quinta-feira, 27 de março de 2025
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Esquecer.
Esquecer é lembrar. As memórias existem para serem esquecidas. Mas no virar de esquina inerente a cada esquecimento guardamos a lembrança do fragmento que perdemos. Contradigo-me.. Nada é verdadeiramente eterno ou efémero... Que esquecemos verdadeiramente? As nossas memórias esquecidas nada mais são que omissões premeditadas que, numa secreta votação, o nosso ser condena ao ostracismo. Somos e seremos feito de esquecimento. Nada mais nos interessa que esquecer relembrando as memórias perdidas.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
(Re)Acordar
Revisito o passado num sorriso. Verto ideias dispersas. Regrido numa evolução em torno de imaginário envolto numa penumbra luminosa. Escuridão solarenga. Sou Eu Mesmo. Com este todo em mim sem nunca nada sendo. Que me resta do sorriso? Nada. Que sobra nesta frase? Tudo o que não é possível escrever.
Viver em torno do sentir aproxima-me de quem serei esquecido de quem não procuro ser.
O Caos Da Vida renasce.
A negra tinta de mim volta a percorrer as minhas veias de palavras que urgem ser ditas.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Beijo(s)
Cerro os olhos no divagar de um beijo solto na aragem que te ilumina... Concedes-me um sorriso de sentir pleno. Projeto esta imagem de um sonho palpável reflectido diante de mim. Na penumbra da cegueira, acendo mil cores, confiando na realidade ilusória desta miragem que tarda em se tornar palpável. sinto nesta imaginação que o meu ser transborda no rubor de teus lábios... O seu sabor elevam meu espírito... O toque suave do seu contacto inebriam-me. Deixo-me levitar... Sem pressa entrego meu ser ao infinito de um pôr de sol longínquo. Embalo no rumor da ondulação... Adenso o abstrato... Gravitamos num vórtice em torno da cumplicidade da pertença... Tocamos a intimidade na efemeridade de uma fracção de segundos multiplicados pelo desejo. Envolto no surrealismo deste movimento abro os olhos... Desperto num pensamento:
"Nada sobra da ilusão na realidade de um sonho acordado..."
domingo, 13 de maio de 2012
Tarde
A tarde abafada, que gravada no céu pronuncia uma trovoada (des)esperada. Deixo-me entregue a umas notas de Lee Hooker num travo de Rum cubano marcado por um compasso de um cigarro sorvido numa mistura de sensações.
Despertar letárgico para o entorpecimento de um sorriso sonhador.
Despertar letárgico para o entorpecimento de um sorriso sonhador.
Viagem ao mundo que ao longe vislumbro em mim entre o sinal de um olhar verde de esperança, numa imersão psicotrópica de quem tem o vício da imaginação.
Penso apenas...
O que não quero esquecer em Mim...
(freneticamente...)
Procuro encontrar em Ti
Perdidas as horas... Sinto recuperado tempo em mim.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Onde?
Se "nunca existe verdadeiramente um fim apenas um novo início..." e "Que tudo o que se inicia tem um Fim?"
Por onde (Re)começo?...
Pelo Fim? Sendo que não o foi?
Pelo Início? Sendo que não o é?
Pelo meio? Sendo que não o sei?
Por Onde?...
Para Onde?
"Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"
Lavoisier dixit
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Ter
Alguém disse... "Tudo vale a pena se a alma não é pequena." O Ter Paz. O Ter Felicidade. O Ter descanso. O Ter tem uma conotação imperativa ufana maquiavélica pagã. Mas em tudo o que em nós reflecte um desejo mais sentido o Ter acaba por mostrar a solenidade da pureza simples de tudo o que não temos.
Fugas
"Deixai-me fugir." imploro em vão ao meu ser. "deixai-me não mais acreditar!!!... Não mais sonhar!!" Rogo ajoelhado perante meu reflexo. Sem mais. Sem grande alarido. Calado. Etilizado. Dormente. Apenas assim consigo combater meu crer... As memorias ou os sonhos ou as sombras destes. Rasgo figurativamente meu peito num grito lancinante que, tardio tem o sabor de um desejo disperso de liberdade. O odor ansioso do nada. A minha republica de verdade erguida soa agora a um total desengano em minhas asas infligido. Os meus sonhos sabem a um sucedâneo de um sorriso que não me mata a fome da alegria. Frígido gostava de ser perante a impotência das escolhas que à minha vida são impostas... Prefiro o vazio ao Caos da Vida dos reflexos que habitam em mim.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
Regresso
Vou desistir... assumo... a derrota frontal e categórica... a rendição incondicional... Agora quero apenas que o céu se rasgue... Verta todo o mal de uma vez por todas sobre mim... Estou farto da cegueira e das contrariedades. Das repetições... Dos ciclos... De tudo o que se prolonga eternamente no meu cansaço de viver. Todas as cousas têm um sentido diz-se... Qual o meu? Revejo as situações que me afogam numa agonia cíclica... Sempre igual... Sempre arrasadora. Hoje voltei a ouvir o mar com vontade de esquecer as palavras, na expectativa que, o sussurro suave da ondulação me embalasse o ser e por momentos me fizesse tudo esquecer. Conseguisse sair de mim. Fugir. Divagar sem rumo pelos instantes vindouros de alegria... Infinitos... Desejados. Sem sucesso. Voltei a olhar para o nascer do sol em busca de luz no meu caminho... Sem sucesso. Perdi o rasto às palavras escritas. Perdi o rumo a esta escrita que não tem intenções de o ser. Perdi-me... Novamente. Porquê? Porquê franquear a couraça que ergui em meu peito para reviver tudo novamente? Penso no ridículo, numa conspiração universal... Na pena a que condenados estão os que acreditam que podem virar as costas ao destino e reerguer os sonhos. Se os sonhos morrem ao acordar... apenas desejo dormir sem sonhar nada mais em mim.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
3D
Tudo agora é 3D. Tudo... Filmes... Televisores... Futebol... Tennis... Em tudo a ficção buscamos o real. Na virtualidade fria que nada diz procuramos tocar a realidade. Tê-la no conforto da nossa casa. Contemplamos a vida através de umas lentes de um óculo policromático... sentados viajamos sem nos mexermos... Temos todo o mundo concentrado ao alcance da nossa mão num comando que nos comanda que nos guia o destino. Conseguimos finalmente buscar no virtual a realidade. Somos ridículos enquanto espécie... Dentro de pouco tempo podemos nos maravilhar com o romantismo da chuva sem nos molharmos... Tudo... É burlesco... Satírico... Regressivo... Repulsivo... Incólumes conseguimos percorrer o mundo inteiro num único dia... Ver o nascer do sol algures numa ilha tropical... Vislumbrar o pôr do sol algures num deserto e ainda termos tempo de vermos uma aurora boreal antes de desligarmos do estado vigil... Tudo é falso... Hipócrita... Mesquinho... Inútil... Requentamos ideias... Revemos vivências... Tudo em 3D. E o resto?... Os odores? O calor? O frio? Os sabores? O tactear... O sentirmos o incómodo da areia escaldante sob os nossos pés? Ou a textura de uma folha em nossas mãos... Ou o beijar do vento? Que fazemos a essas memórias? Onde as vamos compensar?... No conforto do sofá solitário, a avareza triste de um arrependimento esquecido de ser sentido desligamos o nosso ser em torno do nada. Os nossos olhos têm uma resolução de 250000000Mpx... Mas mesmo assim preferimos uma televisão que não chega aos 1mega pixels... Injusto... Desprezível... Penso em todas as pessoas que nasceram ou ficaram cegas. Todas essas pessoas que pensaram elas desta nova realidade? Se há 250 anos vivíamos sob a égide do realismo cruel, que na sua indiferença podia ceifar toda uma família com uma simples constipação... Agora que à realidade nos tornamos imunes vivemos uma socrática alegoria da caverna num terceiro milénio de indiferença..
