terça-feira, 15 de junho de 2010

Trezentos

I - O Sonho

Passados trezentos post's continuo na minha demanda... a busca do encontro no desencontro que um dia ousei eventualmente encontrar um fim. O meu olhar contempla a luz que vejo emanar por um misero buraco de agulha de meu ser onde vejo o paraíso volátil dos meus sonhos. Não glorifico o desencontro... Fazê-lo seria resignar o meu espirito a uma derrota total... Seria negação de tudo o que julgo magico. Seria o meu fim. Mas a chama tremula da palavra esperança, que em mim impera, crepita fraca em mim enchendo-me de sombras, como que aguardando um último suspiro... Um último folego... Ou um sorriso que faca renascer a gloria de todo o seu esplendor. Algo... Qualquer coisa... Tudo! O que quero... O que ambiciono! O que esqueci! O que não esquecerei! Quem jamais vou esquecer! O pôr-do-sol que num solecístico ancorado num sorriso tanto diz!

II - Presente

O que consegui? Em trezentos textos penso em todos os que perdi... Os que não concluídos foram obliterados pela simples razão de essas mesmas palavras, nesse dia especifico, não as sentia como minhas... Os não transcritos da sinceridade do papel... Os que na minha mente elaborei e joguei ao esquecimento sem qualquer remorso... Quantos seriam agora... Quinhentos?... Seiscentos?... Nem sei... Mas que cada palavra aqui dita foi parte de mim, no instante em que a senti, no momento em que a minha mão, obedecendo ao jugo apaixonado da minha emoção, a tracejou. Nada me parece como revisitado, apesar de ter uma certa sensação de repetição... Mas... Em cada dia a sensação foi única... Cada dia e único... Pelo que as palavras foram únicas. Se voltaria a escrever o mesmo pelas mesmas palavras?... Impossível... Jamais... As emoções persistem mas as palavras duram apenas o instante em que fazem sentido qual as gotas de chuva... Aparentemente iguais mas todas diferentes únicas, com a sua historia para contar. preenchidas com a sua verdade precipitam-se sobre o desconhecido com força redobrada... sente-se a calma do saber ancestral que se apagou nos confins da indiferença. Tanto de mim foi escrito em torno de um pôr de sol... Tanto de mim foi escrito na ausência presente da luz que me ilumina.

III - Futuro

Qual o futuro para as minhas palavras? Para os meus textos? Para o meu livro?... Continuarei a escrever? Perderei este querer em escrever? Encontrarei um fim para o Caos da Vida? Apaga-lo-ei? Escreverei finalmente o Meu livro? Desistirei dessa ideia? Neste momento não encontro respostas... Apenas questões que assentam em mais interrogações... Indefinições... Em cada das minhas palavras gostava de ver uma gota de chuva... em cada um dos meus textos gostava de sentir a correnteza da da chuva que não se vê... gotas de orvalho num dia de sol abrasador... a magia das brumas que escondem o futuro... A realidade da ilusão toma a forma das palavras que não digo... que calo... que me inquietam... que me levam a escrever mais do que vou sentindo em mim.