sábado, 17 de abril de 2010

Derrota

Não escuto o silêncio pois acordei nos restos do ruído despertado na incondicional vontade que me escapa. Observo o amanhecer tardio de um amanha já tido como passado, procurando dias sem nome que a partida sei não existirem. Assumo a fuga a uma realidade desinteressante na certeza da incompreensão descontextualizada. Rasgo a fina membrana que me separa da aquosa sinceridade que ambiciono. Escondo-me por trás do espelho estilhaçado da minha inverosímil presença. Desapareço. Renasço morto nas cinzas do ontem presente, numa comédia de humor duvidoso... Cerro os olhos... Desmultiplico a multiplexagem da vida que em mim carrego. Inspiro o sol da manha trazendo a paz da escuridão a luz agressiva. Bebo o ar ainda frio com uma sofreguidão renovada. Acordei. A realidade triunfou sobre os sonhos em mim.