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Branco
As palavras que colhidas pelo vento em meu espírito encontram-se tingidas de um branco derrotista. Sinto na aragem turbulenta o olor da rendição total. Mesmo tocando a folhagem viva da copa das árvores, o sabor fresco matinal do renascimento condensado nas gotas leves do orvalho, insiste em não lhe dar uma graça divina. Vaporosa a condição que se escapa intransigente entre as frinchas do meu querer. Resumo-me a meia dúzia de palavras numa calma irrequieta que me transborda numa prece sussurrada. Numa deriva de fragmentos soltos procuro o bombordo, a margem, saltando entre cada da um na vã esperança de o conseguir. O passado objector e o presente abjecto, em diálogos ásperos, que não consigo escutar, conspiram contra o meu futuro. Travo mais um pensamento. Percorro a minha calçada num passo que, silencioso roça o sombrio, numa progressão geométrica contida. Evito... Evito todas as ideias que me consomem a atenção. Ilegítimo calcorrear sem direcção, que me promove os dias à invisibilidade de um caminho que vou percorrer insatisfeito por saber seu (meu?) destino já definido em mim.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Trezentos
I - O Sonho
Passados trezentos post's continuo na minha demanda... a busca do encontro no desencontro que um dia ousei eventualmente encontrar um fim. O meu olhar contempla a luz que vejo emanar por um misero buraco de agulha de meu ser onde vejo o paraíso volátil dos meus sonhos. Não glorifico o desencontro... Fazê-lo seria resignar o meu espirito a uma derrota total... Seria negação de tudo o que julgo magico. Seria o meu fim. Mas a chama tremula da palavra esperança, que em mim impera, crepita fraca em mim enchendo-me de sombras, como que aguardando um último suspiro... Um último folego... Ou um sorriso que faca renascer a gloria de todo o seu esplendor. Algo... Qualquer coisa... Tudo! O que quero... O que ambiciono! O que esqueci! O que não esquecerei! Quem jamais vou esquecer! O pôr-do-sol que num solecístico ancorado num sorriso tanto diz!
II - Presente
O que consegui? Em trezentos textos penso em todos os que perdi... Os que não concluídos foram obliterados pela simples razão de essas mesmas palavras, nesse dia especifico, não as sentia como minhas... Os não transcritos da sinceridade do papel... Os que na minha mente elaborei e joguei ao esquecimento sem qualquer remorso... Quantos seriam agora... Quinhentos?... Seiscentos?... Nem sei... Mas que cada palavra aqui dita foi parte de mim, no instante em que a senti, no momento em que a minha mão, obedecendo ao jugo apaixonado da minha emoção, a tracejou. Nada me parece como revisitado, apesar de ter uma certa sensação de repetição... Mas... Em cada dia a sensação foi única... Cada dia e único... Pelo que as palavras foram únicas. Se voltaria a escrever o mesmo pelas mesmas palavras?... Impossível... Jamais... As emoções persistem mas as palavras duram apenas o instante em que fazem sentido qual as gotas de chuva... Aparentemente iguais mas todas diferentes únicas, com a sua historia para contar. preenchidas com a sua verdade precipitam-se sobre o desconhecido com força redobrada... sente-se a calma do saber ancestral que se apagou nos confins da indiferença. Tanto de mim foi escrito em torno de um pôr de sol... Tanto de mim foi escrito na ausência presente da luz que me ilumina.
III - Futuro
Qual o futuro para as minhas palavras? Para os meus textos? Para o meu livro?... Continuarei a escrever? Perderei este querer em escrever? Encontrarei um fim para o Caos da Vida? Apaga-lo-ei? Escreverei finalmente o Meu livro? Desistirei dessa ideia? Neste momento não encontro respostas... Apenas questões que assentam em mais interrogações... Indefinições... Em cada das minhas palavras gostava de ver uma gota de chuva... em cada um dos meus textos gostava de sentir a correnteza da da chuva que não se vê... gotas de orvalho num dia de sol abrasador... a magia das brumas que escondem o futuro... A realidade da ilusão toma a forma das palavras que não digo... que calo... que me inquietam... que me levam a escrever mais do que vou sentindo em mim.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Palavras Sem Data II
IX
Pareces cansada... Sem brilho... Que tens? Que aconteceu? Parece que o sol deixou de brilhar sobre ti...Como se a lua se tivesse olvidado da tua existência... O vento já não te abraça... Precisas de alguma coisa? Na minha cobardia lanço nas palavras o que não consigo te perguntar... O que me escapa e gostava de saber... Não sou curioso... Talvez um pouco, roçando o muito... Mas preocupado sempre... Algo stressado até... muito. Mas no bom sentido. Arrasa-me ver-te assim esquecida de ti... Culpo-me... Se talvez contigo falasse te sentisses melhor... Talvez conseguisse animar... Talvez em teus lábios fosse lançada a semente de um sorriso... Mesmo que ténue... Subtil... Mesmo que passageiro. Algo que te afaste das ideias ou do sentir que mutila o teu sorriso divinal... Sinto-me triste com a tua aparente tristeza. sinto-me Impotente... Incapaz... Miserável. Porque a tristeza não é um objecto que possa ser passado de mão em mão? Porque não posso carregar esse peso por ti? Que injuta é a realidade quando em tua face não vislumbro a dinvidade que me apaixona. Não me sinto em mim sem ver um sorriso em ti.
