ao real... Impedido de voar evito pensar mais neste dia cinzento em mim.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Ecoar
Os dias acordam lentos e angulosos. Perturbam meu descanso. Sinto passar entre as janelas de vidros estilhaçados, pelos tropeções nas pedras da calçada da vida trilhada, o ecoar do calor do meu sentir. O som dos olhos meus plenos de lagrimas secas, não vertidas, que humedecídas foram num sorriso sem sentido de ser. Colho a ilusão orvalhada pela frescura silenciosa da manha. Vejo o passado demasiado presente... o presente excessivamente distante... O futuro... Não o quero... Renego-o... Vocifero algumas palavras sem sentido para o
interior de mim, querendo estremecer os alicerces da dormência. Despertar a inconsciência na consciência... Rasurar ideias, fazendo-as sobressair, cobrindo-as, com um marcador invisível apenas visível pelos meus olhos. Quero... Quero calafetar meu pensamento. Reter todas as ideias em mim... Não perder nada... Quero... Agitar o querer.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Crescido
O fim de tarde tem a forma das nuvens... Quantas vezes em criança via na forma das nuvens tudo... Animais, barcos caras... Tantas coisas... Tao variadas... Na minha inocência tudo era facilmente identificado que chegava a ser arrepiante... Insistia numa nuvem ate que a nuvem tomasse a forma que pretendia... numa forma que somente eu via... Talvez forcasse... Talvez fosse a minha visão o reflexo da minha imaginação.... Uma manifestação da minha vontade em encontrar o impossível.... Agora que a minha visão foi deturpada pela vida dou por mim a questionar que terá acontecido... Terei somente crescido?
terça-feira, 11 de maio de 2010
Ferida
Exaltado sou acometido pela cegueira... Tudo se desvanece pereante meus olhos numa desambiguidade cinica. O duelo que consciente vivo na dualidade vivida entre a realidade e a ilusao toma o desfecho que mais me desagrada. Na nevoa de um ficcional cheiro ocre de polvora queimado, sinto no meu espirito as consequências do disparo. Ferida de morte sinto tomba a ilusao nao fundo de mim. Tomo-a em meus bracos...
Envolvo-a no manto do em meu ser... Enquanto sinto sua respiracao ofegante em minha, escuto serem-me segredados, entre labios irreais sorridentes de sentidos suspiros, mil palavras sem razao ou encadeamento aparente. Acordo... Disperto para as cores reais cuja tonalidade desprezo pela inconsistencia que em mim refletem. O verde deixou de ter vida... O cinzento e as multiplas gradacoes ja nao vivem reclusas de palavra esperanca... Tudo deixa de fazer sentido num cerrar de olhos que deixaram de ver... Na escrita savadora destilo a raiva... Purgo de mim o que nao quero viver... Revejo motivos... Sujeitos substantivis e adjectivos.
Significados... Significantes insignificantes... Numa musica que me soa distante cercado pelos rostos deconhecidos de todos os dias reabro os olhos tocado pelos murmurios exalados pelo vento em revolta. Num
reascimento improvavel sinto a salvacao... Acordo com o sorriso da ilusão viva em mim.
Significados... Significantes insignificantes... Numa musica que me soa distante cercado pelos rostos deconhecidos de todos os dias reabro os olhos tocado pelos murmurios exalados pelo vento em revolta. Num
reascimento improvavel sinto a salvacao... Acordo com o sorriso da ilusão viva em mim.
