sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dimensão

A dimensão do meu sujeito narrativo colapsou. Não consigo escrever. Não quero escrever. Não tenho ideias... Não tenho palavras... Apenas um leito ressequido me serve de cicatriz para a memoria do que outrora fora um caudal constante de multiplas emoções onde as palavras ostentavam a sua presença. Respiro. Mas o cansaço que me consome invariavelmente clama vitoria na minha derrota. Alheado ao redor denoto como reduzida esta a minha capacidade sensorial. Não me merece o sentir. Uma lobotomia frontal com ablação do córtex frontal. Estagno num sol que me queima e desespera. Inspiro... Expiro... Numa ciclicidade medieval. Tento domar a exaustão respirando. Invadido sou pelo odor pungente do ambientador que em vez de naturalizar os restantes assume a sua nauseante existência. Não me concentro. Disperso-me... Aglutino minhas ideias diluindo-as na indolente reflexão de mim.