Branco
As palavras que colhidas pelo vento em meu espírito encontram-se tingidas de um branco derrotista. Sinto na aragem turbulenta o olor da rendição total. Mesmo tocando a folhagem viva da copa das árvores, o sabor fresco matinal do renascimento condensado nas gotas leves do orvalho, insiste em não lhe dar uma graça divina. Vaporosa a condição que se escapa intransigente entre as frinchas do meu querer. Resumo-me a meia dúzia de palavras numa calma irrequieta que me transborda numa prece sussurrada. Numa deriva de fragmentos soltos procuro o bombordo, a margem, saltando entre cada da um na vã esperança de o conseguir. O passado objector e o presente abjecto, em diálogos ásperos, que não consigo escutar, conspiram contra o meu futuro. Travo mais um pensamento. Percorro a minha calçada num passo que, silencioso roça o sombrio, numa progressão geométrica contida. Evito... Evito todas as ideias que me consomem a atenção. Ilegítimo calcorrear sem direcção, que me promove os dias à invisibilidade de um caminho que vou percorrer insatisfeito por saber seu (meu?) destino já definido em mim.


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