Futuro Passado
Desenho no presente palavras de um futuro já passado sentindo a metálica ponta do aparo embebida no peso sentido da nostalgia ainda por vivência. Acordo como meu ser enregelado por um inverno que a minha pessoa já sente tardar em tornar-se verão. Sol. Felizmente o sol acordou meu descanso que assumo mal cumprindo materializado num bocejo tardio que a cafeína já tomada não evita, iluminando meu acordar de uma luminosidade redentora. Assumo também o fervilhar de sonhos que me conduziram a uma noite inquieta de descontentamento preenchida. Pesarosamente vou pintando de forma hesitante a candura rugosa da tela que se prostra, à minha frente numa aceitação passivamente ansiosa pelo meu contacto prosaico de dúvidas promissor. Alegro Molto oiço to tocar ténue enquanto escrevo sentindo a contradição da musica com as palavras que teimam em fluir lentamente para meu desencanto. Suspiro por um Requiem soturno de negra raiva condensado numa condenação intemporal... Revejo o futuro já passado no presente emergente que escrevo por me parecer o que não vivi o que já vivenciei qual o menu que se repete num restaurante. Contradigo Chronos tomando seus dogmáticos cornos fisicamente criados sob a forma de ponteiros num repassar de folhas já riscadas sem nexo ou conexão. Vejo como o meu Caos se tornou ele próprio num caos apenas assumindo ordem geométrica no meu pensamento. A teoria do caos aplica-se ao meu Caos penso. Perdi o fio condutor concluo sorridente. Assíncrono, limito-me a escrever o que penso num dado momento sem complexos ou ideias ou ideologias preconceituosas preconcebidas. Sem receio receando . Sem ordem ordeiramente . Sem ideias... Não... Talvez com todas as que insistem em coexistir no espaço infinito do meu espirito... Todas as ideias desenhadas a traços grosseiros com um pedaço de carvão do meu pensamento assumindo mil cores indefinidas e sensorialmente invisíveis a quem na sua cegueira insiste em ver apenas a realidade em que habita, vivendo na negação constante, remetendo os seus sonhos para os campos estéreis do esquecimento. Dies Irae virão... Nesses dias do fim... No último flash back que tudo nos diz, nesse instante condensado de vida, não deixo de temer por quem não ousou viver tomado pelo medo medíocre de sonhar.


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