X
Quantas horas passas dentro do teu carro? como consegues te apartar assim? mas... pelo menos quando entro consigo te ver. consigo saber que estás aparentemente bem... preocupas-me... vejo-te como prisioneira de algo. de ti... conjectura insana bem sei... mas esteve um dia lindo. o sol estava magnifico, como se te quisesse brindar com toda a sua glória. como se a sua razão de ser fosse a minha... a tua... gostava de te tirar do carro e mo meio de toda aquela agitação pedir-te que fechasses os olhos e pensasses como sentias o sol quando eras criança... ainda te lembras? preocupa-me esse afastamento em ti.
Quantas horas passas dentro do teu carro? como consegues te apartar assim? mas... pelo menos quando entro consigo te ver. consigo saber que estás aparentemente bem... preocupas-me... vejo-te como prisioneira de algo. de ti... conjectura insana bem sei... mas esteve um dia lindo. o sol estava magnifico, como se te quisesse brindar com toda a sua glória. como se a sua razão de ser fosse a minha... a tua... gostava de te tirar do carro e mo meio de toda aquela agitação pedir-te que fechasses os olhos e pensasses como sentias o sol quando eras criança... ainda te lembras? preocupa-me esse afastamento em ti.
XI
És a minha terra... A minha agua... O meu fogo... O meu ar.... Tornas reais os quatro elementos que voam divergentes. Consegues com a tua presença condensa-los num sorriso... Num olhar... Fundes os segundos num instante que curto toma a dimensão do horizonte longínquo do meu ser.
XII
Pinto o vento com o teu nome... Os sussurros que nele escuto vêm plenos da tua voz... Do teu encanto... De ti... Tudo me parece desnecessário... Superfulo... Inútil... Limitado... Alimento meu ser no teu sorriso, mesmo sabendo que não é meu... Alimento a minha paz na candura imaculada da tua voz. Porque não te digo isso? Porque me calo? Cobarde deves pensar... Talvez o seja... Mas mesmo na cobardia de calar o que sinto mostro a coragem em senti-lo. Em vive-lo... Não te posso dar todo o meu ser neste momento... Sou cativo da mentira ímpia... Da fraude suja que me conspurca o espírito... Estou preso as lágrimas, que mesmo as reconhecendo como falsas, fazem-me transpirar a culpa que não tenho. Vivo no algures entre o inferno da mentira e o céu do dos sonhos que em ti vejo reflectidos... Como pode compreender o incompreensível... Como? Como posso querer que acredites em mim se tudo parece demasiado irreal? Como te posso contar isto? Como? Como me olharias? Como um monstro? Alguém sem pinga de escrúpulos? Maquiavélico? Compreendes agora porque calo?... porque me remeto a tortura deste silencio que me desconcentra? Arrasa? Destrói?... Mas ao admirar-te elevo-me... Sinto-me... Sou... Eu... Vejo em ti os reflexos que julgava perdidos da felicidade em mim.
Palavras (mais)
Onde quedam as palavras que já não me lembro. Tanto as que escrevi ou em minha mente acometeram o seu grito de liberdade. As palavras que edificadas em frases esqueci. Definham no amarelecer de uma vulgar folha de papel numa progressão lenta em função do tempo... Desfalecem nos confins virtuais do meu blogue sem fuga ou escapatória possível... Questiono a necessidade da sobrevivência... Reconheço que fisicamente todos os corpos tem a tendência de tomar as mesmas propriedades dos líquidos... Escoar... Penso que cada letra cada palavra cada frase desliza no precipício do abandono assim que materializada sob a realidade física que em seu âmago permitiu que ganhasse forma... Corpo... Substancia... Mas vivo no desconforto... Se gosto tanto das palavras porque as combato? Porque me rendo a elas? Porque desprezo a vontade de escrever? Porque tenho esta necessidade compulsiva em soltar na escrita que guardo em mim?... Estou cansado de viver este caos em mim.
domingo, 13 de junho de 2010
Cumplicidade
Existe uma intensidade sincera de cumplicidade na solidão. O tempo ganha a verdadeira dimensão da ausência. A companhia do silêncio reivindica o que mais disperso e desconexo existe em mim. O que de mais puro. Meu ser e continuamente acometido de uma portabilidade transitiva. Mutação multipolar. Transformações constantes que combatem derrotadas pela sua permanecia em mim. Rio... Rios de divagações incoerentes que fustigam todas as ideias plantadas nas margens de quem já não sou mas vou sendo. Pinceladas de olhos cerrados que vulgarmente falhadas na tela que julgo pintar tomam as formas que procuro. A mediocridade da grandeza vil. Em tudo vejo a falha da nobreza épica do querer seguir sonhos que em mim se tornam pesadelos... Queres ilegítimos... Enclausurados no infinito que se estende em mim
sábado, 12 de junho de 2010
Mar...
Não sei sobre o que escrever. Vivo sobre o fervilhar de tantas ideias mas não consigo reter uma o tempo suficiente em mim para a elaborar. Que ocorrência mais tétrica. Padeço da moléstia das ideias. Acordei cedo para ver o mar ainda só meu. Sem partilhar apenas mostro o meu egoísmo nestas alturas... Quero o cantar do mar apenas para mim. Quero que me embale na sua melodia sem que distraia a sua atenção com mais nada nem ninguém. Quero escutar todos os seus ensinamentos, repeti-los em surdina em meu ser... Ouvir a magia do deslizar de uma onda incipiente mas magna a deslizar na santidade da areia purificada por uma noite de paz. Lamento... Lamento as nuvens que cobrem o céu cobrindo o sol com o seu manto de magoa cinzenta. O som das minhas passadas de cadencia indefinida, intromete-se na paz única que preenche tudo de um tom solene. Deixo rasgada a virgindade da superfície do areal com as minhas impressões temporárias, pois sei que amanha o meu registo em seu corpo mais não será que uma memoria levada pelo mar. Deixo ficar quieto e mudo o desassossego numa inspiração longa... O vento sopra a calmaria reinante, julgando-se imperador do meu querer... acaricia-me num beijo prolongado de um sabor que julgava esquecido. Acordo já desperto com um sorriso teu diante de mim.
