segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ardor

A noite perde-se no faiscar verde do semáforo que distante parece abrir o caminho a mais um dia. Ilumina-se a noite não se fazendo dia... questionando que linguagem é esta em mim que desconheço o vocabulário. Que gritos escuto nos sussurros que exalados são do meu esprito... Mera calçada em que as pedras mais não são que um exercito de blocos de letras esculpidas sem arte numa demagogia infinita. Martelar, cinzelar com qualquer aparo, para criar uma superfície irregular de pensamentos e emoções sobre o manto branco humedecido por um querer maior que eu que tudo contem. Não me contenho. Tento reter o que não vejo. Ler de olhos fechados meus pensamentos... Aventuro-me pelos sentidos no silêncio da noite tocando minhas emoções... Escrevo... Mesmo não querendo escrever faco-o. Eu sou um mero joguete do meu Eu. Obdeco-lhe. Mais forte que eu insiste fazer valer constante egoismo da sua vontade. Quero descanso... Quero parar... Nao consigo. Tento esquecer meu próprio eu largando-o algures no tempo... Revejo sonhos antigos. Tormento... Tortura... Este inferno só meu que à minha pele se cola qual lacre derretido... Selado em mim consome a minha sanidade... Sinto o ardor das suas queimaduras sob a minha pele... Hermeticamente fechado em mim... Sem panaceia para esta dor resta-me a conviver contrariado... Nem sempre e assim penso... Talvez... Nos dias em que a máscara e eu estamos em sintonia tudo faz sentido em mim.