Sopro
Olho para poente onde no horizonte longínquo observo velas erguidas, enfoladas pelo vendaval de palavras que sopro sem receio. Ergo vagas promovendo a ondulação que, numa superfície anteriormente imperturbada, surge agora pleno de um troar fulminante que desejava antecipado. Embato na areia desprotegida sem contemplações numa ode de vontade a deriva acumulada. Rasgo a quietude imperturbada do areal extenso em vagas sucessivas e impiedosas, arrancando cada grão ao chão inerte que formam.Transporto sem hesitações tudo em mim numa convulsão apocalíptica. Tudo se funde, tudo se une, sem limites, separações ou estado físico algures num ponto triplo onde tudo existe. Onde sou um mar pleno... Onde cada vaga é uma emoção... Cada sopro um pensamento... Cada grão um fragmento de mim.


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home