Esquecido
Nada é casual neste mundo de indiferença factual. A chuva que se entrega a calcada traz-me palavras distantes que antes trocadas eram com o papel numa cumplicidade intima de amantes reconhecidos pelo prazer que sentem na entrega mutua. Em uníssono tudo nos era dado nesses instantes únicos de mistério e magia pagã. O sorriso livido de felicidade total que se prostrava sobre a cã folha no frenesim próprio de aguarda pelo toque libertador. Momentos de poesia sem rima entre dois seres viventes numa realidade só sua. União perfeita na sintonia de movimentos irrefletidos a que ambos se entregam, sem complexos, buscando o etéreo prazer do outro no próprio prazer do toque do outro sentido. Sensualidade sem limites ou fronteiras definidas na indefinição dos dias. Noto-lhe o ciume que tenta não desvendar na ausência de linhas. Mas sabe... Sente... Tudo... A minha amante tenho traído... A fonte do meu desejo tenho omitido.... Da minha paixão esquecido... Tenho trocado a pureza inocente da folha de papel pela virtual tela branca... Ando esquecido do que realmente é importante em mim.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Narrações
Esqueço a ilusão no verde que cobre as vinhas ansiosas pelo néctar que vira suspenso. Penso, comparando, na simetria inversa que noto numa vagem, que seca vive presa ao sabor do vento. Medito nos proa e contras que iluminam o transitar dos dias. Os ganhos... As perdas... As vitorias... As derrotas... Encontro estimulo vital no renascer que vejo em cada ideia que me invade para ser esquecida quando não é anotada. Tenho perdido frases... Textos... Narrações inteiras... Tudo tenho perdido pela indisposição que tantas vezes me invade e remete para a frieza cobarde da quietude. A luta que insisto manter com meu ser na minha dualidade instável. Instigo em vão meu pensamento a nada perder na busca da sua vontade... reconheço os ecos sombrios das limitações temporais que constroem o meu quotidiano entre quatro paredes... Mas tento... Tento constantemente olhar para la da parede que solida, se ergue austera diante de mim, focando sua função na
intransponibilidade mesquinha. Consigo tudo ver... Consigo contemplar a vontade imensa que guardo em mim.
domingo, 9 de maio de 2010
Gracejo
Gracejo da clara epifania aberta no rasgar de um céu que permanece fechado no chilrear pleno de vazio de um pássaro. Desmonto preto no branco o cinzento chuva do tanto que vejo, colocando minha visão muito para lá que a minha vista alcança... Em solene dormência assim permaneço imóvel...
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Gala
O amanhecer despertou distante num sussurro frio do vento brando que passou sem olhar para trás. A calmaria aparente que na superfície do meu ser se espraia, contrasta com a correnteza de ideias tormentosas que esvoaçam livres. Cavalgo a brisa onde reencontro sorrisos que deixei enterrados no fundo da memoria. A fuga que latente implora pelo cumprimento da sua vontade torna-se sufocante. exige. Por qualquer razão que desconheço perseguem-me, como se quisessem assinalar a existência em mim com a gala de algo que inacabado exige seu fim.
Demónios
Acordo numa impiedosa colisão frontal com a realidade factual. Porto de abrigo que em desnorte me faz sentir encalhado no meu sul, sufocado na distancia. Fujo... corro caindo... Sinto todos os tropeções das palavras que diante de mim se revelam. Tremo. Grito. Calo. Rasgo palavras. Queimo frases. Omito a dor sorrindo. Omito-me. A alegria que não sinto é elevada à divina condição de tudo o que imperceptivelmente é rasurado com o esquecimento em mente. Estabelecendo diálogos com a calcada, que irregular, tantas vezes me viu passar, acelerado, numa máfica estagnação. Solto frásicas esmolas paliativas na minha mente convencendo-me de mil e uma causas e efeitos. Positivo o negativo. Desço aos confins do meu inferno. Torno-me Fausto estabelecendo mil pactos com os meus demónios, ambicionando a união dos fragmentos da minha alma, que dispersos, divagam ao sabor do desassossego. Discutível a ambição terrena de querer ambicionar ser dono de mim.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Acordado
A colisão entre mim e a sucessão de cansaços sobrepostos antecipam a minha vontade de fuga para o impossível. Pretendo o descanso que não tenho afogado na salubridade de palavras antigas, que ressequidas metalicamente regressam ao meu presente. A dor de cabeça que preenche os meus sentidos de uma propensão para o impossível... para incessantemente buscar o infinito num horizonte imaginário onde o ruído pagão da cidade reclama suas prioridades no babilónico cruzamento de mil conversas isoladas. A cacofonia destrói a ordem fractal matematicamente imposta ao caos. Adormeço acordado nesta amalgama de palavras na esperança de gritar o silencio que não encontro em mim.
