sexta-feira, 14 de maio de 2010

Convicto

Caminho entre o chilrear animado de alguns pássaros que matinais quebram a melancolia ruidosa do alcatrão invasor. O grasnar passageiro de um corvo eleva a consciência em mim do nada presente. No frio a coluna etérea, que na vaporosa transparência de uma existência só minha une o céu e o inferno que habitam meu ser numa mistura heterogênea, toma finalmente forma. Convicto, avanço rumo a mais um dia ameaçado por um sol chuvoso. Sinto no ar mil pensamentos densos. Tensos pela derrota exigem as palavras que rarefeitas me inibem a respiração... Sufocado pela dispersão do cromatismo binário corto o umbilical fio que me liga a ilusão... Consciencializo a necessidade da razão sórdida que tanto desprezo.... Caminho entre o verdadeiro e falso num talvez díspar da minha razão. Consumo meu espirito no fogo de mil correntes que me prendem ao real... Impedido de voar evito pensar mais neste dia cinzento em mim.