sábado, 12 de junho de 2010

Mar...

Não sei sobre o que escrever. Vivo sobre o fervilhar de tantas ideias mas não consigo reter uma o tempo suficiente em mim para a elaborar. Que ocorrência mais tétrica. Padeço da moléstia das ideias. Acordei cedo para ver o mar ainda só meu. Sem partilhar apenas mostro o meu egoísmo nestas alturas... Quero o cantar do mar apenas para mim. Quero que me embale na sua melodia sem que distraia a sua atenção com mais nada nem ninguém. Quero escutar todos os seus ensinamentos, repeti-los em surdina em meu ser... Ouvir a magia do deslizar de uma onda incipiente mas magna a deslizar na santidade da areia purificada por uma noite de paz. Lamento... Lamento as nuvens que cobrem o céu cobrindo o sol com o seu manto de magoa cinzenta.  O som das minhas passadas de cadencia indefinida, intromete-se na paz única que preenche tudo de um tom solene. Deixo rasgada a virgindade da superfície do areal com as minhas impressões temporárias, pois sei que amanha o meu registo em seu corpo mais não será que uma memoria levada pelo mar. Deixo ficar quieto e mudo o desassossego numa inspiração longa... O vento sopra a calmaria reinante, julgando-se imperador do meu querer... acaricia-me num beijo prolongado de um sabor que julgava esquecido. Acordo já desperto com um sorriso teu diante de mim.