segunda-feira, 1 de março de 2010

Xadrez

Um peão. Um mero peão no tabuleiro de xadrez dos interesses de outros. Apenas isso. Jogado com o desdém do valor ausente que nunca lhe será dissociado. Baixo o olhar para o rendilhado apático da calçada procurando vislumbrar na intrincada distrofia que aparenta uma simetria que reconheço à partida ausente. Presente fica a certeza da ausência de ser jogado segundo as regras que no jogo urgem serem obedecidas. Nas mãos do jogador vejo a falta de pejo em sacrificar qualquer um dos seus aliados no tabuleiro das suas ambições em números quantificadas... Numero. Objectivo... Objectivo difuso, diluído num jogo maior que tudo envenena. Sinto a real o perigo do sacrifício das torres (verticalidade e a integridade), dos bispos (fé e os princípios) cavalos (justiça e o rigor) a rainha (seu próprio ser) em nome de um rei (resultado) que tudo exige. Quanto a mim... Uma peça de valor insignificante e sem vontade. A primeira movimentação esta feita... Novo jogo começa! Lançado estou num jogo que nada vale em mim.