Palavras Sem Data
Textos não datados... somente escritos.. tão pouco sei qual a ordem dos mesmos...
II
Aguardo, na desculpa de uma nuvem de nicotina, que a porta dos meus sonhos se abra. Exaspero para que a tua presença invada o meu dia de um sorriso que me vem faltando. Abriu. Surges... Mágica, flutuando num andar que me tolda todos os sentidos. Perco a concentração. Desligo de tudo em redor. Elimino todos os sons. Concentro-me na tua voz... Não escuto o que dizes... Não é isso que procuro... Busco somente a melodia do teu cantar no som de cada letra... De cada silaba... De cada palavra... Uno-as em mim num hino triunfante à alegria. Cerro minha face numa cara de poucos amigos... Desculpa idiota para não ser incomodado na vivência do meu sonho. Olho o calor que esfria emanado pelo rubor da ponta do cigarro. Esqueço a falsa luz do sol pois nada me sinto ver... Estou cego pela tua voz...
III
Outra ver o vazio... O nada... Como me destrói o sorrir viver no interior da tua ausência. Torna-me dormente. Sinto-me como um naufrago largado numa ilha deserta sem água ou sombra, vivendo no vazio... Alimento-me das memorias que vou guardando em mim, em cada dia que me iluminas com a presença de ti. Arrasta-se o dia em explicações casuais sem nexo ou sentido. Aguardo o que inicio da noite faça apressar o sentido do seu ser. Pelo menos assim sei que mais um dia clama por acabar com a promessa de te ver.
IV
Hipnose... Tua presença em mim é hipnótica. Concentro todos os meus sentidos em ti. Dirijo numa via de sentido único minha atenção. Absorvo cada gesto como se fosse o ultimo que visse. Mexes num fio que desliza sobre ti despendido. Não me lembro das formas ou cores do fio mas o meu olhar e direccionado apenas para a forma como os teus dedos brincam com ele... A graciosidade complexa de movimentos simples. O prender... O tocar ligeiramente apenas... Observo... Condenso a minha atenção em cada um desses gestos. Foste... Desapareceste por trás da porta que guarda o meu sonho. Fico irritado... Gostava de ter a possibilidade de poder ampliar cada imagem com que me presentas ate ao infinito. Olhar... Devorar o contorno dos teus dedos... Conseguir guardar todos os pormenores que não me são possíveis discernir. Memorizo tudo de ti em mim.
V
Acordei a meio da noite a sonhar contigo. Sinto a culpa da cobardia. engulo a contra gosto mentiras envoltas no papel cintilante de lágrimas. Que posso fazer. Desculpa-me mas as lágrimas mexem demasiado comigo. Queria... Queria tentar algo impossível com o teu nome inscrito. Não me morre a esperança. Não desfalece a ilusão. Mesmo sabendo que nada deveras sentir por mim. Porquê? Porque mexes assim comigo? Porque sinto esta ansiedade. Deveria odiar tudo e todos. Abominar a ideia de voltar a dar a alguém tudo de mim... Deveria recusar dar-me ou fazer do teu sorriso o meu... Mas por uma razão que desconheço arrasas todas as minhas defesas. Invades-me o espírito com alegria. Fazes sorrir todo o meu ser. Quem podes tu ser? A minha ilusão? Perdição? A razão ao tudo que foge em mim? O motivo do meu ser?... Neste instante da minha eternidade sou teu!
Deitei-me a sentir uma leveza que não consigo descrever... Lembra-me da felicidade que sentia em criança antes de qualquer coisa muito boa. Fazes o meu adormecer contente. Despeço-me da consciência com um sorriso rasgado na minha face. Animas meu firmamento. Penso... Como serás? Em que acreditas? Serás calma? Mais stressada? Caseira? Boémia?... Em que pensas nos dias de melancolia? Penso em algo ridículo... Qual o teu clube?.. Benfica?... Divago em considerações desnecessárias e irrequietas em dias insípidos sem te ver.
VII
A ansiedade que me inunda exponencialmente quando estou caminho lembram-me as noites de véspera de natal passadas em criança. Ver-te-ei? Ou não? Peco a tudo que cada dia conspire a meu favor.
I
Vi um espaço vazio enquanto caminhava. Não estás. A frieza da certeza invade meu ser que anseia por te ver. Fecho o sorriso. Acalmo. Sisudo sigo meu caminho. Penso... Em que universo navego em tua ausência... Não no teu... No meu talvez... Demasiado complexo.
II
Aguardo, na desculpa de uma nuvem de nicotina, que a porta dos meus sonhos se abra. Exaspero para que a tua presença invada o meu dia de um sorriso que me vem faltando. Abriu. Surges... Mágica, flutuando num andar que me tolda todos os sentidos. Perco a concentração. Desligo de tudo em redor. Elimino todos os sons. Concentro-me na tua voz... Não escuto o que dizes... Não é isso que procuro... Busco somente a melodia do teu cantar no som de cada letra... De cada silaba... De cada palavra... Uno-as em mim num hino triunfante à alegria. Cerro minha face numa cara de poucos amigos... Desculpa idiota para não ser incomodado na vivência do meu sonho. Olho o calor que esfria emanado pelo rubor da ponta do cigarro. Esqueço a falsa luz do sol pois nada me sinto ver... Estou cego pela tua voz...
III
Outra ver o vazio... O nada... Como me destrói o sorrir viver no interior da tua ausência. Torna-me dormente. Sinto-me como um naufrago largado numa ilha deserta sem água ou sombra, vivendo no vazio... Alimento-me das memorias que vou guardando em mim, em cada dia que me iluminas com a presença de ti. Arrasta-se o dia em explicações casuais sem nexo ou sentido. Aguardo o que inicio da noite faça apressar o sentido do seu ser. Pelo menos assim sei que mais um dia clama por acabar com a promessa de te ver.
