terça-feira, 20 de abril de 2010

Duo

Nado contra a corrente que me consome as forcas que me restam. No desgaste impiedoso que me invade desvio a face do inevitável... Sou arrastado na correnteza, onde sem vitalidade continuo a esboçar a resiliência que sei já não habitar meu peito. Reajo por instinto. Tento em inspirações profundas reter alguma energia. Reciclo emoções em mim já vividas.... Trituro-as numa moagem de granularidade bem fina na mo do meu sentir... Revivo nesse instante o pano de fundo negro de um pensamento presente que se quer ausente. Calo, brandindo os segredos de uma vida por mim não vivida. Passadas perdidas entre os claustros de um querer que assombra com seu rigor meu espírito em cada ecoo que me fere o silencio. Maldito... Cada dia compreendo  por tantas serem as ideias menos o que escrevo. Ou penso. Não sei o que pensar mas não consigo parar de o fazer por tantas serem as ideias que violam meu espaço, numa perseguição alucinante pelos terrenos inóspitos do meu ser. Por vezes creio em sonhos não vividos. Questiono quem serei... O mais grave quantos serei. Nem sempre sobre o mesmo escrevo. Nem sempre as palavras que de mim são vertidas tem o mesmo sabor. Nem sempre são iluminadas pela mesma luz.... Nada... Este nada ser de tantos que tanto me ocupa esventra-me com piedosa indiferença. Quem serei quando escrevo. Serei sempre o mesmo? Mudo? Alterno entre a mascara e o Eu Mesmo?  Sou todos... Pois todos são parte de mim.