Acabar
Início o meu dia com uma pergunta que numa crueldade inquisitória sinto zumbir incessantemente ao meu redor qual espectro da indefinida definição de mim. Quando tudo acaba? No fim... No inicio... Nas perguntas que não obtenho resposta... Nas respostas ao que não questionei... No silêncio... No ruído que assombra os meus dias... Nos sonhos que me foram recusados... Nos risos desprovidos de verdade da másacra que exibo contemplados no reflexo emitido pelo espelho da minha alma imaterialmente densa na opacidade de um querer ser feliz... Nas páginas amarelecidas das memórias guardadas com carinho que registo n'O Caos Da Vida que eventualmente se desintegrará cedido a verdade última da existência passageira. Nas memórias que não consigo afugentar... Num pôr de sol que se mantêm em mim numa ferida que não cicatriza... Não... No início do fim ou no fim de um início tudo me toma o sabor de algo já vivido. Como se um constante deja vu iluminasse o caminho da minha esperança. Indivisível de um querer que me esgota as vitais forças com que esbracejo continuamente no interminável oceano da infelicidade dos sonhos que teimam em não ser esquecidos apesar de reconhecer a sua improvável e irreal existência. Em cada gole de desencontro que ingiro a contra gosto, sinto o sabor ocre da imposição de um fado que toca desafinado de forma omnipresente no meu ser numa desgarrada melodia sensorialmente iconográfica plena de premeditação cruel. Tento cortar as cordas às guitarras estridentes... Tento calar a voz aguda que geme irritante as palavras do meu destino. Tento apagar as luzes do palco em que sobrevivo em silêncio. Insisto...Persisto. Arrasto-me no irreal. Consumo-me no imaginário... Acredito no impossível. Acredito. Até quando? Até ao fim.


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