quinta-feira, 20 de maio de 2010

Facilitismo

Não temo a fraqueza das palavras com que escrevo... Ou tão pouco a ligeireza das frases que as compõem... Mas receio a falta de robustez das ideias que lhes assistem. A tentação do caminho mais fácil... O facilitismo herege... Absorvo... Absorvo tudo o que penso... Mesmo tudo o que esqueço ou vou esquecendo permanece em mim. Adormecido mas vivo. Nada morre. Vão e vêm as ideias como as ondas de um mar bravio. Incontrolável... Sem ordem. Onde o refluxo da rebentação subsequente tudo arrasta para o seu interior de pois do espraiar já tudo ter arrasado. Onde a rebentação exige-se ouvir... Onde cada grão de mim, numa unicidade solitária, escuta cada ensinamento como se um todo fosse aglutinado pelo cimento do sentir. Inquieta meu espírito o deixar de ambicionar... Minha ambição primaria foge ao conceito empregue... Ambiciono ser quem sou... Sentir... Eu ambiciono os meus sonhos. Esses fragmentos do meu puzzle que insistem em não se deixar encontrar nesta caixa que e o mundo. A representação iconográfica do meu ser surge inacabada qual tela que somente algumas pinceladas sobre ela foram dadas com desdém... Procuro completar-me... A minha eternidade o meu nano-segundo... O instante em que os sonhos se realizem em mim.