quinta-feira, 6 de maio de 2010

Demónios

Acordo numa impiedosa colisão frontal com a realidade factual. Porto de abrigo que em desnorte me faz sentir encalhado no meu sul, sufocado na distancia. Fujo... corro caindo... Sinto todos os tropeções das palavras que diante de mim se revelam. Tremo. Grito. Calo. Rasgo palavras. Queimo frases. Omito a dor sorrindo. Omito-me. A alegria que não sinto é elevada à divina condição de tudo o que imperceptivelmente é rasurado com o esquecimento em mente. Estabelecendo diálogos com a calcada, que irregular, tantas vezes me viu passar, acelerado, numa máfica estagnação. Solto frásicas esmolas paliativas na minha mente convencendo-me de mil e uma causas e efeitos. Positivo o negativo. Desço aos confins do meu inferno. Torno-me Fausto estabelecendo mil pactos com os meus demónios, ambicionando a união dos fragmentos da minha alma, que dispersos, divagam ao sabor do desassossego. Discutível a ambição terrena de querer ambicionar ser dono de mim.