Manhã
Acordo cansado. Irreconhecível não me surge como familiar o meu reflexo ao espelho. Sinto-me como o pior dos cegos que mais do que não querer ver se recusa a faze-lo. Tudo me parece diferente. Distante. Perdido. Heterogéneo. O verde que cobre a paisagem foi tomado por uma tonalidade bizarra, que sem sentido, parece descontentualizada. Abstracto. Distraio o querer do pensar escrevendo. Debito algumas palavras. O reflexo do rio que outrora era mágico desmotiva-me. Os contornos de todas as formas com que me cruzo, normalmente fonte de estímulo para a minha memória fotográfica, apesar de correctamente delimitados são invadidos por uma aparência difusa, misturando-se todos num borrão multicolor heterogéneo sem ostentarem uma fronteira delimitada. Mau dia me espera. Numa hipocrisia de falsidade preenchida reconheço que está na hora de colocar a mascara e mostrar ao mundo o meu melhor sorriso guardando a minha verdadeira face para quem o merece.


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