IV
Hipnose... Tua presença em mim é hipnótica. Concentro todos os meus sentidos em ti. Dirijo numa via de sentido único minha atenção. Absorvo cada gesto como se fosse o ultimo que visse. Mexes num fio que desliza sobre ti despendido. Não me lembro das formas ou cores do fio mas o meu olhar e direccionado apenas para a forma como os teus dedos brincam com ele... A graciosidade complexa de movimentos simples. O prender... O tocar ligeiramente apenas... Observo... Condenso a minha atenção em cada um desses gestos. Foste... Desapareceste por trás da porta que guarda o meu sonho. Fico irritado... Gostava de ter a possibilidade de poder ampliar cada imagem com que me presentas ate ao infinito. Olhar... Devorar o contorno dos teus dedos... Conseguir guardar todos os pormenores que não me são possíveis discernir. Memorizo tudo de ti em mim.
V
Acordei a meio da noite a sonhar contigo. Sinto a culpa da cobardia. engulo a contra gosto mentiras envoltas no papel cintilante de lágrimas. Que posso fazer. Desculpa-me mas as lágrimas mexem demasiado comigo. Queria... Queria tentar algo impossível com o teu nome inscrito. Não me morre a esperança. Não desfalece a ilusão. Mesmo sabendo que nada deveras sentir por mim. Porquê? Porque mexes assim comigo? Porque sinto esta ansiedade. Deveria odiar tudo e todos. Abominar a ideia de voltar a dar a alguém tudo de mim... Deveria recusar dar-me ou fazer do teu sorriso o meu... Mas por uma razão que desconheço arrasas todas as minhas defesas. Invades-me o espírito com alegria. Fazes sorrir todo o meu ser. Quem podes tu ser? A minha ilusão? Perdição? A razão ao tudo que foge em mim? O motivo do meu ser?... Neste instante da minha eternidade sou teu!
VI
Deitei-me a sentir uma leveza que não consigo descrever... Lembra-me da felicidade que sentia em criança antes de qualquer coisa muito boa. Fazes o meu adormecer contente. Despeço-me da consciência com um sorriso rasgado na minha face. Animas meu firmamento. Penso... Como serás? Em que acreditas? Serás calma? Mais stressada? Caseira? Boémia?... Em que pensas nos dias de melancolia? Penso em algo ridículo... Qual o teu clube?.. Benfica?... Divago em considerações desnecessárias e irrequietas em dias insípidos sem te ver.
VII
A ansiedade que me inunda exponencialmente quando estou caminho lembram-me as noites de véspera de natal passadas em criança. Ver-te-ei? Ou não? Peco a tudo que cada dia conspire a meu favor.
VIII
Escrevo os meus monólogos em jeito de diálogos improváveis contigo que desconheço se alguma vez os iras ler. Que pensaras de mim? - questiono-me invariavelmente se os lesses que ideia assaltaria a tua mente. Deixo de escrever "a quem eu quero bem" e dirijo a palavra a ti, mesmo sabendo a partida que estou condenado a uma resposta embrulhada num fio de silêncio que me silencia o ser. Desequilibrado? Insano? Idiota? Obcecado? Ou apaixonado? Enamorado? De ti? Claro! Porque? Em época de caos trouxeste a meus olhos o brilho que na lua escondido... Ou irremediavelmente perdido o seu reflexo em meu olhar. O verdadeiro sentir de um calor que o sol omite na cegueira cobarde que triunfa em mim no hoje em dia. Mas que pensas? Que te dizem as minhas palavras? Não me respondes bem sei... Mas gostava de ouvir na tua voz as palavras que não posso escrever. Gostava de conseguir libertar-me da gaiola segura destas linhas, abrindo as asas em diálogos contigo.
Escrevo os meus monólogos em jeito de diálogos improváveis contigo que desconheço se alguma vez os iras ler. Que pensaras de mim? - questiono-me invariavelmente se os lesses que ideia assaltaria a tua mente. Deixo de escrever "a quem eu quero bem" e dirijo a palavra a ti, mesmo sabendo a partida que estou condenado a uma resposta embrulhada num fio de silêncio que me silencia o ser. Desequilibrado? Insano? Idiota? Obcecado? Ou apaixonado? Enamorado? De ti? Claro! Porque? Em época de caos trouxeste a meus olhos o brilho que na lua escondido... Ou irremediavelmente perdido o seu reflexo em meu olhar. O verdadeiro sentir de um calor que o sol omite na cegueira cobarde que triunfa em mim no hoje em dia. Mas que pensas? Que te dizem as minhas palavras? Não me respondes bem sei... Mas gostava de ouvir na tua voz as palavras que não posso escrever. Gostava de conseguir libertar-me da gaiola segura destas linhas, abrindo as asas em diálogos contigo.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Seis Anos
A noite foi arrasadora. Relembrei a sucessão de acontecimentos ocorridos à seis anos atrás. o tempo parou no tempo. Mal dormi. Acordei praticamente à mesma hora do tal telefonema que nunca suspeitei receber. Sinto todo o meu corpo dorido. Estou doente. Estou apodrecido nesta árvore seca de mim. Não me esqueço. Lembro-me perfeitamente da agitação. Da noite vivida. Do que vi. Do horror de te ver inerte. quieta... Abandonada de ti própria. Do dia seguinte e dos que se seguiram. A dormência total. O não sentir o meu corpo... Não sentir dor.. Não sentir rigorosamente nada. O Vazio total... Como se habitasse um mundo sem cor... sem dimensão... sem tempo... sem odor ou sabor. O zero. O fim. O limbo. Sentir o que é estar morto vivendo. Lembro-me... Como me lembro de andar a passear o Pantufas e não sentir o chão debaixo dos meus pés. Como se acima de tudo existisse... Num estado superlativo de ausência total de matéria e sentimentos. Morto. Não sentir vento. Não sentir calor. Não me sentir. Ou tão pouco sentir dor física. Sonhava... Acreditava estar a sonhar. Como se vivenciasse algo irreal, algo que nem na minha mente tivesse sido elaborado. Não me dava conta de nada. Do tempo. A noite e o dia fundiram-se sem que neles uma fronteira surgisse edificada. Somente saia porta fora sem destino ou nada dizer. Arrastava-me nas margens da indiferença. Consumido. Hoje talvez pela nostalgia do dia em si estou muito mais toldado pela saudade. Pelos momentos. Pelos instantes vivido. Pela Raiva. pela injustiça. pela falta que me faz o teu colo. Sinto vontade de chorar mas não o faço. Estou seco. gasto. consumido num processo de auto fagia emocional que me dilui. divaga... estou transparente. Traio a tua vontade. traio a memória que guardo de ti e dos risos partilhados. Da tua vontade. Da tua maternal maneira de ser que tantas vezes dizias o que eu não queria ouvir mas na tua sabedoria sabias que eu tinha