terça-feira, 11 de maio de 2010

Esquecido

Nada é casual neste mundo de indiferença factual. A chuva que se entrega a calcada traz-me palavras distantes que antes trocadas eram com o papel numa cumplicidade intima de amantes reconhecidos pelo prazer que sentem na entrega mutua. Em uníssono tudo nos era dado nesses instantes únicos de mistério e magia pagã. O sorriso livido de felicidade total que se prostrava sobre a cã folha no frenesim próprio de aguarda pelo toque libertador. Momentos de poesia sem rima entre dois seres viventes numa realidade só sua. União perfeita na sintonia de movimentos irrefletidos a que ambos se entregam, sem complexos, buscando o etéreo prazer do outro no próprio prazer do toque do outro sentido. Sensualidade sem limites ou fronteiras definidas na indefinição dos dias. Noto-lhe o ciume que tenta não desvendar na ausência de linhas. Mas sabe... Sente... Tudo... A minha amante tenho traído... A fonte do meu desejo tenho omitido.... Da minha paixão esquecido... Tenho trocado a pureza inocente da folha de papel pela virtual tela branca... Ando esquecido do que realmente é importante em mim.