Tentado
O esgar de dor dos últimos minutos da noite iluminam o amanhecer com uma tonalidade sombria. Após a passagem teatral do frio solarengo sucede a chuva reflectida no cinzento profundo das nuvens carregadas do odor de raiva. Penso no que não fiz nestes últimos dias. Penso na preguiça indolente que de forma premeditada me impus sem qualquer restrição ou arrependimento. Entreguei-me ao ócio. Ao nada. Passei horas sem pensar ou tão pouco querer fazê-lo. Apenas me senti tentado em exercer a minha humana condição nas conversas cruzadas, de paladar insípido, com as quais fui bombardeado pontualmente ao ir beber café. Impressionante a falta de ideias... De vital inspiração vazio apenas me restou tomar o limbo como companheiro de infortúnio. Corroído pela vergonha baixo a cabeça sem contemplações. Remeto-me ao silêncio sem reticências aguardando melhor sorte para as palavras que existem em mim.


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