Regresso
Vou desistir... assumo... a derrota frontal e categórica... a rendição incondicional... Agora quero apenas que o céu se rasgue... Verta todo o mal de uma vez por todas sobre mim... Estou farto da cegueira e das contrariedades. Das repetições... Dos ciclos... De tudo o que se prolonga eternamente no meu cansaço de viver. Todas as cousas têm um sentido diz-se... Qual o meu? Revejo as situações que me afogam numa agonia cíclica... Sempre igual... Sempre arrasadora. Hoje voltei a ouvir o mar com vontade de esquecer as palavras, na expectativa que, o sussurro suave da ondulação me embalasse o ser e por momentos me fizesse tudo esquecer. Conseguisse sair de mim. Fugir. Divagar sem rumo pelos instantes vindouros de alegria... Infinitos... Desejados. Sem sucesso. Voltei a olhar para o nascer do sol em busca de luz no meu caminho... Sem sucesso. Perdi o rasto às palavras escritas. Perdi o rumo a esta escrita que não tem intenções de o ser. Perdi-me... Novamente. Porquê? Porquê franquear a couraça que ergui em meu peito para reviver tudo novamente? Penso no ridículo, numa conspiração universal... Na pena a que condenados estão os que acreditam que podem virar as costas ao destino e reerguer os sonhos. Se os sonhos morrem ao acordar... apenas desejo dormir sem sonhar nada mais em mim.



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