sábado, 12 de junho de 2010

Palavras Sem Data

Textos não datados... somente escritos.. tão pouco sei qual a ordem dos mesmos...

I
Vi um espaço vazio enquanto caminhava. Não estás. A frieza da certeza invade meu ser que anseia por te ver. Fecho o sorriso. Acalmo. Sisudo sigo meu caminho. Penso... Em que universo navego em tua ausência... Não no teu... No meu talvez... Demasiado complexo.


II

Aguardo, na desculpa de uma nuvem de nicotina, que a porta dos meus sonhos se abra. Exaspero para que a tua presença invada o meu dia de um sorriso que me vem faltando. Abriu. Surges... Mágica, flutuando num andar que me tolda todos os sentidos. Perco a concentração. Desligo de tudo em redor. Elimino todos os sons. Concentro-me na tua voz... Não escuto o que dizes... Não é isso que procuro... Busco somente a melodia do teu cantar no som de cada letra... De cada silaba... De cada palavra... Uno-as em mim num hino triunfante à alegria. Cerro minha face numa cara de poucos amigos... Desculpa idiota para não ser incomodado na vivência do meu sonho. Olho o calor que esfria  emanado pelo rubor da ponta do cigarro. Esqueço a falsa luz do sol pois nada me sinto ver... Estou cego pela tua voz... 


III

Outra ver o vazio... O nada... Como me destrói o sorrir viver no interior da tua ausência. Torna-me dormente. Sinto-me como um naufrago largado numa ilha deserta sem água ou sombra, vivendo no vazio... Alimento-me das memorias que vou guardando em mim, em cada dia que me iluminas com a presença de ti. Arrasta-se o dia em explicações casuais sem nexo ou sentido. Aguardo o que inicio da noite faça apressar o sentido do seu ser. Pelo menos assim sei que mais um dia clama por acabar com a promessa de te ver.


IV

Hipnose... Tua presença em mim é hipnótica. Concentro todos os meus sentidos em ti. Dirijo numa via de sentido único minha atenção. Absorvo cada gesto como se fosse o ultimo que visse. Mexes num fio que desliza sobre ti despendido. Não me lembro das formas ou cores do fio mas o meu olhar e direccionado apenas para a forma como os teus dedos brincam com ele... A graciosidade complexa de movimentos simples. O prender... O tocar ligeiramente apenas... Observo... Condenso a minha atenção em cada um desses gestos. Foste... Desapareceste por trás da porta que guarda o meu sonho. Fico irritado... Gostava de ter a possibilidade de poder ampliar cada imagem com que me presentas ate ao infinito. Olhar... Devorar o contorno dos teus dedos... Conseguir guardar todos os pormenores que não me são possíveis discernir. Memorizo tudo de ti em mim.

V

Acordei a meio da noite a sonhar contigo. Sinto a culpa da cobardia. engulo a contra gosto mentiras envoltas no papel cintilante de lágrimas. Que posso fazer. Desculpa-me mas as lágrimas mexem demasiado comigo. Queria... Queria tentar algo impossível com o teu nome inscrito. Não me morre a esperança. Não desfalece a ilusão. Mesmo sabendo que nada deveras sentir por mim. Porquê? Porque mexes assim comigo? Porque sinto esta ansiedade. Deveria odiar tudo e todos. Abominar a ideia de voltar a dar a alguém tudo de mim... Deveria recusar dar-me ou fazer do teu sorriso o meu... Mas por uma razão que desconheço arrasas todas as minhas defesas. Invades-me o espírito com alegria. Fazes sorrir todo o meu ser. Quem podes tu ser? A minha ilusão? Perdição? A razão ao tudo que foge em mim? O motivo do meu ser?... Neste instante da minha eternidade sou teu!


VI

Deitei-me a sentir uma leveza que não consigo descrever... Lembra-me da felicidade que sentia em criança antes de qualquer coisa muito boa. Fazes o meu adormecer contente. Despeço-me da consciência com um sorriso rasgado na minha face. Animas meu firmamento. Penso... Como serás? Em que acreditas? Serás calma? Mais stressada? Caseira? Boémia?... Em que pensas nos dias de melancolia? Penso em algo ridículo... Qual o teu clube?.. Benfica?... Divago em considerações desnecessárias e irrequietas em dias insípidos sem te ver.


VII
A ansiedade que me inunda exponencialmente quando estou caminho lembram-me as noites de véspera de natal passadas em criança. Ver-te-ei? Ou não? Peco a tudo que cada dia conspire a meu favor.


VIII
Escrevo os meus monólogos em jeito de diálogos improváveis contigo que desconheço se alguma vez os iras ler. Que pensaras de mim? - questiono-me invariavelmente se os lesses que ideia assaltaria a tua mente. Deixo de escrever "a quem eu quero bem" e dirijo a palavra a ti, mesmo sabendo a partida que estou condenado a uma resposta embrulhada num fio de silêncio que me silencia o ser. Desequilibrado? Insano? Idiota? Obcecado? Ou apaixonado? Enamorado? De ti? Claro! Porque? Em época de caos trouxeste a meus olhos o brilho que na lua escondido... Ou irremediavelmente perdido o seu reflexo em meu olhar. O verdadeiro sentir de um calor que o sol omite na cegueira cobarde que triunfa em mim no hoje em dia. Mas que pensas? Que te dizem as minhas palavras? Não me respondes bem sei... Mas gostava de ouvir na tua voz as palavras que não posso escrever. Gostava de conseguir libertar-me da gaiola segura destas linhas, abrindo as asas em diálogos contigo.