terça-feira, 4 de maio de 2010

Inabitável

Procuro o equilíbrio na insatisfação de sol negro tingida. Torpe, ergo-me sustendo uma inspiração longa, profunda e gutural como que querendo reter todos os saberes dispersos no ar ainda puro da manhã. Expiro sem guardar em mim recordações significativas da sacralidade intima que buscava. Retomo a consciência da respiração pesada que revibra meu espírito a cada arfada de fogo que liberto. Tento olhar para a folha de papel na branca planura do seu sentir virgem, aguardando o toque ímpio do negro da tinta. Contenho o fervilhar que sinto querer se desprender em traços grosseiros. Sinto-me inóspito... Inabitável... Mas na minha insípida dimensão tomo as cores que encontro no teu olhar. Clarifico o negrume sombrio no teu sorriso. Talvez busque a negação pela distancia aos sonhos perdidos que encontro na redenção que o pensar em ti me da. Não nego a tua presença constante mim apenas receio perder o que resta dos meus em mim.