que fazê-lo. Não esqueço. Lágrimas que em ti vi por mim. Pelo receio que sentiste no meu fim precoce numa altura mais conturbada minha, mas... mas no teu apoio encontrei as forças para rasgar com tudo. sabias... sabias que se não o fizesses hoje estas palavras escritas não estavam. lembro a forma brincalhona como, mesmo já crescido, a vaguear os trinta me olhavas e chamavas Bóbibo... Ou lagartixa do lavradio... como me conheces-te. como me lias. mesmo sorrindo apenas tu sabias que nada estava bem. Somente tu. Nunca compreendi como... talvez seja isso o ser Mãe. Talvez seja isso que me vai consumindo. Tenho saudades... não... a saudade peca pela excessiva limitação do seu significante.. lembrei-me agora de mais um instante. na escola primária a aprender a diferença entre o que é uma palavra de aglutinação e de justa posição. como desesperada pela minha falta de atenção me deste um tabefe. de como nunca mais falhei um única dessas palavras. de como nos rimos desse momento mais tarde. Sinto-me só... fazes-me falta. sinto a tua presença. a tua voz. escuto os teus conselhos... mas ainda hoje tenho dificuldades em conseguir olhar para uma fotografia tua. não consigo fazê-lo por muito tempo. Apenas de relance... não consigo compreender o motivo. talvez ainda esteja em Negação. Os nossos momentos sucedessem no meu pensamento... de como, mesmo não estando muito convencida da pessoa com quem ia casar, aceitas-te... como ficas-te feliz com a minha felicidade. pelo menos não viste o colapso... as mentiras... as histórias... a forma como neguei em mim o meu sentir por outra pessoa por me sentir culpado ao ver lágrimas falsas. não me vês agora. tantas vezes sem sorrir. sem rir. ou a fazê-lo a contra gosto. não sei... mas algo tenho a certeza... O deslizar dos dias pode ter secado as lágrimas mas jamais apagará a tua eternidade em mim.
terça-feira, 8 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Reviver
Vejo... Observo mais um por de sol que me escapa na insistência de um dia perdido em torno de algo que não me identifica. Procuro a liberdade... Ou a raiva... Não me enaltece o pensamento... Afunda-me elevando para um tom de superficialidade meditativa nas profundezas das horas exaladas sem sentido. Invejo a presença do vento que não sinto... Consumido pelos odores não posso ouvir olho para a pressa das horas que permanecem fieis ao seu caminhar... Ocupo-me o mais que posso... Tento levar todas as possíveis situações até às ultimas consequências, mesmo sabendo da previsível inconsequência... Mais uns segundos ganhos... Quero a luz quente que definha na proibição que os meus olhos tem em poder saboreá-la... Quero a escuridão do silêncio... Quero que o sol e a lua se misturem numa noite diurna. Quero um tom negro policromático... Ou mil cores variadas tingidas de negro... Quero a contradição... Quero o oposto. Quero... Quero olhar para la dos sinais... Perder-me no vento... Diluir-me no verde que preenche os campos secos de um calor que assume já sons de verão. Quero ser invadido por uma calor frio... quente... Quero desprezar todo o querer... Quero perder o rasto ao futuro em cada instante passado em mim.
Repenso...
Sinto em mim uma gota de passividade a afogar o lume interminável de raiva que me consome... Alimentado esta meu espirito pela respiração calma... Hesito... Revejo... Não leio. Esqueço o que senti... Despeço-me da sanidade num riso demorado. Renego o viver consciente. Quero ser somente os sonhos que esqueci. Aceitar. Nunca. Negar? Nada tenho em mim. De nada temo. Acordo com o fantasma de um sorriso... O toque suave do solstício... Que distante vive inscrito no por do sol que ilumina a noite em mim...
sábado, 5 de junho de 2010
Recriar
Quero rasgar o céu com o aparo da minha caneta. Iluminá-lo num tom negro solido tornando-o assim claro a minha consciência. Ler. Ler-me. Ter as respostas que me falham. Que me faltam. Que quero conhecer. Que amo. Que odeio. Quero apagar o sol. Apanhar a lua. Inalar todo o vento numa única inspiração. Sorver todo o saber do mar. Ver em lágrimas reflexos de sorrisos. Rever. Recriar. Reconhecer. Voltar a conhecer-me. Quero somente selar o passado nas passadas futuras já dadas. Conseguir abrir os olhos. Não ser simultaneamente um portão sem muros ou um muro sem portão. Ser a última gota de chuva que cai rumo à perdição. Estou cansado. Talvez seja isso. Somente um cansaço passageiro como uma nuvem perdida num dia de verão. O canto solitário de uma cigarra tentando encontrar a rima no amarelo seco de uma canção que ninguém escuta. Quero destilar tudo isso libertando o concentrado de mim no gota a gota inscrito nas letras que desenho. Conseguir olhar para o futuro nosso para além do pôr-do-sol. Inverter. Quero arrasar esta ambição que parece ser início de um fim em mim.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Reencontrar
Estou disperso entre mil pensamentos e não fixo nenhum. Nada... Sinto em mim a viagem interminável na secura agreste de um deserto sem oásis onde apenas as miragens me fazem mover. Sinto o bafo quente que me cala a envolver cada passada, evaporando as palavras que exalo para ninguém ouvir. Não sinto vontade de escrever pois as ideias prescindem de fazer sentir a sua presença. Ou ler as palavras sábias do Mestre... Nem nesses instantes sinto a salvação vivida outrora. Diluído na secura liquefeita. Sinto-me viver um sucedâneo de outros tempos. Liofilizado... Granuloso... Selado nesta embalagem hermeticamente cerrada. Tudo me tem um sabor amargo de insatisfação pura, diluída numa brisa monocórdica. Quero a luz inspiradora. Quero a noite pensativa. Quero reencontrar o que não resta em mim.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Erro
A exaustão deixa um travo amargo a raiva na minha consciência. Queimo o dia em números vagos na busca de soluções para a cegueira de um cálculo que assenta em erro próprio. Odeio falhar. Desprezo o erro. Qualquer centelha que ilumine tal hipótese assusta-me. Repreendo-me. Questiono qual a génese do erro. Excesso de confiança talvez... Fico sentado a luz da do pior sentimento... Resignação. Derrotismo ufano que me deixa torpe. Rememorizo... Cada dia... Cada mudança e alteração. Cada correcção. Cada ponto. Tudo. Tudo me serve de culpa pois não quero a desculpa. Ódio. Sinto a aspereza de alma voltar-se contra mim!
