terça-feira, 13 de abril de 2010

Não

Não quero mais ouvir o pingar metálico das palavras que perturbam a calmaria aparente do meu ser. Quero a poesia de um quadro inacabado... Ou um texto de uma só palavra, que incompleta, tudo diga. Quero o impossível... Na possibilidade que reconheço omissa. Quero o interminável... Terminando o que sei não iniciado... Quero o indefinível.... Definindo o que sei ser finito... Quero a magia de um sonho que não me lembro ter sonhado... Quero ser incompreendido pela compreensão rude da lógica fria... Quero... Quero resguardar minhas palavras da tortura barbara de ideias estereotipadas do pensamento imediato. Ouvir o a tinta pacificadora embalar o papel num abraço de intimidade fugaz.... Escrever mil imagens sem nexo e nelas somente encontrar a ordem no que não vou ver... Ver o por do sol do solstício distante reflectido numa gota de orvalho que teima vingar sua presença contrariando a lógica natural do seu ser tatuada em mim... Ler meus pensamentos nas linhas que não vejo traçadas pelo destino em mim.