terça-feira, 18 de maio de 2010

Eléctrico

Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos ou sejamos luz, sempre a mesma noite"

Acordo nesta madrugada de silencio encapotada sem sono. Desperto... Intenso... Eléctrico... Aproximo-me de uma janela que fechada grita pela sua liberdade guardada. Acedo... Olho a paz da cidade dormente na sua inconsciência, consciente que metros acima da rua ferve meu sangue no lume infernal da ansiedade. Beijo a brisa leve que me cumprimenta a face lavada da insónia. Cedo, cedo à dança macabra que já por mim aguardava impaciente no seu egoísmo torpe. Solto os demónios em mim contidos... Escuto as suas passadas no palco de mim... Entrego-me...Mero fantoche sou dos desígnios da super-nova que em mim habita. Os demónios puxam por mim... Chamam meu ser a sua presença. Seguram minha mão e dirigem-na, sem oposição, para o instrumento de escrita que repousa tranquilo sobre uma folha de papel ainda virgem de sentimentos. O estilete de tinta cortante ergue-se do seu descanso. Raspa com suave rudeza, por anos de sentires descritos, a superfície irregular. Escuto em cada palavra a tua voz... O teu riso... Olho-te nos olhos... E digo és a luz na sombra do sorriso em mim.