quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ecoar

Os dias acordam lentos e angulosos. Perturbam meu descanso. Sinto passar entre as janelas de vidros estilhaçados, pelos tropeções nas pedras da calçada da vida trilhada, o ecoar do calor do meu sentir. O som dos olhos meus plenos de lagrimas secas, não vertidas, que humedecídas foram num sorriso sem sentido de ser. Colho a ilusão orvalhada pela frescura silenciosa da manha. Vejo o passado demasiado presente... o presente excessivamente distante... O futuro... Não o quero... Renego-o... Vocifero algumas palavras sem sentido para o
interior de mim, querendo estremecer os alicerces da dormência. Despertar a inconsciência na consciência... Rasurar ideias, fazendo-as sobressair, cobrindo-as, com um marcador invisível apenas visível pelos meus olhos. Quero... Quero calafetar meu pensamento. Reter todas as ideias em mim... Não perder nada... Quero... Agitar o querer.