quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Corrente

Observo a correnteza de palavras que fluem de encontro a uma folha binária sem relevância táctil. Entrego-me ao clima bucólico sentado próximo da agitação, com ambições listrarias, que murmura abaixo de mim. Levanto-me. Decidido sigo nas margens do nada que contem esta massa uniformemente disforme de palavras, em sentido oposto ao movimento. Procuro a nascente subindo a montante. Múltiplas derivações vou encontrando, todas elas seguindo em simultâneo com uma perspicácia elevada. Nada quero que me escape na minha demanda pela origem ultima. Os primórdios. A palavra inicial. O ponto onde tudo faz sentido não o querendo fazer. Onde as palavras são pessoais e transmissíveis... Dadas... Livres... Presas... Opressivas... Libertadoras... Todas. Todas fluem da nascente que por mais que na selva do meu espírito me embrenhe sei que nunca irei encontrar. Liberto-me na minha limitação a contemplar o som purificador do odor das palavras agitadas que travadas ficam no afunilar do bico de uma caneta virtual. Tantas... Tao poucas... Que inundam a sequiosa vontade de escrever que inconsciente vive em mim.