Saber
Uma manhã perdida. Gasta. Usada. Perda de tempo precioso de uma vida finita entregue a vagas sucessivas de ócio. Tempestade de imbecilidade. Sinto-me inútil. Nada pior que nada ter para fazer. Ser um peso. Cansa não ter nada para fazer. Fico exausto. Ansioso por ocupar o meu tempo. Arranjo desafios. Procuro informação relacionada com algo que não sei. Mas penso.. penso que já me tinha esquecido das coisas mais simples da vida. Tinha esquecido a pureza do ar. Tinha feito um reset intencional a tantas coisas com que me identifico. A ida ao Alentejo foi salutar. Poucas horas para ir a um funeral mas os breves instantes foram de intensidade elevada. Sôfrega. Acordei e dei comigo a rever imagens de tantos momentos contidos n' a grande mudança da qual o Alentejo foi testemunha. Foi meu confidente. La o outro Eu morreu. Foi incinerado no verde amarelecido pelo calor extremo. Seco. Sequei a alma de tantas ideias disformes. Mas o que mais me marcou foi apreciar o quanto andava cego surdo e mudo. A minha veia pseudoliterária surgiu numa fase gravada a sangue e fogo no meu corpo e na minha mente. Comecei a apreciar o que via. Tentava absorver tudo. Como se a minha memoria estivesse vazia. A mente nada contivesse e tudo lhe parecesse novo... Fresco... Surreal... Irreal... Interessante. Dei comigo a procura de verdades escondidas nas coisas mais básicas que encontrava. Tentava racionalizar usando fazendo uso da consciência emocional. Criava misturas homogéneas num equilíbrio adiabático entre a razão lógica dos conhecimentos escolásticos adquiridos e a emoção pura. A contemplação irrequieta... Mutável... Incongruente... Uma guerra de sentidos sem sentido onde o tacto negava a visão que por sua vez negava o olfacto. Querela constante. Indefinida. Finita sem o ser mas sendo... Tudo continha respostas que se contrariavam mutuamente... Uma forma de budismo naturalista roçando um niilismo. Decompondo tudo na essência mais simples, sob a forma de uma peça do puzzle que em mim se encontrava omissa. Experiência concentrada de saber. Procuro saber o que esqueci de mim.


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