Condensação
O grito rouco do frio macabro deixa a sua marca no deslizar das gotícolas condensadas sobre o vidro fazendo-me lembrar as cicatrizes profundas de lágrimas, destiladas da tristeza mais recondida que escondemos dentro de nós, que no nosso orgulho mais ímpio impedimos que se materializem na face evitando o sinalizar de um caminho errado. Ou os sulcos que rasgados são pelo formão cruel que a vivência impossível nos deixa no espirito na forma simples do esvoaçar errante das memórias espectrais que nos atormentam nos dias insípidos que pretendemos que permaneçam esquecidas no nosso pensamento.
Ou como cada uma dessas simples gotas me relembra todos os segundos perdidos em tarefas dissociadas da minha vontade no mecânico tic tac da matemática marcação de aquilo a que foi determinado designar-se por tempo. Ou ainda as cores enigmáticas que se escondem nos sonhos dispersos dos quais desconhecemos o nome dos tons envoltos em mi sons.
Na realidade cada gota que vejo é parte de mim...


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