domingo, 22 de novembro de 2009

Breu

Vou entardecer na praia apagando a luz negra dos pensamentos que percorrem a floresta sombria da cidade que me circunda. Imerso na imensidão transporto-me de encontro a ondulação violenta que as nuvens densas aparentam recortadas no horizonte que distante sinto divinamente próximo. Algumas surgem dispersas pelo firmamento quais pegadas erráticas de alguém que insiste em seguir um caminho sem rota traçada. O dia termina sem que o sol, que se afunda longe da vista, de um ultimo sinal de sua grandeza apaziguadora da escuridão. Esqueço temporariamente o frio que surge envolvido pela escuridão, que se abate agora rapidamente, sinto-me, no entanto, ser abraçado pela extensão gélida do céu com uma candura inebriante. Detenho-me divagando pelo horizonte sem tempo finito, fixando o pontilhado das bóias sinalizadoras que em mim tomam uma aura de beleza divina. Na penumbra imaginando tudo o que se esconde nos meus sonhos de breu vestidos.