Impregnados
Persisto na insistência das palavras que escuto de gritos que em surdina me segredados são a alta voz. A consciência ainda dormente da noite tece suas próprias considerações sobre a pedra basilar sobre a qual alicercei meu querer. A destruição, num lento e premeditado trabalho de sapa, do ponto mais fulcral que de apoio a alavanca do meu ser servia e por demais evidente. Fechei-me entre paredes invisíveis sem qualquer saída de um rosto fechado que ostenta um sorriso que tantas vezes não é sentido. Procuro dominar a cadencia de pensamentos inquietos em culpas impregnados. Procuro... Procuro calar a revolta que sinto em mim.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Resumo
Revejo o decorrer de linhas passas no transcorrer leve do tempo. Minhas palavras mudaram. Perdi o traço fino onde recortava meu dia a dia de forma inspirada em detrimento do grosseiro, disforme, primário, áspero, onde sinto, à distancia de semanas já passadas à muito, a rugosidade medíocre de um decaimento. Perdi o rasto às cores numa apatia atípica para a grandeza que outrora julgava minha. Perdi o tom inexistente dos sonhos que um dia ambicionei alcançar tomando o céu proibido como limites físicos da minha tela. As pinceladas de meu ser perderam o nexo e a rima numa fuga que imperceptível fui adormecendo de indiferença. Resumo minha raiva em torno de mim sentando minha cegueira to trono da culpa solitária, oferecendo meu ser a todas as ilações que me tormenta o tempestivo existir. Recuso a culpa argumentando, num contra senso sólido, a negação da minha inocência... Refuto em defesa própria afirmando minha não culpa nas provas que deixei fugir por imaturidade pueril. O silêncio solarengo do ridículo acorda-me para a realidade dos factos. Julgo-me ainda perdido nas culpas do tempo que deixei perder em mim.
Inabitável
Procuro o equilíbrio na insatisfação de sol negro tingida. Torpe, ergo-me sustendo uma inspiração longa, profunda e gutural como que querendo reter todos os saberes dispersos no ar ainda puro da manhã. Expiro sem guardar em mim recordações significativas da sacralidade intima que buscava. Retomo a consciência da respiração pesada que revibra meu espírito a cada arfada de fogo que liberto. Tento olhar para a folha de papel na branca planura do seu sentir virgem, aguardando o toque ímpio do negro da tinta. Contenho o fervilhar que sinto querer se desprender em traços grosseiros. Sinto-me inóspito... Inabitável... Mas na minha insípida dimensão tomo as cores que encontro no teu olhar. Clarifico o negrume sombrio no teu sorriso. Talvez busque a negação pela distancia aos sonhos perdidos que encontro na redenção que o pensar em ti me da. Não nego a tua presença constante mim apenas receio perder o que resta dos meus em mim.
domingo, 2 de maio de 2010
Calmaria
Vivo na ambiguidade nua de uma guerra aberta entre duas vontades em mim. Entre o laxismo misericordioso e a revolta primaria, que áspera, adensa o raciocínio em busca da leveza rude. Não nego a presença em mim de tanto que me perturba. Não escondo a ansiedade infantil de algo doce que se perfila diante do meu destino. Reclamo meu direito ao sorriso temente da insegurança que me sustenta os dias. Calo... Acalmo... A calmaria de tempestade vestida de olhar profundo, em vida plena emerso onde afogo meu tempo.

