Insanidade?
Falham-me todas as palavras mas resumo meu sentir na insatisfação de não sentir a universalidade ontem sentida. Pasmado numa estagnação iconográfica projectada sobre a realidade que habito nas variadas questões de dispares entoações que ecoam meu pensamento num frenesim que me consome. Voltar-me-ei a sentir assim? Voltarei a sentir a harmonia total? Estarei agora a tornar-me místico? Que senti? Que aconteceu? Não consigo descrever com exactidão o que ontem preencheu meu ser com o rigor que pretendo. Faltam aos dicionários conhecidos as palavras que traduzem correctamente emoções abstractas. Algumas sensações não nasceram para ser descritas ou explicadas a luz de um qualquer conceito físico químico matemático ou neurológico penso para comigo numa tentativa desesperada de justificar esta incapacidade súbita. Um estado alterado de consciência talvez. Um subproduto de um estado de ansiedade pontual. Mas... Não deixo de sentir no interior de mim um assombro com aura sinistra que disfarço na alegria que em mim esteve contida. Todos os meus sentidos me indicavam que me dilui (este o termo que melhor descreve o que passei) num todo. Como se cada simples partícula do meu ser se tivesse unido em comunhão com o todo que me envolvia e do qual eu fazia parte. Como... Como se não houvesse mar... nem terra... nem céu... Nem eu próprio... Como se cada uma das partes que presentes estavam se tivessem unido numa única entidade num paralelismo assíncrono com q realidade... Perfeitamente harmoniosa... Sem limites físicos ou definições. Melancólico certamente estou no meio de tantas questões para as quais, na minha racionalidade não encontro uma resposta concreta. Sufoco com raiva sentida a incapacidade aparente de não ser portador da sapiência necessária para responder a questões tão simples. Ando a ler alguns conceitos sobre Kendo... E Bushido... E sinceramente penso estar a ser influenciado... Não sei... Nada sei... Divago.. Apenas posso dizer que aconteceu... Que foi real... Que foi extremamente intenso. Como se fora do meu corpo estivesse... Como... Como se conseguisse ver com os olhos do universo. Como... Como se tivesse conhecido a face oculta da realidade a que estamos programados para reconhecer e interpretar. Gostava que tivesse continuado. Tal como gostava que houvesse uma explicação. Algo de palpável. Algo a que me pudesse agarrar para poder encontrar todos os motivos que me fogem. Será um principio de insanidade? Depressão? Mudança? Consciência? Mutação? Nada... Sem respostas resta remeter-me ao silêncio e aguardar pelo próximo amanhecer que poderá nunca se repetir.


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