Solesticio seis meses depois
Esqueço o tribalismo pagão dos ritos diários que me são impostos à mesma velocidade com que presigo as inexistentes sombras claras dos passos perdidos dos meus pensamentos dispersos na opacidade da noite escura. Acelero a cadência sem ritmo das passadas que lanço com desembaraço sentindo o deslizar subtil na calcário ainda molhado da calçada. Voo sem destino numa rota errática de encontro às nuvens. Abrigado no vendaval do meu destino pressinto cada colisão de cada gota de chuva por mais ínfima que seja desejando que esse instante se perpetue. Não evito. Já passaram seis meses... Já se arrastou uma eternidade que o meu ser continua a sentir presente. Demasiado presente. Excessivamente distante... Qual sonho que sabemos que sonhamos mas não nos lembramos na alvorada, como se tivesse evaporado perante a luz do sol, sobrando uma mera sensação que algo de real existiu algures no tempo e no espaço. Algo... Tudo... Afinal... Nada... Persigo sombras esquecidas que perdidas na minha memória esvoaçam quais fantasmas sem destino sim. Mas... Porque me atormentam constantemente. Porque me foi permitido sonhar? Porquê?... Apenas isso... Demasiado perto mas sempre longe... Sinto-me como ícaro a quem foram dadas asas e permitido voar rumo as sonhos que mais intimamente perseguia e quando perto do meu sol tudo se desfez acabando por cair no pesadelo do nada que me sobeja. Foi... Fui... E agora que nada sou? Sem sonhos... Sem mim... Sem ti...


1 Comments:
oh...
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