Traços
A frieza inóspita presente na ausente alegria vive de uma indolência lúbregue. Invejo a liberdade inscrita nos traços deixados no céu pelo passar do aviões rumo ao seu destino previsto. Calo no silencio a rima da minha cegueira. Na verdade sou contemporâneo do futuro ja passado em mim próprio. Consigo somente pensar nos sonhos que deixei morrer. Dar-lhes o meu ultimo respeito. Revisita-los no sepulcro para o qual lancei. Deixa-los. Visitar com uma frequência cada vez mais reduzida. Esquecer a sua existência... O odor a alegria da sua presença... Negar ao meu próprio eu umas quantas ideias que comigo viveram nestes últimos 38 anos... Deixar respeitosamente uma vela a zelar pelo seu repouso perdido nos confins da escuridão em mim. Custa-me... Verto lágrimas secas que me humedecem a face perante esta ideia. Quero não querendo... Não quero querendo... Adia-los não é uma solução... Ate quando?... Mais ainda? A lógica mata-me a emoção... A fuga para o silêncio da noite pintada nas luzes distantes e turvas pela adrenalina do conduzir já não me satisfaz. Apenas procuro a paz para os sonhos que não encontro nesta realidade em mim.
Novo dia se inicia
Sem o som
Que na surdez
(da minha imaginação)
Ontem ouvia.


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