terça-feira, 25 de maio de 2010
Destino(s)
As melhores viagens são as que não têm destino
Penso na importância de tudo ter de fazer sentido. Qual o sentido de algo ter sentido? Porque definimos algo. Objectivos? Criamos objectivos de vida... Metas... Obrigamo-nos a cumprir o que desejamos nos próprios. A tudo impomos ter um fim pela obrigação fim em si. Desiludidos ficamos por não chegarmos a essa linha imaginaria de vitoria, numa queda livre de desespero. Quantificamos a satisfação. A paixão. O amor... O desejo... A alegria... Tudo... Tudo medimos. Tudo queremos... Necessitamos do querer... Temos em nossas veias a dependência dessa toxina. Iluminados pelo receio do desconhecido caminhamos quais espectros sem alma... Não fujo à humana condição.. Também busco algo... Mas... Não desprezo a espera entre destinos. Sinto-me suspenso mas consciente. Como se vivesse uma hibernação contemplativa. Uma vegetação imposta pela deslocação do tempo onde tudo me interessa. Onde tudo e único, mesmo a repetição de uma mesma paisagem ou viagem torna-se uma novidade plena de mistério... Ideias... Estímulos... A realidade e que quantas vezes criamos metas mas esquecemos que a vida e o caminho entre o inicio e o destino da viagem. Esquecemos-nos de viver... Que o sentido de ser de cada vivência e na chegada ao destino lembrar o que passou. Guarda-lo... Tatuar todas as palavras contidas na pele do nosso ser... Gravar cada fotograma na eternidade da memoria. Chegar ao fim e poder dizer... "eu vivi tudo em mim"
Penso na importância de tudo ter de fazer sentido. Qual o sentido de algo ter sentido? Porque definimos algo. Objectivos? Criamos objectivos de vida... Metas... Obrigamo-nos a cumprir o que desejamos nos próprios. A tudo impomos ter um fim pela obrigação fim em si. Desiludidos ficamos por não chegarmos a essa linha imaginaria de vitoria, numa queda livre de desespero. Quantificamos a satisfação. A paixão. O amor... O desejo... A alegria... Tudo... Tudo medimos. Tudo queremos... Necessitamos do querer... Temos em nossas veias a dependência dessa toxina. Iluminados pelo receio do desconhecido caminhamos quais espectros sem alma... Não fujo à humana condição.. Também busco algo... Mas... Não desprezo a espera entre destinos. Sinto-me suspenso mas consciente. Como se vivesse uma hibernação contemplativa. Uma vegetação imposta pela deslocação do tempo onde tudo me interessa. Onde tudo e único, mesmo a repetição de uma mesma paisagem ou viagem torna-se uma novidade plena de mistério... Ideias... Estímulos... A realidade e que quantas vezes criamos metas mas esquecemos que a vida e o caminho entre o inicio e o destino da viagem. Esquecemos-nos de viver... Que o sentido de ser de cada vivência e na chegada ao destino lembrar o que passou. Guarda-lo... Tatuar todas as palavras contidas na pele do nosso ser... Gravar cada fotograma na eternidade da memoria. Chegar ao fim e poder dizer... "eu vivi tudo em mim"
sábado, 22 de maio de 2010
Sem (Realidade?)
Vejo a noite pontualmente beijada pela difusa luz amarela de uma iluminação fraca. Remeto o pensamento ao nada. Tento devorar cada imagem que diante dos meus olhos se apresenta. Não penso. Ilumino-me bafejado pela capacidade de ver o irreal. Nada é como se apresenta. A verdade da realidade paralela sorri em meu ser... Adoro esta maldição que vive em mim!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Azul
Paro... Refracta-se o pensamento no silêncio que não escuto. O ruído das conversas paralelas de sorrisos de circunstância apodera-se do tempo e do espaço... Cercado, fecho os olhos. O Tento não ouvir. Mas cada fracção do todo se mistura numa amalgama distorcida... Humana... Mecânica... A origem natural é obliterada no vazio da indiferença. Deparo-me com a indigna dignidade de resumir num saco azul tudo o que resta de alguém a quem vida se evaporou. Ao alcatrão, junto ao lancil de um passeio, se condena a humanidade perdida de um ser em cujo sorriso já existiu vida...
Facilitismo
Não temo a fraqueza das palavras com que escrevo... Ou tão pouco a ligeireza das frases que as compõem... Mas receio a falta de robustez das ideias que lhes assistem. A tentação do caminho mais fácil... O facilitismo herege... Absorvo... Absorvo tudo o que penso... Mesmo tudo o que esqueço ou vou esquecendo permanece em mim. Adormecido mas vivo. Nada morre. Vão e vêm as ideias como as ondas de um mar bravio. Incontrolável... Sem ordem. Onde o refluxo da rebentação subsequente tudo arrasta para o seu interior de pois do espraiar já tudo ter arrasado. Onde a rebentação exige-se ouvir... Onde cada grão de mim, numa unicidade solitária, escuta cada ensinamento como se um todo fosse aglutinado pelo cimento do sentir. Inquieta meu espírito o deixar de ambicionar... Minha ambição primaria foge ao conceito empregue... Ambiciono ser quem sou... Sentir... Eu ambiciono os meus sonhos. Esses fragmentos do meu puzzle que insistem em não se deixar encontrar nesta caixa que e o mundo. A representação iconográfica do meu ser surge inacabada qual tela que somente algumas pinceladas sobre ela foram dadas com desdém... Procuro completar-me... A minha eternidade o meu nano-segundo... O instante em que os sonhos se realizem em mim.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
How Fragile We Are
A noite conjurou mil rezas profanas contra meu ser... Como de uma maldição milenar se trata-se vi-as condensadas num pesadelo vivido em modo continuo. Excessivo... Sinistro... Vi-me atravessar alas de uma espécie de sanatório onde só existiam crianças... Apenas crianças... Em cada uma das salas vi os males que sofriam... Fome... sede... dor... abuso... guerra... morte... Sem nada poder fazer... Não me conseguia afastar da linha que me estava destinada... Não encontrei mais ninguém... Apenas eu e aquelas centenas de crianças que se amontoavam em cada sala... A musica era a mesma... Continuamente... A mesma.... Sempre... Sem alterar o volume ou qualquer outra manipulação sonora... On and on the rain will say how fragile we are how fragile we are martelava os meus sentidos... Ouvia em fundo choros... Murmúrios... Uns num tom mais alto outros mais baixo... Mas sempre presentes... Sempre invocando a magoa de cada uma mas que no ressoar se aglutinavam individuais na dor colectiva... Cores... Todas as cores presentes davam a cada sala uma nitidez arrasadora... Inenarrável... Que unidas às formas conferiam a tudo uma morbidez agoniante... Gráfica... Mortal... Cada golfada de ar que inalava vinha impregnada de um cheiro estranho... Como se uma mistura de suor... Morte... Desinfectante ... Não consigo descrever... Era algo... Como se a porta de um possível inferno tivesse ficado entre aberta e mostrados as piores imagens que podem ocorrer na nossa dita Humanidade. Em cada sala acordava.... Ao adormecer voltava... Regressava novamente... aquela casa... Mas de frente a uma porta que sempre igual não exibia qualquer indicação... Não vi letras... Ou frases... Nada... Como se tudo o que vi resultasse do esquecimento... Os sussurros que escutei não tinham uma língua definida... Como se falassem em uníssono uma linguagem universal que isenta esta de palavras ou estrutura... Tudo se perfilou como real diante de mim. No meu ateísmo convicto quis ser Deus... Curá-las... Dar-lhes vida... Aliviar o sofrimento de cada uma que sentia invadir meu espírito. Fazer das suas mazelas as minhas... Colérico senti uma raiva inaudita... Quis fulminar tudo e todos os que de alguma interferiram na felicidade de cada uma delas... Tudo e todos que aquelas crianças roubou o Ser Criança... Qualquer coisa... Algo... Acordei... Definitivamente... Sem ar... Sem força... Sentia-me dormente mas a arder... Vomitei... Fiquei quieto... Pensei no quão insignificante sou... Senti rancor... Raiva... Por tudo o que vi... Pela injustiça... Pelo sofrimento... Apercebi-me... A culpa e minha também... Nas lágrimas que vi, consigo ler a minha passividade... O meu esquecimento... Minha mediocridade. sei que foi apenas um sonho... Mas as imagens... As faces... As lágrimas... Os gestos de cada criança ficarão para sempre tatuados em mim...
terça-feira, 18 de maio de 2010
Brinde
Amanhece na minha noite. O sol grita sua liberdade exibindo-se com fulgor ostentativo. Fecho varias vezes os olhos, dirigindo a minha visão para algo menos intenso. Vislumbro a folha escrita que ainda jaz sobre a mesa, cansada da entrega intima que comigo manteve por aqueles breves instantes de incontida ilusão. Irradio cansaço... Os olhos pesam-me, pedem-me reclusão esgrimindo a sua estenuação na irritação que os cobre de um tracejar aparentemente irado. Inspiro o ar da manhã em busca de uma qualquer forma de redenção. Exalo, pesaroso, mil considerações incoerentes, num bafo quente desprovido de vontade. Hoje não consigo ouvir os cânticos matinais com que todos os dias sou brindado pelos pássaros nos seus Hinos de Alegria. Transito somente em meu corpo, como se desprovido de essência, entre passadas sucessivas a uma cadência indefinida mas que sinto apressada. Caustico... Calcinado... Perdido.
Eléctrico
Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos ou sejamos luz, sempre a mesma noite"
Sombra sejamos ou sejamos luz, sempre a mesma noite"
Acordo nesta madrugada de silencio encapotada sem sono. Desperto... Intenso... Eléctrico... Aproximo-me de uma janela que fechada grita pela sua liberdade guardada. Acedo... Olho a paz da cidade dormente na sua inconsciência, consciente que metros acima da rua ferve meu sangue no lume infernal da ansiedade. Beijo a brisa leve que me cumprimenta a face lavada da insónia. Cedo, cedo à dança macabra que já por mim aguardava impaciente no seu egoísmo torpe. Solto os demónios em mim contidos... Escuto as suas passadas no palco de mim... Entrego-me...Mero fantoche sou dos desígnios da super-nova que em mim habita. Os demónios puxam por mim... Chamam meu ser a sua presença. Seguram minha mão e dirigem-na, sem oposição, para o instrumento de escrita que repousa tranquilo sobre uma folha de papel ainda virgem de sentimentos. O estilete de tinta cortante ergue-se do seu descanso. Raspa com suave rudeza, por anos de sentires descritos, a superfície irregular. Escuto em cada palavra a tua voz... O teu riso... Olho-te nos olhos... E digo és a luz na sombra do sorriso em mim.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Ardor
A noite perde-se no faiscar verde do semáforo que distante parece abrir o caminho a mais um dia. Ilumina-se a noite não se fazendo dia... questionando que linguagem é esta em mim que desconheço o vocabulário. Que gritos escuto nos sussurros que exalados são do meu esprito... Mera calçada em que as pedras mais não são que um exercito de blocos de letras esculpidas sem arte numa demagogia infinita. Martelar, cinzelar com qualquer aparo, para criar uma superfície irregular de pensamentos e emoções sobre o manto branco humedecido por um querer maior que eu que tudo contem. Não me contenho. Tento reter o que não vejo. Ler de olhos fechados meus pensamentos... Aventuro-me pelos sentidos no silêncio da noite tocando minhas emoções... Escrevo... Mesmo não querendo escrever faco-o. Eu sou um mero joguete do meu Eu. Obdeco-lhe. Mais forte que eu insiste fazer valer constante egoismo da sua vontade. Quero descanso... Quero parar... Nao consigo. Tento esquecer meu próprio eu largando-o algures no tempo... Revejo sonhos antigos. Tormento... Tortura... Este inferno só meu que à minha pele se cola qual lacre derretido... Selado em mim consome a minha sanidade... Sinto o ardor das suas queimaduras sob a minha pele... Hermeticamente fechado em mim... Sem panaceia para esta dor resta-me a conviver contrariado... Nem sempre e assim penso... Talvez... Nos dias em que a máscara e eu estamos em sintonia tudo faz sentido em mim.


